Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Maresia

 

Porque tu és onda,

que se revolve cresce e espraia,

e eu a maresia que sobe e desce,

num contínuo movimento,

em que o tempo é esquecido.

 

Entre o teu revolver,

me contornas e envolves,

em sucessivas imaginações,

dessa tua água salgada,

e eu, em espuma me tornarei,

na praia de nossas vidas.

 

Cheiras a maresia,

inalo o aroma que vem de ti,

e assim inebriado,

me deixo levar pelo doce vaivém,

das ondulações que me deleitam,

onde outras vidas se darão à criação.


publicado por canetadapoesia às 23:14
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Choro do homem

 

Porque choram os meus olhos,

se os continuo a secar,

de cada vez que uma gota tenta saltar,

para longe do coração?

 

São talvez os escolhos de uma vida,

que ainda não acabada de viver,

já sente o desespero do nada.

 

E eu choro,

e sou homem,

mas os homens também choram,

e não é pouco.


publicado por canetadapoesia às 21:11
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Cheira a Lisboa

 

Já há sol, passou a sombra,

que escuras nuvens tapavam,

já temos o cheiro característico,

que das ruas e vielas,

nos enchem as narinas,

sardinhas e castanhas assadas,

alecrim nas janelas,

dos velhos becos sai o seu perfume,

que enchem o ar da velha cidade.

Cheira bem,

cheira a história,

cheira a modernidade,

cheira a Lisboa.


publicado por canetadapoesia às 10:51
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Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013

Vergonha

 

O que sinto quando as notícias me dizem,

que alguém se queixa, indignado,

porque uns mendigos vivem debaixo dos viadutos,

rodeados das tralhas que a vida lhes deixou como prémio?

Vergonha!

Porque gente que se senta no quente das suas lareiras,

ladeada pela comodidade que o dinheiro paga,

protegidos da chuva e do frio,

devia ter vergonha de fazer estas denúncias.

Será este o mundo do futuro de que tanto se fala?

Serão estas as pessoas que pontificarão nesse,

longínquo e tão próximo universo?

Não quero estar presente,

não quero participar nesta falta de solidariedade,

tenho vergonha deste País que assim procede,

tenho muita vergonha desta gente que o habita.


publicado por canetadapoesia às 22:26
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Indignação

 

Quando a revolta da tristeza se impõe,

sobre a alegria de viver a dignidade que nos consomem,

que nos resta senão a indignação,

com que temos de enfrentar,

os algozes da nossa forçada degenerescência.


publicado por canetadapoesia às 00:49
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Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

Na amurada

 

Debruçado sobre o mar,

olhava ao longe o infinito,

e na mansidão do oceano,

revia-me em ondas revoltas,

que a vida é mesmo assim,

mansa por vezes,

revolta em outras ocasiões,

mas sempre apaixonante.


publicado por canetadapoesia às 23:38
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Nos livros

 

Deitado de barriga para baixo,

abro o livro e desfolho as primeiras páginas,

entusiasmo-me com as primeiras letras,

e ávido delas embrenho-me na sua compreensão.

Esqueço o mundo que me rodeia,

vivo a aventura da escrita,

e transformo-me naquilo que gostaria de ser,

sobretudo feliz,

viver com dignidade,

não ter faltas e muito menos conhecer a fome.

Nos livros, tudo se transfigura,

nos livros não matamos a fome,

que nos comprime o estômago,

mas alimentamos a alma,

que nos transporta para mundos melhores.


publicado por canetadapoesia às 11:22
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Quando bate…

 

Entra discretamente e vai-se assenhoreando do espaço,

acabrunha-nos, amachuca mesmo,

por mais que o tentemos não a conseguimos afastar,

e então fechamo-nos numa concha de tristeza,

a preocupação começa a ganhar lugar à esperança,

o desespero galopa sem freios,

o optimismo desvanece-se e foge de nós,

e a alma entristece-se com o nosso desespero,


publicado por canetadapoesia às 00:07
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Terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Pois é…

 

Dormia a cidade no sono dos justos,

acordada aqui e ali,

pelo apelo ao divertimento e,

acessoriamente,

pelo desejo de extravasar a aversão,

ao adversário, fosse ele qual fosse.

Amodorrados pelos passeios nos centros comercias,

pelo incentivado som dos estádios de futebol,

pelas acaloradas discussões sobre qual o melhor,

do mundo e arredores,

o rei do pontapé na bola,

não se deu caso de que,

enquanto se mantinha anestesiado,

a cidade ia morrendo lentamente,

e com ela soçobrariam a prazo.


publicado por canetadapoesia às 19:38
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Dois relógios

 

Do que falo quando falo de relógios?

Falo da alma,

daquilo que o passado representa,

para quem dele quer fazer futuro.

 

Dois relógios é o que tenho,

não por serem como os outros,

marcarem horas, mostrarem calendário,

nada disso me interessa nestas peças,

o importante é a quem pertenceram.

 

Um deles ao meu avô,

grande, com tampa, de bolso e com cordão,

o outro ao meu pai,

mais moderno para a altura,

automático, com calendário,

bastava mover o braço para lhe dar corda,

umas preciosidades.

 

Não porque valham materialmente,

mas porque para a alma não têm preço.

 

São objectos de vida,

de vidas passadas,

de vidas actuais e futuras,

objectos da alma,

são dois relógios com saudade dentro.


publicado por canetadapoesia às 00:29
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