Domingo, 31 de Agosto de 2014

Madrugada fria (2014-08-31)

 

Vi-te no etéreo sonho de uma madrugada fria,

senti-te mesmo ao pé de mim.

Voltei-me para o outro lado e lá estavas,

ali continuavas impávida e serena,

atordoando o meu dormir.

 

Não quis saber.

Fechei as cortinas do meu sonho,

Enrosquei-me no edredão,

mudei de canal e deixei de sonhar.


publicado por canetadapoesia às 23:54
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O cheiro (2014-08-31)

 

Cheiro é uma coisa delicada,

pode atraiçoar-nos,

 porque atrás dele, vamos até ao infinito.

Se cheira mal, desviamos o olfacto,

afastamo-nos do local,

mas se é agradável, nem resistimos.

 

Este danado nariz não nos deixa por meias medidas,

por vezes até nos cheira a esturro,

e sabemos que não é um cheiro do nariz,

este vem mais dos sentidos.

 

Mas se o cheiro é de uma boa travessa tradicional,

Ah! Aí todos os sentidos se apuram para ver de onde vem,

e num ápice,

passamos do olfacto ao gosto,

num pulinho estamos no pecado da gula.


publicado por canetadapoesia às 22:19
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Portuguesa (2014-08-31)

 

Trazes no teu alargado ventre,

os choros e gemidos de um povo,

a tristeza e a saudade,

presentes em cada um dos teus trinados,

és conhecida pelo mundo fora.

 

Quando sentes o corpo afagado,

saem do teu colo sons de encantar,

apreciada pela tua sonoridade,

como instrumento és o único,

e arrastas contigo o nome de um povo inteiro.

és tu, o instrumento da saudade,

a guitarra portuguesa.


publicado por canetadapoesia às 16:18
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Pétalas (2014-08-31)

 

Vi a flor desabrochar,

preguiçosamente abriu as pétalas ao sol do dia que nascia,

logo uma abelha se acercou,

entrou-lhe entre elas e cheirou, pesquisou,

sugou-lhe todo o pólen que transformaria em mel,

no fim do dia,

cansada de ser extirpada do seu suco,

recolhe as pétalas, dobra-as elegante e pudica,

no seu dar-se ao dia, às abelhas e ao mundo.

 

Amanhã, recuperada da noite retemperadora,

esquecerá o cansaço do dia anterior,

de novo se abrirá em resplandecente estirar de pétalas,

de novo voarão à sua volta e de novo será sugada,

e o mel que daí virá, será tão doce,

como o são as suas pétalas abertas.


publicado por canetadapoesia às 14:17
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Silencioso (2014-08-31)

 

E se te custa muito,

não digas nada,

não faças nada,

deixa-me só,

silencioso como sempre.

Olhando o céu azul,

assistindo ao pôr do sol.

Só e silencioso,

como sempre.


publicado por canetadapoesia às 00:14
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Sábado, 30 de Agosto de 2014

Varinha de condão (2014-08-31)

 

Manchado do sangue,

que não devia ser vertido,

em farrapos de ânimo,

com a alma estropiada,

e a farda já rasgada,

de tanta violência incontida,

ainda assim, se considerava um Deus.

Tinha nas mãos o instrumento,

a varinha de condão,

que possibilitava a vida ou a morte,

e à sua frente o resultado macabro,

da sua irracional utilização.


publicado por canetadapoesia às 23:50
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Menino ainda (2014-08-31)

 

Sem a preocupação da vida,

corria os campos do terreiro,

descobria as sombras da mata,

ouvia os passarinhos no alto do cafeeiro.

 

Com o arco e a gancheta,

corria o mundo que só eu descortinava,

juntos e em grupo, vagueávamos pela paleta,

corríamos pelos autódromos do verde que nos encantava.

 

E ao fim do dia,

estacionávamos os bólides,

prontos para o dia que despontaria,

e para as renovadas vontades.

 

Encostados às paredes de casa,

sem alarmes nem segurança,

ganchetas ao lado,

recolhíamos sem pressa,

e retemperávamos forças no sabor da janta.


publicado por canetadapoesia às 23:44
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Meia noite e uma mulher (2014-08-31)

 

Dormia já parte da cidade,

ao balcão pedias uma sopa com que confortarias o estômago,

para a noite que não permitiria o sono do descanso,

pediste um café e tinhas assim composto a refeição.

Uma sopa e um café.

Pagos já com alguma da receita da noite,

e ainda havia tanta pela frente,

Na tua idade?

Quando devias estar no remanso de uma quente cama,

ainda labutavas pela noite fora,

servindo quem de ti se servia sem saber que,

pela noite fora tinhas por companhia uma simples sopa,

e um café para te manter acordada,

para atender tantos clientes que,

apesar da tua avançada idade ainda te procuravam.

Mundo cão, país infecto que permite tais aleivosias,

que vira a cara de nojo para não te encarar,

e na próxima esquina te procura para de ti se utilizar.


publicado por canetadapoesia às 23:01
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Metades (2014-08-30)

 

Porque sou feito de metades,

não me encolho à chuva,

que molha uma delas,

mas a outra logo a seca.

 

Porque sou feito de metades,

molho-me, mas seco-me.

 

Porque sou feito de metades,

tenho uma parte triste,

mas a outra é esplendorosa,

e brilha e aquece o coração,

porque essa é feita de sol.


publicado por canetadapoesia às 22:40
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Urbe (2014-08-14)

 

Não estivesse tão cansado,

da vida,

que o trabalho já não o incomodava,

sairia pelas ruas da cidade,

olhando as maravilhas que esta tinha para mostrar.

Mas estava de rastos,

não tinha vontade anímica para sequer se mexer.

Sentia assim que perdia o burburinho da urbe,

a corrida estonteante do regresso a casa,

de tanta formiguinha laboriosa.


publicado por canetadapoesia às 21:18
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