Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

Em suspensão (2018-07-12)

 

 

É uma vaga sensação de impotência

é uma percepção de suspensão

face à vida.

Não se sabe nem se percebe

o que se segue ou qual o resultado

do passo que damos a seguir

não percebemos sequer como acontece.

Estamos em suspensão face à vida

aguardamos que o caminho se faça

dentro do optimismo que criamos

para fazer face ao inadvertido.

Enfrentamo-lo com a coragem dos que não desistem

olhando em frente com a certeza que o destino

está escrito em letras garrafais

em qualquer estrela deste universo.


publicado por canetadapoesia às 10:59
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Pitangas (2016)

 

 

Das pitangas lembro-me bem,

doces ou amargas,

maduras ou pela metade,

e sinto saudades sim,

de mastigar umas pitangas,

e ao chão vermelho soltar os seus caroços,

que sabia, por experiência colhida, que dali,

um caroço e aquela terra misturados,

nasceria outra planta, desenvolver-se-ia,

mais tarde, iria de novo saborear os seus frutos.

Hoje tenho outras pitangas,

também elas doces, dulcíssimas,

e por vezes um pouco de amargura,

só para ressaltar a sua doçura,

que também delas emana.

Não consigo olhá-las sem me lembrar das pitangas,

estas são as minhas mais adoradas pitangas,

aquelas que não mordo e que nem retiro o caroço,

mas doces como só a alma as reconhece,

também com um laivo de amargas,

para completar o sabor,

mas as minhas pitangas adoradas.


publicado por canetadapoesia às 22:54
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Domingo, 17 de Junho de 2018

E de repente cresces (2016)

 

 

Esticas e alargas,

escorregas nos joelhos e das mãos

fazes instrumento de locomoção,

e cresces, de repente cresces.

Foges-me do colo,

alargas as tuas vontades e,

sem receios futuros,

procuras a novidade,

buscas o inusitado e descobres os mundos,

que o teu pequeno mundo permite.

E de repente cresces,

alargas horizontes,

voas com as tuas asas,

mas para mim,

serás sempre a princesinha que,

ao colo carreguei e a quem,

cumulei de beijos e carinhos,

sempre insuficientes.


publicado por canetadapoesia às 23:41
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Gosto de vocês (2018)

 

 

Ah! Como eu gosto de vocês,

pequeninas e sorridentes,

teimosas por vezes, mas,

sempre uma alegria.

Ver-vos saltar,

correr pelos passeios fora,

cair de vez em quando,

que esses pés ainda são de dimensões diminutas,

e logo uma lágrima

que seca de imediato,

com nova corrida,

uma flor ou um passarinho.

Que maravilha ser avô,

apreciar o crescer da vida,

nestas vidas ainda recentes,

que sonho realizado,

com todo o amor e carinho,

que deste peito se verte.


publicado por canetadapoesia às 00:07
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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Negros (2014)

 

Negros e brilhantes,

misteriosos e curiosos,

os olhos que o futuro

terá como testemunha,

os vossos olhos negros.


publicado por canetadapoesia às 22:59
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Sábado, 9 de Junho de 2018

Três pedras

  

Três pedras iguais, três pedras diferentes.


Uma preta, uma branca e a outra, um mistério pois é a mistura das duas anteriores.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Recolhidas na praia por serem roliças, lisas, tão diferentes entre si que suscitam alguma reflexão e, no entanto, simplesmente três pedras, calhaus, o que se queira chamar-lhes.

Desde logo me questiono sobre o que pode conter uma pedra?

 

Uma alma, um sentimento, um mundo dentro de si?

 

Prosaicamente, grãos de areia solidificados, limados das suas arestas ao longo de centenas, milhares de anos até.

 

E um dia, apanhadas na praia porque alguém lhes encontrou alguma beleza, algum não sei quê de diferente.

Tê-las na mão é, já de si, uma experiência nova, diferente.

 

Senti-las húmidas de água salgada e acabadinhas de rolar na areia de onde foram retiradas, ou, talvez, quentes do sol abrasador que as fustiga impiedosamente até que uma próxima onda as envolva de novo no seu sal molhado.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Uma muito branca, outra muito preta, outra, ainda, de ambas as cores.

 

Coexistem no mesmo mar, envolvidas pelas mesmas ondas e roladas na mesma areia e no entanto simplesmente pedras, pedras de várias cores e sem nenhum espírito de separação entre elas.

Limadas até ao extremo em que a sua textura se torna suave e macia ao tacto, três pedras.

 

Se nada mais dissessem seria suficiente gostar delas e guardá-las, mas dizem, dizem muito daquilo que é o mundo em que vivemos, como se formou, como se desenvolve, como se coexiste entre pedras que são brancas umas, pretas outras e de ambas as cores, outras ainda.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

E no entanto fica a pergunta, o que podem conter estas três pedras?

Conterão, pelo menos, uma lição de vida, três pedras de cores diferentes coexistem pacificamente nas praias que frequentamos.

Os humanos não conseguem coexistir porque lhes faltam muitos anos para limarem todas as suas arestas e ficarem lisos, aveludados e macios aos contactos dos outros humanos.

Tempo é o que precisamos para limar as arestas.


publicado por canetadapoesia às 21:17
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2018

É a vida (2018-06-08)

 

 

Porque é a vida

e ela tem coisas destas

que nem a razão entende,

mas é a vida, e ela é assim!


publicado por canetadapoesia às 21:24
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2018

Sentir a brisa (2018-06-06)

 

 

Passa por nós atrevida

traz-nos sons distantes,

muitos distorcidos pela lonjura,

traz-nos cheiros e apetites,

é uma brisa suave quanto baste

para não nos assustar, para não nos afastar,

não querendo ser ventosa,

passa por nós suave e atrevidamente

enchendo-nos os sentidos

das sensações mais diversas.

Passa por nós e atreve-se

a estimular-nos sem se agastar,

sem fazer sequer uma paragem,

apenas passa por nós,

como todas as brisas,

atrevida e desafiadora.


publicado por canetadapoesia às 23:06
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

Sobe e desce (2018-06-07)

 

 

Diante deste refluxo de água,

que sobe e desce, vira e revira,

dependendo dos ventos que o açoitam.

Assim revejo a vida,

neste constante e repetitivo fluxo,

ora sobe, ora desce,

dependente sempre dos ventos

que Neptuno lança dos mares que nos cercam.

E sobe, engalanado de espumas retumbantes,

ou desce com o glamour amortecido,

fonte de água repetitiva,

fonte de vida inesgotável.


publicado por canetadapoesia às 23:04
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Terça-feira, 5 de Junho de 2018

De véspera (2018-06-05)

 

 

É só mais uma manhã antes da tarde que se segue,

é só mais uma eventualidade com que a vida nos brinda,

é só mais uma esperança que tudo se ultrapasse.

Reforçamos o optimismo reutilizando a máscara da esperança,

olhamos o futuro com pequenos momentos de passado,

sentimos o presente como se nada mais existisse.

Tornamos cada minuto em anos consecutivos de uma vida

que merece ser vivida, pelos inúmeros e infindáveis

momentos de felicidade que apesar de tudo nos ilustrou a vida.

De véspera nos preparamos para enfrentar mais um momento,

mais uma provação que o optimismo quer lançar

para lá das tormentosas ondas deste oceano

que representa a vida que atravessamos.


publicado por canetadapoesia às 21:44
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