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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

20
Fev14

Frasco de mel


canetadapoesia

 

Disseste-me frases soltas,

cheias de um sentido que me desnorteou,

desmontaste as minhas recusas,

sem rodeios me envolveste,

sem medos me tomaste a vontade.

Eu sem meios de resistência,

perante tanta insistência,

recuei um passo, para logo avançar dois,

e perdi-me em ti que me controlaste os sentidos,

me levaste ao paraíso e por fim deitaste o frasco,

de onde entornaste o mel, calmo e quieto,

que nele residia sereno e contido.

20
Fev14

Quando começou?


canetadapoesia

 

Não sei quando despoletei esta fúria, foi repentina,

de um momento para o outro, dispus-me a escrever.

O que sai desta escrita pode nem ser especial,

não ter nada de extraordinário,

mas tem muito do que me vai pelo coração.

Escrevo com a mesma necessidade de comer,

se não o fizer não me sinto bem, então deito-me à escrita.

Quando me sento frente à folha de papel,

transfiguro-me, abro a mente,

é então que se dá o fenómeno e me solto,

saem-me as palavras em catadupa,

componho uns textos mas, sobretudo,

despejo poesia que me sai por todos os poros.

Adoro escrever e nem sequer sou poeta,

mas gostava de o ser, sem querer igualar-me aos que,

de tão grandes, me enchem a cabeça de leituras extasiantes,

mesmo assim, lavro no papel tudo o que ma vai no espírito.

Como eu adoro escrever, e aviso, vou continuar,

ainda que poucos leiam o que escrevo, vou continuar.

20
Fev14

Declaro-me inocente


canetadapoesia

 

De uma coisa estou certo,

sou inocente,

ainda que as provas apontem para mim,

mesmo que mil testemunhos afirmem o contrário,

declaro-me inocente.

E é verdade que tudo indica que tenha sido eu,

mas na verdade eu nego,

e nego tudo o que já está indiciado,

e mais nego o que puder vir a ser ainda apontado,

porque eu me declaro inocente.

E se outra coisa não possa fazer,

ante tamanho volume de provas e testemunhos,

se nenhum álibi me isentar,

e possa até acrescentar que a culpa, a existir,

não é minha mas da sociedade que me rodeia,

mesmo que não aceitem esta pueril desculpa,

ainda assim, não me sinto culpado,

como tal, declaro-me inocente.

19
Fev14

Tinha pressa, muita pressa


canetadapoesia

 

Já tive pressa, muita pressa,

e tanta que pelo caminho deixei,

parte essencial da minha vida.

Sim já tive pressa, muita pressa,

que afinal não me conduziu a lugar nenhum,

não me trouxe riquezas ou bens materiais,

mas sim a tristeza dos belos momentos perdidos,

porque tinha pressa, muita pressa.

E com essa correria, perdi, perdi muito,

daquilo que a vida nos dá de belo,

de ver crescer os meus filhos,

de os acompanhar mais quando se sentiram sós,

de os abraçar e beijar tantas vezes quantas mereciam,

mas eu tinha pressa, muita pressa.

E hoje, arrependido do tempo perdido,

tento atalhar caminho,

com beijos e abraços,

com carinho e amor,

porque já não tenho pressa nenhuma,

porque quero eternizar os pequenos momentos,

ainda que tenha perdido muitos,

por ter pressa, muita pressa.

Pela minha pressa lhes peço perdão,

pela minha falta, lhes peço desculpa,

pela minha desilusão e arrependimento lhes digo,

não tenham pressa, não tenham muita pressa,

que a vida passa num instante e,

o arrependimento tardio,

não nos traz a satisfação perdida.

Já não tenho pressa, não tenho pressa nenhuma.

19
Fev14

Sou uma célula


canetadapoesia

 

Bem vistas as coisas sou muito pouco,

posso até nem ser nada, mas sou,

sou uma célula, que já foi pequenina mas cresceu,

sou uma célula que gerou outras células,

que descende de outras antanhas,

uma célula de algo que se compõe de várias outras,

que criam um tecido humano,

desenvolvem uma rede social,

aglutinam-se numa Nação.

Sou uma célula que não só cresceu,

como se desenvolveu e expandiu,

uma célula que tem necessidades,

mas que também tem sentimentos,

controversos, talvez, mas sentimentos humanos,

originados por uma célula desenvolvida.

Sou uma célula e sinto-me bem com isso.

19
Fev14

Papagaios no ar


canetadapoesia

 

Era uma enchente de cor e habilidade,

todos no ar, volteando por sobre as cabeças,

corpos cuidados, em losango, triangulo, hexágono,

eu sei lá, uma quantidade considerável de figuras geométricas,

enchiam aqueles ares, de encontro ao céu azul,

as suas caudas compridas e aprimoradas,

repletas de folhinhos e laçarotes,

bailavam ao sabor do vento que lá no alto as acariciava,

e nem eram como Ícaro, porque estes voavam mesmo,

nem o sol, com seus raios de fogo, se atrevia a molestá-los.

Cá por baixo, com os pés assentes na terra,

uma longa guita a segurá-los,

dançavam sorrisos nos rostos das crianças,

pequenas sim, mas com o brilho intenso num olhar,

que foi capaz de criar o seu próprio brinquedo,

o seu prazer de criança ali esvoaçante.

Nos adultos, crianças também, um olhar de orgulho,

conseguiram incutir nos rebentos,

o gosto e prazer da descoberta, da aventura,

da força criativa que cada uma daquelas pequenas mentes,

ainda em construção, ainda em desenvolvimento,

mas já abertas para o mundo que queriam construir,

pensando por si, fazendo pelas suas próprias mãos.

19
Fev14

Papel e caneta


canetadapoesia

 

Estendia-a à minha frente,

branca, imaculada,

quase uma aparição celestial,

e juro que por momentos,

olhando para ela atentamente,

me pareceu descortinar um sorriso,

e uma voz se fez ouvir, eu juro que ouvi,

vem, trás a caneta, senta-te ao pé de mim,

assim rezava a voz, e eu sentei-me,

trouxe a caneta, pousei-a a seu lado,

o quadro era espantoso,

uma branca folha, imaculada e virgem,

a seu lado uma caneta, preta e com tinta suficiente,

levantou-se em direcção à folha virgem e,

levemente ao princípio, depois mais arrebatadoramente,

conversaram, trocaram ideias, escreveram coisas,

tornaram-se inseparáveis,

hoje é vê-las enlaçadas por momentos de puro prazer,

as letras, que ao juntarem-se, criam palavras.

18
Fev14

Telefonaste-me


canetadapoesia

 

Esta tarde me falaste,

ligaste o meu número e deixaste tocar,

até que eu atendesse e ouvisse,

a melodia mais bonita, que nesta terra possa ser um som,

a tua voz, inocente, atrevida,

e ligaste-me, telefonaste-me, sem motivo, sem porquê,

só porque o telefone estava ali,

e tu ligaste e ouvi-te do outro lado do fio,

que não existe já, mas traz até mim a tua voz,

pequenina, curiosa e atrevida,

ligaste-me só porque estava ali o telefone,

que a mãe deixou em cima da mesa,

e falaste, e disseste que não podias vir a casa do avô,

que estavas doente, embora não me parecesse,

que amanhã sim, amanhã vinhas,

e o avô vai-te buscar à escola,

aguardando o salto que me dás para o colo logo que apareço.

Amanhã sim, amanhã vens para casa do avô,

Mas telefonaste hoje, e só tens três anos.

18
Fev14

Por assim dizer


canetadapoesia

 

Satisfaço-me com pouco,

embora tenha gostado e ainda gosto,

não de marca, mas de gosto requintado,

é verdade, dou-me por ter bom gosto,

infelizmente insuficiente,

para as aquisições de que gostaria.

Mesmo assim, contento-me com pouco,

sou feliz com o que tenho,

em abono da verdade, nada me falta mas,

necessitava de dinheiro, muito dinheiro,

não para mim, que me contento com pouco,

mas para tantos que dele necessitam como do pão para a boca.

Precisava de o ter, em quantidade que me permitisse,

seguir o caminho que Deus me traçou e,

ajudar quem precisa porque, e ele sabe que não falharia,

mas se tiro mais ao pouco que tenho,

acabo a pedir também, se é que não vai mesmo acontecer.

17
Fev14

O sol atrevido


canetadapoesia

 

Olho o sol e sinto o calor,

fecho os olhos e sinto o sonho,

estendo a mão e toco-te,

ao meu lado o teu corpo aquecido,

tenho ciúmes,

porque estou a teu lado,

porque seguro tua mão e te sinto,

mas o teu corpo, esse,

é o sol que o acaricia, atrevido,

não te segura a mão, não te sente,

mas estende os seus raios e,

abraça-te com todo o seu calor,

envolve-te e toma teu corpo por inteiro,

para meu desespero, para inveja minha.

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