Quinta-feira, 26 de Novembro de 2020

Partir (2013)

 

 

Parto, parto hoje e deixo aqui,

bem expresso que o faço sem querer,

sem intenção, mas com obrigação,

outros momentos me aguardam,

outras sensações me esperam,

nesta distância que agora começa,

haverá momentos de desespero,

de saudades mesmo,

mas também e certamente,

momentos de pura loucura,

em que só o amor pode reinar.


publicado por canetadapoesia às 23:50
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020

Pelo olhar (2013)

 

 

Não sei se estou aqui olhando o que não quero,

sei que procuro um olhar,

e se nessa procura o encontrar,

sei que não foi em vão o meu,

porque nesse momento em que as pálpebras

ofuscadas se fecharem e abrirem,

foi encontrado o propósito da vida,

e nesse momento o amor fala mais alto.


publicado por canetadapoesia às 21:36
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2020

Vogando sobre as nuvens (2013)

 

 

Sinto que viajo no tempo,

vogando sobre nuvens,

ora escuras e carregadas,

ora claras e calmas,

sou isso mesmo que me sinto,

um viajante de um tempo que não controlo,

um viajante sem passaporte,

que circula nesta atmosfera

onde há tanto tráfego,

e eu já não pertenço a este sururu,

que me quebra a alma de penas por cumprir,

que me devasta o coração sem rumo.


publicado por canetadapoesia às 23:03
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020

Pequeno pavio (2013)

 

 

Senti o ruído da cabeça do fósforo,

raspou ao de leve na superfície áspera da caixa,

acendeu-se à velocidade da luz e dela fez iluminação,

aproximei-o com cautela da vela, virgem ainda,

que o aguardava na serena pacatez da cera que a compunha,

ao seu pequeno pavio encostei a minha chama intensa,

acendi-o, iluminou-se, contorceu-se um pouco,

mas a vibrante chama com que me mimoseou,

iluminou minha noite e estonteou-me a memória,

já não me lembrava como as velas acendiam,

como se contorciam os seus pavios,

mal o fogo intenso se lhes chegasse e as iluminasse,

mesmo que isso significasse queimar-lhes o pequeno pavio.


publicado por canetadapoesia às 22:07
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Domingo, 22 de Novembro de 2020

Ironia do destino

 

 

O cristal que deveria ser transparente e brilhante,

serviu de mote ao que seria uma noite de horror,

e nela se inscreveram, nas páginas da história,

o início da perseguição oficial aos judeus alemães,

nela se escreveu que aqui começava algo inexplicável,

que homem nenhum de bom senso desejaria ver,

o holocausto,

o extermínio de outros homens,

em sentido lato,

que no restrito, eram crianças e mulheres também.

Por ironia do destino se chamou a esta

a noite dos cristais quebrados,

a noite da violência extrema,

a noite em que o horror saiu à rua vestido de civilização

e em que foram espancados, presos e deportados,

encerrados em campos de concentração,

milhares de homens, mulheres e crianças.

O seu único crime, serem judeus.

O homem não tem limites

no horror e sofrimento que causa a outros,

mas por favor,

não esqueçamos esta barbaridade,

que jamais poderemos permitir que se repita,

como um buraco escuro na história da humanidade.


publicado por canetadapoesia às 22:02
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Sábado, 21 de Novembro de 2020

27 de Janeiro de 1945

 

 

Não, não é uma data qualquer,

é a data em que foi descoberto ao mundo

o maior dos horrores de que o homem é capaz,

matar, mutilar, exterminar mesmo o seu semelhante.

Qualquer descrição será sempre benéfica

face ao horror de quem suportou estas selvajarias,

e o homem fê-lo,

em nome de qualquer coisa,

em nome de uma pureza de raça que,

se o fosse, nunca tal coisa consentiria,

mas o homem fê-lo.

E eu, homem, pergunto-me, porquê?

Se tens à frente o teu semelhante,

um homem como tu,

que diferenças encontras para te transformar,

no animal que nem os animais querem por perto?

Afinal que homem és tu que matas outros homens,

que ser humano és que não conheces a humanidade,

tu, homem que caminhas nas trevas de uma vida de ódio,

de vingança e violência com os que te são mais fracos, pára!

Olha para o alto e segue o exemplo que a história nos traz,

trata o homem como homem,

como ser humano que tu és também.


publicado por canetadapoesia às 20:55
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2020

Dormir (2013)

 

 

Vou dormir, apagar esta memória,

ainda que seja por breves horas, ou meias horas,

mas fechar os olhos, esquecer o dia,

perder por momentos o sentido dos sentidos,

mergulhar no doce aroma da noite,

adormecer com a suavidade

do lento descer da montanha

e descansar dos pensamentos que nos contraem a mente,

soltar o coração e sonhar, se possível,

com outros sonhos, carregar outras memórias,

e deixar-me ir sem resistir, devagar,

lentamente em direcção aos braços de Morfeu.


publicado por canetadapoesia às 21:27
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2020

Caminho iluminado (2013)

 

 

No teu corpo vi o negro da escuridão intensa

que só a noite mais longa nos oferece,

mas no fundo,

bem no fundo desse negrume,

na profundidade de teu corpo,

brilhavam ainda umas luzinhas,

as estrelas que da noite fazem dia,

e do escuro um caminho iluminado.


publicado por canetadapoesia às 21:52
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2020

De chorar por mais (2013)

 

 

Cortei-o em pedaços pequenos,

queria fazê-lo render ao máximo,

meti o primeiro na boca,

duro, escuro, mesmo negro,

volteei-o entre a língua e os dentes,

começou a demonstrar-se pastoso,

espalhou-se pelo palato,

um amargo doce de fazer vir as lágrimas aos olhos,

e sem lhe dar nenhuma dentadinha,

foi-se derretendo, diluindo entre sorrisos de prazer.

Engorda dirão alguns, pecado dirão outros,

supremo prazer dirá a maioria e,

corroborando desta opinião,

acrescento, o céu na terra,

puro prazer dos sentidos o sentir do chocolate.


publicado por canetadapoesia às 22:33
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2020

No azul do céu (2013)

 

 

Recortas-te na distância que nos separa,

bem definida no azul deste céu que nos cobre,

o teu cinzento escuro, carregado,

ameaça com a certeza de que não tarda está aí,

e vem borrasca pela certa,

daquelas fortes com muita água e vento à mistura,

e nós, aqui por baixo, olhando,

tentando adivinhar o momento da soltura,

o momento em que pesada e cansada abrirás as portas,

desse imenso dique que conténs,

e de lá se soltarão as tormentas

que limparão o céu e a terra

da imundície que nos rodeia.


publicado por canetadapoesia às 22:20
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