Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Da minha janela

 

Via a tua, da minha janela,

nas noites mais escuras,

em que a lua envergonhada,

se escondia por trás das nuvens,

conseguia até distinguir uma luzinha.

Não, nunca vi mais que isso,

Uma luzinha na escuridão,

Mas era a tua janela e disso não tinha dúvidas,

Bastava-me sabê-lo, não queria mais.

Da tua janela e da luzinha visível,

soltavam-se sonhos e imaginações,

e na noite escura, mesmo sem lua,

se iluminavam e resplandeciam os desejos.

Cavalgando imaginações e pensamentos,

acontecia o amor sem luar.


publicado por canetadapoesia às 23:59
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Para uma sandes

 

“Uma moedinha”,

ouço repicar a meus ouvidos,

“para uma sandes”,

diz a voz do outro lado da cabeça.

Levanto os olhos,

através dos andrajosos vestires,

reconheço a necessidade,

não sei se é para a sandes,

não me interessa para que fim,

sei que não posso resistir,

a tão intenso olhar.

Do bolso a retiro,

na sua mão a deposito,

com receio que se perca,

de imediato cerra o punho.


publicado por canetadapoesia às 23:33
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Um cachimbo ou um charuto

 

Já me acompanha faz tempo,

pela minha idade diria que pelo menos,

há uns bons quarenta e poucos anos,

companheirão das boas e más horas,

o cachimbo, de que possuo uma boa mostra de variados exemplares.

Ninguém me conhece sem ele e,

nos momentos de silêncio,

na paz dos pensamentos,

na solidão das multidões,

sempre ele para me acompanhar.

Mais tarde, velhice talvez,

o charuto se anuncia,

não um companheiro desta viagem que é a vida,

antes a companhia do prazer,

da gula ou outro qualquer,

mas sem dúvida do prazer puro e duro,

sem que nunca retire o lugar do cachimbo.

Prazeres da vida.


publicado por canetadapoesia às 18:11
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Na corte

 

Vivias na sumptuosa corte,

escolheste o rei coroado,

não te admires portanto,

se o escravo te esqueceu.


publicado por canetadapoesia às 17:45
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O cauteleiro

 

Ias passando sorridente,

paraste frente ao imóvel cauteleiro,

de bronze criado para a memória perdurar.

A admiração que demonstras no prazer de lhe tocar,

requer-te uma fotografia a seu lado.

Pedes-me que a faça,

Colocas-te em posição,

dos teus dentes brancos,

de sorriso armados,

reconheço uma satisfação,

um prazer pela recordação.

És turista, visitas Lisboa,

e estás feliz com a descoberta,

desta linda cidade solarenga.


publicado por canetadapoesia às 12:55
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De saia

 

Invulgar nos dias que correm,

passas de saia vestida, preta e cingida ao corpo,

colada às curvas que Deus te deu,

elegante como qualquer mulher,

que de saia vestida, empolga a vista de apreciador,

distraído mas atento, a uma cintura vincada,

pelo porte de mulher, que sabe que o é,

que sabe sê-lo e não receia mostrá-lo.

De saia é diferente.


publicado por canetadapoesia às 01:06
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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Ponto de encontro universal

 

Atravessando a imensa “chana”,

que me separava de uma ponta a outra do Rossio,

gozando o sol quente que me inundava, num pós almoço especial,

deparo-me com a minha juventude.

Ali mesmo, em pleno Rossio, à minha frente,

o velho companheiro de tantas farras de garagem,

e de outras paragens também.

O inevitável abraço, as trocas de mimos, a pergunta pelas crianças,

uma forma elegante de esconder a nossa velhice,

o prazer do reencontro daquela cara sempre alegre,

o sorriso simpático que sempre o acompanhou,

e ainda lhe mantém os traços da juventude.

O meu amigo Chila e mulher, e que bem que eles estavam,

estas coisas fazem mesmo bem à alma,

encontrar velhas amizades e encontrá-las bem.

Este mundo que se une e se regozija,

com o encontro das juventudes passadas,

para uma saudade inesgotável,

neste ponto de encontro universal a que chamamos Rossio.


publicado por canetadapoesia às 23:46
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Caminho

 

O caminho faz-se estreito,

de um lado o sol,

do outro a lua,

e no chão à minha frente,

todo o escolho do mundo.

Tenho eu de atravessá-lo?


publicado por canetadapoesia às 23:46
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2013

Pedaço de mau caminho

 

Mesmo quando te avisei que não era seguro,

insististe em não me ligar,

o teu relógio biológico tomou as rédeas do desejo,

antes que a observância da prevenção fosse assegurada,

entregaste teu corpo nu em minhas sôfregas mãos.

Foste o meu pedaço de mau caminho e prazeres inconfessáveis.

Revolveste-me em ânsias de incontidos sonhos,

de olhos fechados te desenhei nos meus,

sondei-te as curvas onde as mãos se inquietavam,

envolvi-me no calor de um corpo que não esperou por mim,

procurou-me em êxtase e,

perante minha nudez,

satisfez seus desejos reprimidos.


publicado por canetadapoesia às 23:52
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Sentir a poesia

 

Porque a poesia se sente,

entranha-se das formas mais inesperadas,

e vem da alma e do sentir,

não da razão que a racionalidade impõe.

E se a escrevo porque a sinto nos momentos mais improváveis,

é porque a sinto também vinda desta alma que se atormenta,

quer nos momentos críticos ou no estertor económico,

mas também naqueles em que o sentimento aplaude.

E eu escrevo o que me vai na alma,

por puro prazer de escrever, gostem ou não,

e sinto o que à minha volta vejo,

e choro com as lágrimas interiores,

que nenhum estranho visiona mas que o meu peito,

inchado de sofrer, resguarda da curiosidade alheia,

enchendo o coração que um dia pode vir a transbordar.


publicado por canetadapoesia às 21:52
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