Sábado, 28 de Setembro de 2013

Chuva

 

Se faz chuva sobre mim, como sobre tantos outros,

não me importo, não me interessa,

porque eu sou o sol de mim mesmo,

o que brilha e me aquece,

ainda que a chuva me caia em cima.


publicado por canetadapoesia às 01:19
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Quarto de hotel

 

O quarto silencioso de um hotel na cidade,

depressa se transformou no campo da batalha do amor.

Eram desejos contidos,

reprimidos pelas convenções do homem,

soltas pela imaginação do momento,

ruidosos pelo somar de prazeres.

Ali, no recato de um quarto de hotel,

longe da vista censória das convenções,

pleno de amores e desejos incontáveis,

tudo era possível e tudo foi permitido.


publicado por canetadapoesia às 01:16
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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

Qual o preço

 

Quanto custa a vida de um homem?

Quanto custa a vida de uma mulher?

E de uma criança, quanto vale?

Uma família, quanto vale para o país?

Até me custa expressar um número,

mas posso fazê-lo a qualquer dos valores,

ou em escudos ou em euros.

E isto martela-me a cabeça,

humilha-me e envergonha-me,

faz já muitos anos,

pelo meu país,

por mim e pelos portugueses,

que apesar de tudo acharam normal.


publicado por canetadapoesia às 00:51
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Candeeiro

 

No lusco-fusco da rua,

só uma testemunha presente,

o candeeiro de ténue luz,

que acendia e apagava,

qual piscar de olhos discreto,

ao desenrolar dos abraços e beijos,

encostos e afagações,

que a seus pés se prolongavam.


publicado por canetadapoesia às 00:42
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Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013

Almoço

 

Afinal como se conta o tempo?

E que tempo é necessário?

Para tudo o que precisa de tempo?

Eu tinha tempo e já nem sei se ainda o tenho!

É que nos muitos anos ao serviço de uma empresa,

das grandes, daquelas que têm muita gente mesmo,

como se conseguem conhecer todos os colegas?

Não sei, na verdade não o consegui,

nunca os conheci e provavelmente nunca os conhecerei todos.

E neste almoço em que tive o privilégio de estar presente,

muitos foram os que não conhecia,

outros de quem me lembrava das caras,

muito poucos os que conhecia realmente.

Afinal quanto tempo é preciso?

Quanto dele é necessário para nos conhecer-mos todos?

E porque não o forçamos para que isso aconteça?


publicado por canetadapoesia às 22:27
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Agonia

 

Em largas senhorias se aconchegam,

nas caras óculos escuros que escondem,

uns olhos que nada querem ver.

Nos largos cadeirões de cetim acolchoados,

sentam os traseiros rechonchudos,

e enquanto à míngua de pão,

seus subditos definham,

com carantonhas bochechudas,

enchem de palavras lindas os ecrans.

Já ninguém neles acredita,

mas à força de insistirem,

enganam-se a si próprios,

com parangonas impossíveis de absorver.

Pelo Estado dizem, pelo País vociferam,

que bem precisa e é urgente,

e o povo já sem força agoniza na canção.


publicado por canetadapoesia às 20:26
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Louco

 

Sou louco?

Pois sim,

penso ao contrário dos outros,

largo a riqueza pelos momentos de prazer,

da companhia, da conversa,

mas sou louco de amor,

e quando amo,

a loucura acompanha-me,

e as riquezas do mundo,

estão no momento em que,

enlaçados pela partilha e desejo,

nada mais encontramos à nossa volta.


publicado por canetadapoesia às 00:38
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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

Sussurro-te

 

Aproximo a boca do teu ouvido,

sussurro palavras sem nexo,

ouço as tuas e não as percebo,

os corpos ansiosos, desejosos,

fecham o cérebro ao entendimento,

e abrem o corpo ao prazer.


publicado por canetadapoesia às 23:55
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Luxúria

 

Soçobro em ti,

caio de bruços e,

toda a minha energia,

se concentra no teu corpo.

Perco-me de sonhos,

encontro-me nos desejos,

deixo em ti o pecado,

da gula da minha luxúria.


publicado por canetadapoesia às 23:44
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Amizade

 

Tivémos ideias diferentes!

Os percursos variaram.

E se eu sofri, é certo,

tu não sofreste menos,

e no fundo, o que nos une,

é uma coisa superior a tudo isso.

Algo que não tem classificação,

nos dias da contemporanidade,

uma só palavra a define.

a amizade.


publicado por canetadapoesia às 23:12
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