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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

25
Nov13

Voo de abutres


canetadapoesia

 

Voam em grupo,

os abutres,

esvoaçam sobre as cabeças,

de inocentes admiradores,

que de tão belo planar,

se extasiam embevecidos,

e de cada voo rasante,

sentem na pele o arrepio,

da carne que garras afiadas,

lhes vão arrancando do corpo.

25
Nov13

Três pedras


canetadapoesia

 

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Uma preta, uma branca e a outra,

um mistério,

é a mistura das duas anteriores.
Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Recolhidas na praia por serem roliças,

lisas e tão diferentes entre si,

que suscitam alguma reflexão,

e no entanto simplesmente três pedras,

calhaus o que se queira chamar-lhes.

Questiono-me sobre o que pode conter uma pedra?

Uma alma, um sentimento, um mundo dentro de si?

 

Prosaicamente,

grãos de areia solidificados,

limados das suas arestas,

ao longo de centenas, milhares de anos até.

 

Um dia, apanhadas na praia,

porque alguém lhes encontrou alguma beleza,

algum não sei quê de diferente.

Tê-las na mão é, já de si, uma experiência nova, diferente.

Senti-las húmidas de água salgada,

acabadinhas de rolar na areia de onde foram retiradas, ou,

talvez, quentes do sol abrasador que as fustiga,

impiedosamente até que,

uma próxima onda as envolva de novo no seu sal molhado.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Uma muito branca, outra muito preta,

outra, ainda, de ambas as cores.

 

Coexistem no mesmo mar,

envolvidas pelas mesmas ondas,

roladas na mesma areia e no entanto,

simplesmente pedras, pedras de várias cores,

sem nenhum espírito de separação entre elas.

Limadas até ao extremo em que a sua textura,

se torna suave e macia ao tacto, três pedras.

 

Se nada mais dissessem,

seria suficiente gostar delas e guardá-las,

mas dizem,

dizem muito daquilo que é o mundo em que vivemos,

como se formou, como se desenvolve,

como se coexiste entre pedras que são brancas umas,

pretas outras e de ambas as cores, outras ainda.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

E no entanto fica a questão,

o que podem conter estas três pedras?
Conterão, pelo menos, uma lição de vida,

três pedras de cores diferentes,

coexistem pacificamente nas praias que frequentamos.

e os humanos não conseguem coexistir,

porque lhes faltam muitos anos,

para limarem as suas arestas e ficarem lisos,

aveludados e macios aos contactos com outros humanos.

Tempo é o que precisamos para limar as arestas,

e como as pedras,

ficaremos aveludados.

24
Nov13

Por enquanto


canetadapoesia

 

Mantinha-se na expectativa,

não ia desistir facilmente,

por enquanto aguardava,

não sabia bem o quê,

mas esperava que a maré mudasse.

Não ia perder o investimento de uma vida,

um pecúlio sem valor material,

mas com enorme cotação emocional.

Foram muitos anos a amealhar,

a juntar pontos e a agrupar sentimentos.

De cada um dos momentos passados,

tinha a perfeita recordação,

dos bons, dos maus e outros assim-assim,

não ia deitar tudo a perder,

num qualquer repente de falta de paciência.

Esperou, desesperou e finalmente,

sem outro recurso, sem remorsos, optou.

24
Nov13

Ouviste-me


canetadapoesia

 

Sabia que não me vias,

com os teus tenros sete dias de vida,

mas ouvias-me,

e abriste os olhos,

como querendo abarcar o mundo,

e na ilusão dos meus sonhos,

senti-te sorrir para mim.

Apertaste-me o dedo,

demasiado grande para a tua pequena mão,

e nesse momento de amor eterno,

todas as forças do universo conspiraram,

e uma lágrima inadvertida caiu sobre ti,

Margarida, a flor dos meus olhos.

24
Nov13

Trintas


canetadapoesia

 

Quem a olhasse não descobriria os seu já entrados trinta,

aquele corpo nada denunciava,

pelo contrário,

era um autêntico chamariz para os olhares dos homens,

quase dissimulados ou mesmo ostensivos.

Há coisas que a razão não explica,

e a sua beleza não era a excepção à regra,

uma mulher esplêndida, linda,

e os olhares lascivos,

o virar de cabeça dos homens,

não o desmentiam de todo.

23
Nov13

Pela fresta


canetadapoesia

 

Via tudo o que não devia, não queria?

Bastava para tanto que a fresta,

daquela porta bamba se mantivesse.

No ver o que recusava,

no permitir que o olhar,

vazio de emoções,

mas cheios de “voyeurismo”,

penetrasse em intimidades não permitidas, proibidas,

a olhares que não tinham o direito,

de devassar a privacidade alheia,

traçava a fronteira,

entre a decência do ser,

e a insanidade humana.

23
Nov13

Palha


canetadapoesia

 

Absortos na difusa distância,

entre o céu sobre si e a terra de onde o olhavam,

mãos entrelaçadas, respiração alterada,

cabelos desgrenhados, suor escorrendo pelo corpo.

Extenuados sobre a palha,

que de leito lhes servia,

numa antecipada viagem,

de núpcias descontrolada,

gozavam o resto do sabor a nada e a tudo.

Sabor a céu, na terra consumado,

e em corpos, desejosos,

levado ao extremo do epicentro da carne,

assim  prostrados pelas asas do amor.

22
Nov13

Sobre a mesa


canetadapoesia

 

Fumegava ainda sobre a mesa,

acabadinha de tirar da máquina,

um desses prodígios da tecnologia,

que ao apertar um simples botão,

faz passar a água a pressão pelo pó,

previamente triturado e embalado,

em cápsulas calibradas com a quantidade certa,

do prazer que cada um tira do seu sabor,

da sua escura e grossa textura,

do fumegar aromático,

de um café fresco ou quente,

como lhe queiram chamar,

mas sempre a fumegar de prazer.

21
Nov13

Deusas da praia


canetadapoesia

 

A palmeira derretia a sombra ,

sobre a escaldante areia da praia,

e na orla espumosa das ondas,

estiravam-se os corpos, ardentes,

daquelas que na praia,

eram as deusas do mar.

Sereias encalhadas,

num oásis de coqueiros,

debruçados sobre as ondas,

do mar revolto e excitado,

pelos escaldantes corpos,

que em si se refrescavam.

21
Nov13

Uma semana


canetadapoesia

 

São sete dias,

uma semana de vida,

lançada a este mundo,

que não se permita lhe seja hostil.

Uma semana sem a ver,

uma semana de saudade,

uma semana a acumular carinho,

que será entregue,

tão breve quanto a rapidez,

com que o tempo corra,

e com ela possa a estar e,

testemunhar o amor que lhe devoto.

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