Sábado, 26 de Abril de 2014

Sonho-vos

 

Assim vos vejo e anseio,

que não verei talvez seja certo,

mas que o sonho, é a realidade,

desta alma que com amor,

e todo o carinho do mundo,

vos enlaça pelo coração,

cansado, sem dúvida,

mas sonhador e esperançoso.

Quero-vos no mundo,

Que só o sonho constrói,

e o meu tece-o para vós,

com fios de fina prata,

cravejada de esmeraldas,

do verde mais cristalino,

para que o futuro,

que vos sonho e anseio,

seja da mais pura transparência,

e vos encha a alma,

da mais translúcida esmeralda.


publicado por canetadapoesia às 19:03
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Passam por mim no Carmo

 

Com o olhar desgrenhado,

passam por mim no Carmo,

na mão um cravo,

nas pernas o peso do sonho,

que do sorriso desmereceu.

Cantam ao sol impiedoso,

a Portuguesa,

como a aprenderam na escola,

de pequenos, grandes se fizeram no sonhar,

carregando consigo,

quarenta anos do vermelho,

que do sangue saiu,

para os cravos colorir.


publicado por canetadapoesia às 13:06
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Sonhatório

 

Em cada patamar uma placa,

dizia simplesmente uma palavra,

sonhatório,

as escadas continuavam,

subiam mais um andar,

sonhatório lá estava,

uma só palavra,

indicava mais alto,

mais perto do céu,

sonhatório,

local de sonhos ou para sonhar,

lá estava no último andar,

bem junto às estrelas,

pertinho da lua,

coberto pelo céu,

o local onde os sonhos se podem sonhar,

o sonhatório.


publicado por canetadapoesia às 00:46
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Foi primavera

 

Floriram e espalharam-se por toda a cidade,

foi Abril e floriu,

abriram-se as portas que se fechavam,

na masmorra da memória,

soltaram-se os cravos, vermelhos,

e eram raivas, sonhos em mutação,

caminhando por ruas e ruelas,

levando a nova a outros recantos,

trazendo em troca,

alegrias e tristezas, envolvimentos e abandonos,

mesmo que outros jardins murchassem,

era Abril e a primavera floria.


publicado por canetadapoesia às 00:00
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Vontades e desejos

 

Quando se abriu,

algo se fechou inexoravelmente,

até quando, não sabemos,

alguma coisa desponta agora,

por entre as neblinas do tempo,

que o princípio do tempo se encarrega,

contra a vontade de uns,

a favor dos desejos de outros,

de fazer renascer na mente daqueles,

que esquecem, que não conheceram, que não conhecem,

a realidade dos dias sombrios,

que um céu estrelado, quente e pelo sol iluminado,

escondia nas noites mais escuras,

do tenebroso breu de um passado sombrio,

por isso lhes digo, conheçam, investiguem,

mas não deixem que a cor da vida,

seja de novo pintada a preto e branco.


publicado por canetadapoesia às 23:57
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Domingo, 20 de Abril de 2014

Com o aparelho na mão

 

Que faço eu com este aparelho que nas mãos carrego,

e por vezes até traço à volta do pescoço,

pendurado, quase inerte,

mas vivo e atento a tudo que o rodeia.

Se lhe passam pela frente, zás,

Traça-lhes o perfil em zeros e uns,

que agora, que o tempo passou e outro se apresentou,

já não se gravam as almas em celulóide.

Gosto dele porque sim,

ocupa-me as mãos,

enfeita-me o pescoço e,

com o jeito que lhe conheço,

cria o silêncio que minha voz viola,

nele só ouço um “tlec”, disparou o aparelho,

mais uma foto tirada,

uma alma guardada no cartão,

da minha máquina fotográfica, o aparelho.


publicado por canetadapoesia às 23:18
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Sábado, 19 de Abril de 2014

Similitude

 

Absorvido pelo brilhante metalizado da torneira,

fixei o pingo de água que se desprendeu,

soltou-se do fio que o conduzia,

caiu desamparado no lavatório e,

como num gigantesco microscópio,

dei por mim a seguir-lhe o movimento,

vi-o tombar, bater no fundo,

e com espanto, vi que um simples e frágil pingo,

se espalhou por uma vasta área.

Pensei com os meus botões, única forma de pensar para mim,

se fosse um pingo de amor,

que caísse do céu aos trambolhões nesta imensa terra,

e dessa queda surgisse uma enorme cadeia de micro pingos,

que ao espalharem-se livres, produzissem amor,

em quantidade e com a qualidade,

que o mundo merece e urgentemente necessita?


publicado por canetadapoesia às 23:36
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Comemora-se

 

Afinal comemora-se, livremente,

e todos falam e afiançam veementemente,

que o fazem em liberdade, livres,

coisa nova, coisa pouca ou coisa muita,

mas coisa com certeza, ou não.

Ouvimos e abanamos a cabeça,

Ganhámos a democracia, a guerra, a liberdade!

E que se diz aos que tudo isto perderam?

É a mudança, são os danos colaterais,

Mas são pessoas, são gente como os outros.

Seres humanos apanhados na voragem da liberdade.


publicado por canetadapoesia às 20:39
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Duas pérolas de saudade

 

 

Tantos dias se passam sem a presença,

que a saudade me trás ao coração,

e eu sinto a falta das duas pérolas que tenho na vida.

Sinto a distância, que nem é muita, mas é longe,

porque estão ao largo deste peito,

que não quer mais que senti-las por perto,

bem junto ao tiquetaque deste velho bombeador de sangue,

que se acelera com as suas ausências,

e se acalma com a presença de tão belas pérolas.

Duas pérolas de saudade, de amor e carinho,

tenho mesmo saudades das minhas princesas.


publicado por canetadapoesia às 23:47
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Vendedor de sonhos

 

Com tamanha audácia consegues superar,

toda a pequenez de quem te contraria,

e vendes sonhos,

que nem sequer são sonhados,

mas que no desespero com que as gentes andam,

a eles se agarram e acreditam,

escaldados que estão, acreditam ainda assim,

mas como a razão é mais forte,

e já conhecem outros sonhos sonhados e garantidos,

que o tempo lançou no desengano,

na vertigem da mentira, no desengano,

ainda acreditam sim, mas de pé atrás,

e já não é em ti que acreditam,

logo tu, que vendes sonhos.


publicado por canetadapoesia às 22:23
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