Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Varinha de condão (2014-08-31)

 

 

Manchado do sangue

que não devia ser vertido,

em farrapos de ânimo,

com a alma estropiada

e a farda já rasgada

de tanta violência incontida,

ainda assim, se considerava um Deus.

Tinha nas mãos o instrumento,

a varinha de condão,

que possibilitava a vida ou a morte,

à sua frente o resultado macabro,

da sua irracional utilização.


publicado por canetadapoesia às 22:56
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Domingo, 24 de Outubro de 2021

Frondosa sombra (2014-08-18)

 

 

Sentindo no rosto o calor,

de um astro rei em chamas,

procuro a frondosa sombra,

que me arrefeça os humores.

Debaixo desta sombra,

frondosa e verdejante árvore,

me acoito e relaxo,

dos insanos dias de cólera.


publicado por canetadapoesia às 22:42
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2021

País único (2014-08-19)

 

 

É único, não existe outro assim,

é um país que dentro de si tem todo um mundo.

Há por aqui uma rua que tem um nome,

chama-se rua da angolana,

até aqui tudo certo, um nome como qualquer outro.

Mas acontece que esta rua é especial,

não por ser da angolana, mas por ser por si só um universo.

Nesta rua há especialidades chinesas e mais todas as orientais,

especialidades africanas e mais as sul americanas,

europeias são as que se queiram,

pode até comer-se um célebre cozido à portuguesa,

isto depois de uma boa moambada.

E ainda há quem ache que Portugal é pequenino!


publicado por canetadapoesia às 21:45
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Arruaças (2014-08-30)

 

 

No começo eram só intimidações,

arruaceiros e provocadores,

destabilizando a ordem civilizada,

aterrorizando os seus concidadãos,

destruindo vidas,

delapidando bens.

No passo seguinte passaram à agressão,

o terror subiu de tom,

mas ninguém se lhes atravessava,

ninguém lhes punha cobro.

Finalmente prenderam aleatoriamente,

mataram indiscriminadamente,

o seu povo temeroso e alheio,

já nada podia fazer para os travar,

seguiram para a guerra.

Combateram, mataram, destruíram,

e morreram em nome de uns loucos,

que se acoitam nas leis de alguém supremo,

que nem conhecem, mas veneram e,

como maus seguidores,

distorcem a sua palavra a seu belo prazer.


publicado por canetadapoesia às 23:28
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

O poeta fingidor (2014-09-27)

 

 

Se, utilizando a licença poética,

o poeta se expande nas palavras,

sai para o exterior do contexto da folha de papel,

utiliza até,

linguagens que fogem à norma ortográfica,

então o poeta,

como disse “o poeta dos poetas”, Fernando Pessoa,

“o poeta é um fingidor”.

Finge, funda palavras, recria ambientes, cria a esperança,

e temos o poeta que, no avolumar do seu fingimento,

arrasta consigo a esperança,

de que o mundo se arraste com ela.


publicado por canetadapoesia às 22:48
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021

Aparecimento da magia (2014-08-17)

 

 

Assim descia o dia,

azulando o céu, mas,

em fiapos vermelhos atravessado e,

por trás, caindo longínqua,

a estrela polar surgia.

Um pequeno brilhante no céu limpo,

mas o indício do nascimento da magia,

que com o escurecer do dia,

despontava para a noite cerrada,

No seu escuro céu resplandeceria

numa miríade de estrelas e constelações.

A magia da noite estrelada, cintilante,

com os seus milhões de diamantes,

mesmo por cima de nós, iluminando-nos.

Bastava levantar a cabeça,

e depositar os olhos no seu brilho entontecedor,

sentindo o poder dos astros que,

nesta hora abençoada nos ilumina a alma.


publicado por canetadapoesia às 20:40
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2021

O primeiro olhar (2010)

 

 

Cheguei-me mais perto,

com um ligeiro tremor no coração

e uma névoa no olhar.

Aproximei-me mais,

passei-lhe um dedo na bochecha rosada

pensando que a aspereza desta pele,

castigada pela vida,

a iria incomodar.

Não se queixou.

Aninhou-se ligeiramente,

como quem recebe um carinho.

Parou o mundo à nossa volta,

tudo estava em perfeita harmonia

com o universo que nos rodeava.


publicado por canetadapoesia às 22:14
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2021

No meu bairro (2014-08-14)

 

 

Não havia maçãs, nem uvas,

no meu bairro havia outras frutas,

havia gajajas, maçãs da índia,

havia mamões, papaias e mandioca,

bananas e mangas em profusão.

Não muito longe havia outras delícias,

tais como carambolas, safús,

e a fruta pinha crescia sem reservas,

também havia ananases e abacaxis.

Pitangas eram as que se queriam,

e se umas eram amargas,

outras desfaziam-se em doçuras,

e por falar em doces,

já me esquecia que também havia cana de açúcar.

E como vêm,

no meu bairro havia de tudo,

porque o meu bairro era um mundo,

imperfeito talvez,

mas o nosso mundo em que nada faltava.

Era o meu bairro.


publicado por canetadapoesia às 23:38
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2021

De onde venho (2014-09-06)

 

 

De onde venho nem imaginas,

se te contasse não acreditavas,

e, no entanto, é a pura verdade.

Venho da terra do vento morno

nos verões intermináveis.

Venho da terra do mar,

azul, verde, esmeralda e outras cores mais.

Venho da terra do mel,

das frutas exóticas que nas árvores selvagens resplandecem.

Venho da terra de terra vermelha,

em que a chuva quando cai esfumaça a nossos olhos.

Venho da terra da liberdade,

que assim me criou desde menino e como sempre a conheci.

Venho da terra da felicidade,

em que cada esquina era um prazer e em cada uma um amigo.

Venho da terra que conheci,

e que para mim era única e nada mais queria conhecer.

Venho da terra que era a minha,

e onde agora me obrigam a ser estrangeiro.


publicado por canetadapoesia às 22:04
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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2021

Esse teu rosto (2014-08-29)

 

 

Esse teu rosto sem idade,

sulcado pelos agrestes ventos da vida,

lavrado em profundos canteiros de rosas

pelo vento que o açoitou.

Esse teu rosto marcado,

pelos sonhos que nunca realizaste,

pela dureza que a vida te impôs

no caminhar que o tempo já esqueceu.

Esse teu rosto ímpar,

no contar de estórias inenarráveis

que os anos tornaram irreais à luz que hoje brilha,

que são o testemunho vivo da história que vivemos.

Esses teu rosto risonho,

que tudo viu passar,

que perdoou os males a que não pode fugir,

que sorri, apesar de tudo.

Esse teu rosto vivido,

que traz sulcado a traços profundos,

o mapa do mundo por onde andaste,

os caminhos que calcorreaste.

Esse teu rosto bondoso,

que assistiu a um mundo e acaba noutro,

que merece respeito e recebe despeito,

que tudo faria para saciar os insaciáveis.

Esse teu rosto que eu respeito,

e ainda que os ventos da modernidade,

imberbes e ignorantes,

propalem o contrário, agradeço,

pelo futuro que teu sacrifício me deu.


publicado por canetadapoesia às 23:33
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