Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Igual a tantas outras (2010)

 

Poderias passar por ser igual,

a tantas outras,

pequenas diferenças,

fazem a distinção,

essenciais a esta separação,

o porte,

a elegância,

o andar,

o sorriso,

e essa felicidade estampada no rosto.


publicado por canetadapoesia às 22:20
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Silhueta (2014-10-22)

 

Pela silhueta se percebia o conteúdo,

rico em cor e textura, estonteante em odor e,

terrivelmente erótico, pelos sabores que proporcionava.

Sem dúvida um despertador da alma,

essa insaciável caçadora,

de prazeres mundanos e deliciosos.

Meteu-lhe o nariz pelo largo e apropriado orifício,

aspirou-lhe o aroma, um autêntico bouquet florido,

e, pelas bordas cirandou, deixando que a língua,

ávida de satisfazer o desejo,

por ali penetrasse sem que inicialmente,

aprovasse tal delícia de esquisito sabor,

pelas bordas espalhada,

penetrando então, fundo, orifício dentro,

até ao âmago onde, de um trago,

satisfez o prazer do vinho.


publicado por canetadapoesia às 21:35
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Declaração de interesse (2014-10-28)

 

Sabes avô? Gosto muito, muito de ti!

Assim repentina e de rompante,

deixa-nos envaidecidos mas logo imaginamos o que,

com tanto tacto e jeitinho virá de seguida sem dúvida.

Achas que podemos ir comer um gelado?

De morango que eu gosto!

Pois já tardava a justificação de tanto amor e carinho,

declarado em hora tão importante como aquela em que o avô,

recolhe cada uma das netas dos alvéolos que lhes destinam.

Uma ternura de carinho votado ao avô,

pela mais velha das netas, a sabichona,

que a mais nova ainda nem fala,

mas para lá caminha também,

com a escola toda e ainda mal se movem.


publicado por canetadapoesia às 21:10
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Deusa da bicicleta (2014-10-21)

 

De manhã sai de casa,

de bicicleta se aventura,

e pela cidade vai pedalando,

a deusa da bicicleta,

peça manhã,

que à tardinha,

quase a juntar-se à noite,

a deusa do pedal,

qual cinderela se transforma,

na deusa do desejo,

que na noite que se avizinha,

atormenta a libido,

desperta a imaginação e,

acompanha os sonhos,

que iluminam a noite,

e alimentam a solidão.


publicado por canetadapoesia às 22:39
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Piropo (2014-10-07)

 

A carne é fraca e nem sempre o desejo é célere,

mas o piropo que se afina,

com a facilidade com que os olhos fazem a descoberta,

não se engasga e solta-se,

vibra aos ouvidos e percorre o etéreo,

num segundo atinge os sentidos de quem dele precisa,

para se sentir a rainha do dia,

e quando chega, mesmo inesperado,

um sorriso tímido aflora aos lábios,

do alvo de tal manifestação.

“Vem comigo, vamos visitar o paraíso”.


publicado por canetadapoesia às 21:44
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Sol (2010)

 

Entrou pela janela,

iluminou o quarto,

foi-se espalhando,

esquadrinhou todos os metros quadrados,

finalmente repousou,

de frente,

aquecendo-me o rosto,

engrandecendo-me o dia.

Um calor matinal,

recebido directamente do rei sol.


publicado por canetadapoesia às 20:05
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Gaivota (2010)

 

Empoleirou-se no topo de um mastro.

A sagacidade do olhar pesquisou à volta,

semicerrou as pálpebras e afinou o olhar,

o mar ali, à distância de um bater de asas.

Alisou as penas, esticou as asas,

um leve bater, um aquecimento prévio,

dois estridentes gritos e uma queda no vazio.

A força da elevação leva-a às alturas,

pica o oceano, volta a subir,

três voltas depois retorna à posição inicial.

No seu mar, fonte de alimentação,

nada encontra para se sustentar,

vira-se para terra e lá ao longe vislumbra.

Descobre nova fonte de vida,

a lixeira humana vai passar a alimentá-la.


publicado por canetadapoesia às 18:47
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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Prazeres da carne (2011)

 

Um olhar semi-cerrado,

um morder de lábios encorajador,

uma tentação da carne feita mulher,

e um titubeante louco,

do prazer que ambos prometiam.

e no instante fatal,

ambos embrenhados na volúpia,

que não respeita códigos ou pareceres,

mas se delicia com prazeres que só a carne oferece.


publicado por canetadapoesia às 23:13
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Por trás da espera (2014-10-28)

 

Por trás do arbusto,

a espera faz-se até que,

incauta, a caça apareça.

Por trás da vida,

assim se processa a espera,

não pela incauta caça,

mas pela esperançosa vivência,

que se vai desfazendo,

em estranhas sensações,

nubladas pelo receio,

que esta espera representa.

A espera, que desespera e,

no entretanto,

nada mais que a espera,

que atormenta o espírito,

desta alma atormentada.


publicado por canetadapoesia às 19:46
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Sabes lá tu (2014-10-29)

 

Dizes-me com a certeza dos conhecedores,

e repetes com ênfase que sim,

que estamos em pleno mês,

aquele em que o Outono se reconhece,

e eu olho-te sem te desmentir,

e do meu rosto solta-se um sorriso,

singelo, feliz, gratificante.

Desse sorriso desprendem-se alegres,

os vários trinados de pássaros distintos e,

entre eles, algumas flores,

que aromatizam e coloram de arco-íris,

esta minha primavera.

Por mais que me demonstres,

que o teu conhecimento é grande e,

que até sabes quantas são,

quando começam e terminam,

as tuas estações do ano,

garanto-te que não as sigo,

as minhas são diferentes.

Sinto que hoje,

no teu consagrado Outono,

nasceu mais uma primavera,

a minha primavera e,

nem perguntes como,

não saberia explicar-te,

a não ser afiançar-te que,

no ar que hoje respiro,

há aromas primaveris,

daqueles que trazem promessas de verão,

há chilreio de aves que acredito,

serem de um paraíso que é meu,

por isso te digo que,

a primavera é quando um homem a sentir,

é quando quiser que ela seja,

é quando a merecer por querê-la.

Esta é a minha primavera,

mesmo que seja em pleno Outono.


publicado por canetadapoesia às 18:33
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