Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Mão cheia de sonhos

 

Com um pequeno balde numa mão,

na outra, instrumentos variados,

um ancinho, uma pá e uma peneira.

Descias o areal até à orla da praia,

onde as areias eram mais firmes,

moldáveis por serem húmidas,

e nas mãos levavas sonhos.

Os sonhos que a tua tenra idade permitia,

um pequeno balde e respectivos acessórios,

de dentro retiravas uma mão cheia de sonhos.


publicado por canetadapoesia às 22:54
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Muito protector

 

Mão no saco, retiras a embalagem,

verificas e sacodes, mais um abanão,

fazes pressão e sai um esguicho,

mais outro e outro ainda,

espalhas pelo corpo, com tuas mãos.

Primeiro os braços, depois os ombros,

vem a barriga a seguir e só depois,

te dedicas às pernas, longas,

torneadas e já meio bronzeadas.

Nas costas esperei que me pedisses e,

nem um pouco, nada de bronzeador,

e como me daria prazer espalhar-to pelas costas.

Untava-te de esguichos e depois,

com as minhas mãos espalhava o óleo protector,

desenhando, em simultâneo,

pelas tuas costas largas e magras,

a pressão dos meus dedos curiosos.


publicado por canetadapoesia às 21:18
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

O tempo e o mundo

 

O tempo tudo cura,

mas o tempo tudo marca.

se de um lado vai curando,

maleitas, amores perdidos e outros,

também vai marcando,

vidas, mãos e tensões diversas.

Trago comigo todas as marcas do tempo,

e o meu olhar cruza os vários já ultrapassados,

carrega consigo as alegrias e tristezas de um mundo

que merece muito mais do que tempo.

Nada tenho para lhe dar,

mas muito dele recebi.


publicado por canetadapoesia às 23:20
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O corpo

 

É meu, claro que o corpo é meu.

Foi a minha mãezinha que o gerou,

com as dificuldades que conheço,

foi ela que o criou.

E não é por isso que deixa de ser profanado,

perfurado, cortado, invadido e sei lá que mais.

Mas o corpo é meu e não sou eu que o violo.


publicado por canetadapoesia às 00:22
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Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Como prata pura

 

Fiapos dispersos,

sobre a superfície líquida,

de prata pensava eu,

brilhantes,

de um sol que se derramava,

sobre o azul daquele mar,

que em ligeiras ondulações,

espalhava à sua superfície,

raios brilhantes do astro rei.

Nas águas cálidas e serenas,

me baptizei em mergulhos reconfortantes,

e  senti em meu corpo o envolvimento,

do refresco que contigo trazias.

Saboreei o quanto pude,

até à exaustão do corpo submerso,

recolhi-me a seco,

com a alma encharcada.


publicado por canetadapoesia às 23:56
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O sol não se pôs a oriente

 

Porque a noite é dia,

e o dia é noite,

não se põe o sol a oriente.

Acende-se o céu,

rompem furiosos relâmpagos,

estrondos ensurdecedores,

não há buracos que os escondam,

e enquanto os túneis são destruídos,

sofrem as gentes que povoam as margens,

da insanidade humana,

da guerra estúpida que se alarga,

que estende os braços à morte de inocentes.

E por isso,

o sol não se põe a oriente,

porque a noite está iluminada,

pela ignorância humana.


publicado por canetadapoesia às 00:52
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Por uns breves momentos

 

Foi por pouco, não muito momentos,

mesmo assim,

uma eternidade de sensações.

Olhava o mar calmo,

tão sereno, tão azul,

e nesse momento,

tão fugaz como inesperado,

a comunhão aconteceu.

Estava ali, em pleno horizonte,

o céu por coima da cabeça e,

por baixo de mim o mar imenso,

e por dentro, junto ao coração,

transbordando de ausência terrena,

só Deus,

e eu,

um momento de comunhão,

uns minutos de união,

todavia,

uma eternidade na alma.


publicado por canetadapoesia às 22:38
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Domingo, 27 de Julho de 2014

A aura

 

Não te via faz tempo,

estás na mesma,

talvez mais velha,

que o tempo passa por todos.

mas noto-te um brilhozinho nos olhos,

uma coisa diferente,

algo que te ilumina o rosto

e te cria uma aura luminosa.

Enche-te o corpo de um sorriso divinal,

sei que só pode ser o que penso,

o amor em toda a sua plenitude.


publicado por canetadapoesia às 23:16
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Sábado, 26 de Julho de 2014

Falando com Deus

 

Não sei se terás tempo para me atender,

porque sei que estás demasiado ocupado,

e é tanto o afã que não te chega o tempo,

para olhares para todo o lado,

e nessas falhas, alguma coisa se descontrola.

 

Por isso eu nem sei se consigo falar Contigo,

nem sequer imagino se mereço aproximar-me de Ti,

talvez seja um pecador,

tão grande que não permitas a aproximação ou,

pelo contrário, tão infinitamente pequeno,

que nem sequer perdes tempo comigo.

 

Mas quero tentar, preciso muito de te falar,

de coisas que aqui se passam,

de coisas que nem vais acreditar,

porque não chegas a todo o lado,

tenho de te por ao corrente de que o mundo,

este mundo que criaste com carinho e desvelo,

onde colocaste o homem e a mulher,

para que se amassem e reproduzissem,

e que o amor reinasse entre os homens de boa vontade,

este mundo ideal, está em perigo.

 

O ser humano já não se ama,

pelo contrário, odeia-se e odeia tudo o que,

mesmo por vaga memória,

lhe faça lembrar o paraíso que na terra criaste,

envolve-se em guerras sangrentas,

elimina-se a si próprio e a outros, sem pensar,

nos estragos que faz ao mundo e aos seus.

 

E as crianças Senhor, as crianças Senhor,

esses seres inocentes a quem ninguém respeita,

que são o futuro do mundo e a quem,

desde tenra idade, ensinam o ódio,

que com tanta mestria os adultos usam,

as crianças que deviam ser rodeadas de amor,

encharcadas em carinho, a quem deviam ser apontados,

caminhos de futuro risonho e afinal,

só lhes oferecem violência, fome, tristeza.

 

Precisava de te contar Senhor,

e mesmo que não me recebas ou que,

não possas dispor do teu tempo comigo,

pelo menos dá um pouco de atenção,

para estes lados desavindos e,

se possível, salva pelo menos as crianças,

mostra-lhes outro caminho que não seja,

o do ódio com que são bombardeadas diariamente.


publicado por canetadapoesia às 03:02
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Não te apresses (Do meu livro de poesia Tágide, editora Lua De Marfim Editora).

 

Não! Espera um pouco,

não te apresses que temos tempo.

Não corremos contra ele,

não apressamos o amor.

Vamos devagar,

sentindo todos os recônditos deste encanto.

 

Luis Filipe Carvalho

 

 


publicado por canetadapoesia às 00:47
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