Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Desde que seja sim (2018-12-14)

 

 

Desde que seja um sim,

não existem barreiras

a qualquer impossibilidade.

Um sim é um sintoma

de um acordo explícito,

ainda que forçado

por circunstâncias alheias

sobre as quais não temos influência.

É sim e desde que o seja,

os obstáculos são removidos

e os caminhos passam a alargar-se

até o sol que muitas vezes se esconde.

atrás de cinzentas nuvens,

acaba por nos iluminar o caminho.

Tudo depende, portanto,

de uma simples afirmativa e,

desde que seja um sim,

está tudo controlado pelo melhor.


publicado por canetadapoesia às 23:32
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

Dois olhares (2018-12-12)

 

 

Porque somos dois ou até mais e olhamos

não tirando os nossos olhos do mesmo objecto

acabamos com visões diferentes do que está ali

mesmo à nossa frente e visto do mesmo angulo

por dois ou mais pares de olhos.

No entanto, divergimos no que vemos

cada um a seu modo vê um contorno diferente

ainda que o alvo seja o mesmo e as sombras

não ensombrem nada do que temos diante dos olhos.

Nesta variedade de olhares se consubstancia o essencial

de uma liberdade que cabe a cada um desenvolver

sempre no respeito que o outro olhar merece

pelo respeito que exigimos também ao nosso.


publicado por canetadapoesia às 23:11
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Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Olhar o mundo (2018-12-09)

 

 

Não que do meu olhar se veja o mundo

mas eu vejo-o com ele e sinto-o neste olhar

que não sendo o do mundo é o meu e por ele o vejo.

Bem que por vezes gostaria de não o ver

desviar mesmo o olhar em ocasiões menos agradáveis

mas não, não é possível e tudo tem de ser visto,

agradável ou menos, mas dentro do olhar que olha o mundo

que por ele e através destes olhos que não deixam de o olhar,

também solta lágrimas que escorrem pelos sulcos

que o mundo desenhou nesta face que tanto o olha.

Olhos mortiços já, mas ainda atentos ao mundo que os rodeiam

depositando nele toda a esperança que o futuro

na sua longínqua proximidade, trará aos que agora despontam.

Olhos que olham com olhares de esperança.


publicado por canetadapoesia às 00:15
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Sabendo-te assim (2018-12-04)

 

 

Como eu queria e me agradaria,

sabendo-te assim,

tão cheia desse carinho e amor

que me transborda em cima

por cada hora que o relógio,

já sem cuco a cantar,

marca no seu rodopiar

pelas vinte e quatro horas do dia.

Sabendo-te assim,

me satisfaço e alimento

de tudo o que me ofereces.


publicado por canetadapoesia às 23:28
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2018

Pianando (2018-12-08)

 

 

Na sala ainda deserta soavam os acordes,

afinavam-se os dedos e esticavam-se as cordas

ao mesmo tempo que se iam aquecendo

as teclas brancas e negras do piano.

Muito direito no banco frente ao enorme monstro negro

cuja asa levantada criava receios a quem de longe observava.

A segurança da sonoridade e mistura de sons

estaria garantida pelo saber de coração de músico

que se enche destes sons melodiosos

que mantinham a sala quase em suspensão.

Estávamos “pianando” no bom sentido da palavra,

quase voando ao som tranquilo que dali saía,

evocando coisas celestiais só possíveis entre anjos,

estes eram os nossos anjos da música de piano.


publicado por canetadapoesia às 20:58
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Sentir-te (2018-12-06)

 

 

Assim, sem mais, sentir-te!

Sentir o teu calor e do corpo roliço conhecer todas as ondulações,

é o supremo dos prazeres.

Toda a exploração que desse corpo,

nutrido e roliço ao gosto dos deuses,

extraí com a paciência do prazer que lentamente nos foi invadindo

encheu-me as mãos do sentir que também era o teu.

Fomos carne e esforço, suor e cansaço,

para no fim de tudo sermos somente

prazer de carne com carne, de homem e mulher,

humanos simplesmente!

Que como todos os outros fazemos acontecer

quando dois corpos se tocam e ao de leve e pele contra pele

se roçam e calor encontram sobre outro excitante calor.

Somos dois, carne com carne,

prazer supremo que de ambos que se faz único,

destravado em convulsões nas asas do desejo,

no calor dos corpos que unem num só.


publicado por canetadapoesia às 22:28
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2018

Por aí fora (2018-12-03)

 

 

Por aí fora, andando,

com os pezinhos de lã

com que calcorreamos a vida,

absorvendo tudo o que à vista se cola,

sentindo tudo a que o coração,

na sua prestimosa sensibilidade,

sente e traz ao peito

batendo sincopadamente

de acordo com as sensações

que a vida lhe fornece

e pelos sentimentos que o assolam.

Por aí fora! Andando!


publicado por canetadapoesia às 22:21
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Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Debaixo de um olhar (2018-12-02)

 

 

Levantam-se os olhos e vê-se o céu,

por baixo num lampejar de vista perspectivam-se outros olhares,

mais largos e abrangentes,

mais prolongados e lânguidos,

porque por baixo de um olhar,

tudo se pode encontrar,

tudo se pode imaginar.

Cruzamos até olhares distantes

desprovidos de características especiais ou talvez,

carregados de sentido com objectivos precisos,

destinos traçados sob uma capa inócua

e sempre debaixo de um olhar.

Nessa distância em que o olhar se prolonga

e se vai cruzando com outros distantes olhares

se perde a candura que inocentemente o atravessa

assim o transforma num intento absoluto,

desejável e intrinsecamente objectivo,

sempre debaixo de um olhar.


publicado por canetadapoesia às 23:12
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Sábado, 1 de Dezembro de 2018

Somando (2018-12-01)

 

 

Mais um a somar e junta mais outro,

assim sucessivamente, ano após ano.

Gastando, consumindo, estragando

uma vida que se vai alongando

sucessivamente, ano após ano.

Ansiando, esperando, desejando

muito do que a vida não dá,

e assim, sucessivamente, ano após ano,

vamos vivendo e aceitando

o que a vida nos vai dando

sem que o desejemos ou peçamos,

negando-nos sempre o que desejamos.

Escorre-nos a vida entre os dedos

provando do pouco néctar que uma vida de provações,

e mais umas quantidades incomensuráveis de provocações,

nos proporciona nas poucas vezes

em que temos acesso à colmeia.


publicado por canetadapoesia às 23:48
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018

O regato (2018-11-28)

 

 

Sigo-te desde que nasceste e vi-te procurar

o caminho que te encaminhará sei lá para onde,

eras límpido e transparente e como todos os jovens

corrias louco e descias encostas desenfreadamente.

Eu seguia-te e vi que alargavas e engrossavas,

depois do último salto sobre as pedras maiores

mergulhaste no abismo onde te perdi.

Passei a ver-te de longe com o respeito que já merecias,

largo, profundo e turbulento em certos momentos,

quando finalmente consegui atingir o fim do teu correr,

dei por mim espantado e boquiaberto,

já não eras o meu regato que em tão tenra idade acompanhei.

Eras agora um rio de tamanho tal que não distinguia as tuas bordas,

não conseguia sequer saber se estava perante o rio

que outrora foi o meu regato,

ou estava agora perfeitamente imbuído num mar

cujas águas revoltas e ameaçadoras

se misturavam com a mansidão com que te conheci.


publicado por canetadapoesia às 18:48
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