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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

27
Mar14

São cada vez mais


canetadapoesia

 

Não me deslumbro com tiradas,

pretensamente superiores de seres deveras inferiores,

porque não me revejo, nunca o farei,

nestas calamidades humanas,

que turvam meu olhar, toldam meu coração,

sempre que na rua as vislumbro.

 

São cada vez mais.

 

Com tristeza me confronto com a realidade,

que este País não é o paraíso que desejava,

apesar do bom clima, apesar das boas praias,

não é o paraíso à beira mar plantado,

porque a insensatez campeia.

 

São cada vez mais.

 

Porque o seu povo sofre,

de uma doença de difícil cura,

de mau governo, de gente impreparada e imprópria,

para no seu povo ver o seu próprio retrato.

 

São cada vez mais.

 

Só a sociedade põe no deslumbre algum decoro,

sara feridas duras, representa a humanidade,

faz-se solidária, companheira e é a ajuda da dura realidade,

questiono-me então para que serve o governo de uma Nação?

Quando ele próprio cobre de sombras,

retira ajudas e aterroriza, por palavras e actos ignóbeis,

todo um povo que serenamente aguarda,

pelos dias melhores que terão de aparecer,

e esperam, e desesperam, e tantos desistem.

 

São cada vez mais.

27
Mar14

Passa por mim veloz


canetadapoesia

 

Sinto que passa, por mim também,

a que velocidade!

 

Quando me olho ao espelho,

e no canto dos olhos reconheço a idade,

que apesar de ser de calendário,

nada representa do espírito,

mas está lá, bem à vista.

 

E a cabeleira farta,

orgulho de outrora,

continua farta mas,

passando-lhe a mão se nota que aqui e ali,

vão desmaiando alguns traços,

quase todos brancos,

cativador de olhares de admiração,

da vaidade de então.

 

Os anos passam e eu estou muito mais velho,

mais maduro não sei, ignoro essas coisas,

penso mesmo que estou a regressar à meninice,

porque não olho o mundo com as preocupações,

de outras alturas da vida.

 

Sinais de que estou melhor como pessoa,

que mudei para o mundo e os que me rodeiam,

que tenho de agradecer o milagre a quem mo tem proporcionado,

especialmente a quem me seguirá, os meus filhos,

sobretudo a quem nunca esquecerei, as minhas netas,

meninas agora, mulheres do futuro.

26
Mar14

A ventania triunfal


canetadapoesia

 

Apesar de sentir que o vento,

na brutalidade da sua força,

passava através das portas,

sentia-me seguro.

Uivava lá fora, aterrador,

mas cá dentro, o sossego imperava,

sobressaltos, de quando em vez,

quando ele acometia com mais rancor,

estanca aqui e ali, lá se ia concertando os estragos.

O que não se esperava de todo,

é que o próprio inquilino,

lhe escancarasse a porta,

e permitisse então,

a sua entrada triunfal.

25
Mar14

Apreciavam o pôr do sol


canetadapoesia

 

Chegava ao fim mais um dia extenuante de,

brincadeira e aventura que bastasse a um regimento,

mas éramos só três, cada um no seu galho,

nas mãos uma deliciosa, fresca e natural manga,

acabadinha de descascar com os dentes,

chupa-se agora o caroço e,

ao mesmo tempo descia no céu o sol,

ia abrigar-se para a noite,

ia descansar do dia quente que tinha oferecido,

a tantos meninos que da rua,

faziam o seu campo de treino para a vida.

Deliciados com o colorido do rei das estrelas,

absorviam-se a vê-lo descer e lentamente adormecer,

nas mãos, sobre aqueles ramos de mangueira,

as mangas doces e maduras,

que os sustentavam das canseiras do dia.

24
Mar14

De mãos dadas


canetadapoesia

 

Chegaram ao tempo em que as mãos se entrelaçaram,

de mãos dadas caminharam a vida,

saltaram os obstáculos que foram sendo criados à sua passagem,

e nas planícies de calmaria se aquietaram,

em momentos de puro êxtase do amor que,

de mãos dadas planava sobre seus corações.

De mãos dadas seguiam,

o caminho que procuravam traçar a cada passo,

e com elas criaram as ferramentas,

que na vida os haviam de guiar.

No fim, foi de mãos dadas que trocaram os olhares,

que ao se fecharem se entrelaçaram,

com as mãos dadas em vida.

24
Mar14

Às “mijinhas”


canetadapoesia

 

Foram chegando às “mijinhas”,

sem pressas, descontraídos,

abriam a porta, pediam licença,

entravam e sentavam-se,

silenciosamente, sem perturbações.

Aqui e ali um sussurro,

baixinho e quase inaudível,

queriam saber onde já iam as matérias,

questionavam o colega do lado,

logo se aplicavam em apontar, em escutar,

tentando não perder o resto da lição.

São jovens, são alunos, são pessoas em busca do futuro.

24
Mar14

Metades de ti


canetadapoesia

 

Modelo-te o corpo nos meus prazeres sentidos,

desvendo-te em mim na força dos meus desejos,

repartes-te comigo em metades de ti,

a que ciosamente resguardas em teu peito,

e a que, generosamente me dás a saborear.

Sacio-me com a pujança da minha procura,

e sobre a doçura da tua oferta,

me deixo em ti,

recebendo-te em minha alma.

23
Mar14

Deixei-me flutuar


canetadapoesia

 

Deixei-me ir para além das vontades reprimidas,

saltando a represa das concepções castradoras,

deixei-me ir ao sabor dos teus sabores,

nas ondas que me proporcionavas,

vagueando ao sabor das marés que subiam e desciam,

enchendo as praias de meus sonhos.

Deixei-me marinar sobre teus ais,

e das nuvens em que me encontrava,

desci à terra prometida e,

no teu paraíso me deixei flutuar.

23
Mar14

Na tarde da poesia


canetadapoesia

 

Era uma tarde como tantas outras,

mas uma tarde diferente,

uma tarde sem sombras,

com sol, muito sol para encarar de frente.

 

Dentro do repleto salão, a magia,

gente em tamanha quantidade,

que ofuscava o brilho que fazia,

em ocasião tão cuidada.

 

Eram tantos e tão diversos,

novos, velhos e assim-assim,

comungando o prazer dos regressos,

celebrando e glorificando a poesia, sim!

23
Mar14

Pitangas


canetadapoesia

 

Das pitangas lembro-me bem,

doces ou amargas, maduras ou pela metade,

e sinto saudades sim, de mastigar umas pitangas,

e ao chão vermelho soltar os seus caroços,

que sabia, por experiência colhida,

que dali, um caroço e aquela terra misturados,

nasceria outra planta, desenvolver-se-ia,

mais tarde, iria de novo saborear os seus frutos.

Hoje tenho outras pitangas,

também elas doces, dulcíssimas,

e por vezes um pouco de amargura,

só para ressaltar a sua doçuras, também delas imana.

Não consigo olhá-las sem me lembrar das pitangas,

estas são as minhas mais adoradas pitangas,

aquelas que não mordo e que nem retiro o caroço,

mas doces como só a alma as reconhece,

também com um laivo de amargas, para completar o sabor,

mas as minhas pitangas adoradas.

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