Domingo, 26 de Março de 2017

Nas fortes árvores (2013)

 

 

Bate de mansinho, vai correndo entre os ramos,

aumenta a pressão e já se notam as copas,

outrora frondosas e orgulhosas da sua distância à terra,

abanarem, estremecerem pela imensa robustez,

que cresce e se afunila em sua direcção.

Um vendaval assim é agora,

forte, irresistível, devastador e demolidor,

nada escapa à sua passagem e aumenta,

cresce a força com que fustiga os ramos incautos,

que de tanta vaidade se deixaram enredar por ele,

sem se precaverem, são quebrados, espalhados por aí.

Na sua fúria, o vento tudo leva à sua frente,

porque deixou de encontrar resistência,

porque se afunilou como um só,

na direcção correcta em que o impacto é maior,

destrói, derruba e cria também,

espalhando as sementes de uma nova colheita,

que se espera mais segura, menos vaidosa e,

sobretudo, não tão longe da terra.


publicado por canetadapoesia às 23:18
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Passageiros do tempo (2013)

 

 

Somos o que somos e nada mais,

passamos pelo espaço que o tempo nos concede.

Somos passageiros do universo,

temos tempo limitado de ocupação,

deste espaço que nos concede tempo.

Estamos de passagem.

O cronómetro está ligado marcando o tempo,

desde o dia em que pela vez primeira ocupámos espaço e,

em passageiros do tempo nos transformámos.

Pára o cronómetro, e o tempo que nos deu tempo,

para ocuparmos o espaço que no universo nos reservou,

reclama-o agora, por falta de espaço,

para dar tempo a outros tempos.


publicado por canetadapoesia às 21:51
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Sábado, 25 de Março de 2017

Círculos da vida (2013)

 

 

Olho para o futuro,

só vejo passado,

com a limpidez que a vista permite,

revejo os círculos da vida,

em contínua repetição.

E não há ninguém que os quebre.


publicado por canetadapoesia às 23:44
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Arestas (2013)

 

 

Arestas,

afiadas,

que cortam,

que ferem,

que matam.

 

Arestas,

que se limam,

que se arredondam,

que se despem da maldade corrente.

 

Arestas,

que podem atingir uma perfeição grosseira,

como os calhaus que no rio,

a corrente vai desgastando até à foz,

e nesse percurso se arredondam e aveludam.


publicado por canetadapoesia às 23:40
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Da palavra à mentira (2013)

 

 

É sagrada, quando consagrada, e dela se diz que bastava,

para os antigos que nela criam, chegava um aperto de mãos,

para o pacto, sagrado, estar selado.

Na palavra nos convertemos,

logo que largámos as cavernas da ignorância,

por ela nos convencemos que não daria lugar à mentira,

mas foi usada, utilizada à exaustão, para da mentira criar verdades,

ainda que fictícias, inverdades, a que a palavra deu credibilidade.

Quando jurada, a palavra é maior,

é honra, é glória, é Nação e,

quando se desencadeia uma revolução,

ficará a palavra sem efeito?

E se jurada, onde fica?

E quem a deu, como fica?

Herói ou vilão e traidor?

Herói, para os que tudo justifica que seja quebrada.

Vilão, para os que dela são vitimas.

A palavra dada nunca pode ser vã, nunca pode ser transformada

na mentira que justifica a traição àqueles que com ela sofrem,

porque assim se transforma na mentira.


publicado por canetadapoesia às 00:32
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Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Uma noite como tantas (2013)

 

 

Dormindo a espaços, fecha os olhos,

perde-se no esquecimento do dia,

desaparece por momentos da face da terra,

acorda de novo e vira-se de lado,

sempre para o mesmo lado que não dava as costas à rua,

aconchega-se ao cobertor,

encolhe-se por baixo dele,

que a noite que o alberga,

está fria e ele está só neste mundo.


publicado por canetadapoesia às 23:20
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Opção de vida (2013)

 

 

Nunca trabalhara na vida,

nada sabia fazer além de gastar dinheiro,

que nada lhe custou a ganhar.

Agora iria trabalhar,

Não para ganhar a vida, não precisava,

mas para ajudar os outros,

para ajudar quem dela precisasse.


publicado por canetadapoesia às 21:39
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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Copiosamente (2013)

 

 

Caía sem que se vislumbrasse uma acalmia,

grossa, forte e constante,

dificultava a vista e a condução,

mas mesmo assim, não disfarçava a tristeza,

que me ia invadindo a cada nova esquina.

Em cada vão ultrapassado,

mais gente se acolhia,

tolhidos nos andrajos que lhes serviam de roupa,

molhados, enregelados, barrigas a pedir comida,

encostavam-se uns aos outros,

não por amor, mas por necessidade de se aquecerem.

E eu que me queixo de ter dificuldades crescentes,

para cumprir as minhas obrigações,

para sanar as minhas finanças,

para comer algo de fora do frugal,

ainda consigo passar por eles,

triste e pesaroso, nem sei até quando,

mas não me molho porque passo de automóvel.


publicado por canetadapoesia às 11:52
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Terça-feira, 21 de Março de 2017

Se tivesses um corpo (2017-03-21)

 

 

Podes ser directa ou até enviesada,

ter palavras doces ou mesmo amargas,

denunciares os males do mundo e desta sociedade

que se torna cega aos apelos à decência,

de quem da vida nada recebe e tudo lhe falta,

mas és palavras e sentimentos,

és estreita e longilínea nas tuas formas

e por vezes arredondada,

cheia e apetitosa na tua roupagem,

podes mesmo ser bruta nos teus propósitos

e se tivesses um corpo….

Ah! Se tivesses um corpo!

Seria certamente o de mulher!

Porque como ela és poesia,

sentimento à flor da pele,

carinho e amor que só no feminino é possível.

O corpo de uma mulher…

Esse seria o teu corpo de palavras feito,

cheio e arredondado, curvilíneo quanto bastasse,

e dos olhos teus se soltariam as lágrimas que,

como as palavras, correm livres pelo rosto,

nos emocionam e enternecem.

És poesia e serás mulher,

escrita pela mão dos sensíveis ao mundo,

o ser que nos alimenta a alma dos prazeres

que das palavras se retiram e na escrita

se sobrepõem à luxúria da carne.


publicado por canetadapoesia às 16:34
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Poesia sem dono (2010)

 

 

A poesia não tem dono, é livre, é vadia,

anda por aí para quem a queira apreciar.

Há quem a escreva numa métrica certinha,

alinhada por sílabas e rimas perfeitas.

Mas a poesia pode ser diferente,

pode sair do peito que se enche de vida,

da alma que se inspira no olhar,

do sentimento que brota de uma lágrima.

A poesia é minha, é tua, é nossa,

é do mundo que nos envolve,

que nos revolve e nos atira

aos trambolhões pelas veredas da vida.


publicado por canetadapoesia às 00:19
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