Domingo, 30 de Novembro de 2014

Se pudesse voar (2010)

 

Se eu pudesse voar,

se fosse uma gaivota,

o que eu veria por estas terras.

Na certeza de que o mar,

essa fonte inesgotável de prazer,

jamais deixaria de ser a minha terra.

Voaria livre,

observaria tudo,

mas ao mar,

voltaria sempre.


publicado por canetadapoesia às 21:14
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Fugi-te (2010)

 

Não estava preparado,

nem me encontrava receptivo.

Era um passo que,

nem nos melhores momentos imaginava.

E no entanto aconteceu.

De nada serviu fugir,

uma, duas vezes,

como diz o ditado,

à terceira foi de vez,

e foi.

Deixei-me ir ao sabor dos sabores teus,

uma, duas,

quantas vezes mais.

E tudo foi possível.

E tudo foi permitido.


publicado por canetadapoesia às 00:47
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Tagus (2010)

 

Hoje olhei-te de longe,

o brilho que reflectias,

ia muito para além da mera beleza.

Ondulavas lentamente,

uns laivos mais claros aqui,

esverdeados ali,

mas um esplendor irreal,

que se espalhava pela tua superfície,

espraiando-se por estas colinas que te contêm.

És o mais belo,

és o rio que banha Lisboa.


publicado por canetadapoesia às 00:40
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Rolar sobre o ventre (2010)

 

Ao primeiro sinal,

qual mola automática,

caíste em terra e rolaste sobre o ventre.

Nesse movimento,

por uns segundos,

descortinaste uma nesga de céu azul,

muito por cima de ti,

longe do coração dos homens,

e questionaste-te,

sobre a vida e a morte,

num local tão belo.


publicado por canetadapoesia às 00:35
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Acordar (2010)

 

Acordei, acho eu,

melhor fora continuar a dormir.

Fora do meu sono,

irrequieto, por vezes,

inquieto a grande parte das vezes,

nada é tão simples e confortável.

As notícias são más,

a vida pior.

a política nem se fala e,

a economia de arrasar.

Chega!

Deixem que durma e sonhe.


publicado por canetadapoesia às 23:02
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Sôfrego (2010)

 

Sinto-me impulsionado por algo que desconheço.

Sinto-me embevecido pelo que me viola a mente.

Sinto-me explosivo pelo que me afecta a alma.

Sinto-me mal,

sinto-me bem,

porque afinal são só palavras.

Palavras que quero juntar,

dar-lhe significado,

permitir-lhes ver a luz,

colocá-las à discussão.

Palavras que me enchem e preenchem,

palavras que me violam na virulência do seu sentido.

Palavras que quero escrever.


publicado por canetadapoesia às 22:27
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Nasceu um livro (2014-11-28)

 

Quando sai do prelo, ainda com o característico cheiro

do papel, das colas e das tintas que o compõem,

é uma satisfação tê-lo nas mãos, acariciá-lo.

Abre-se, aproxima-se o nariz e absorve-se,

desta inebriante sensação,

o odor do papel acabado de formatar,

correm-se umas folhas e o olhar ávido

de letras e palavras, percorrem as linhas,

humedecidos pelas águas que deles se soltam,

porque a alma as empurra, raiadas de sentimentos,

e, por vezes, pingando sobre as folhas,

amarrotando-as antecipadamente à idade.

Assisti hoje ao nascimento de um livro,

de poesia, claro, de uma poetiza, jovem,

 que para apreciar poesia não conta a idade,

mas conta a sensibilidade e aqui,

nesta sala, encontrei na autora,

tudo o que a poesia procura,

sentimentos e emoções prufundos.


publicado por canetadapoesia às 21:49
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Quero-te todos os dias (2014)

 

Não te quero hoje, não te quero só hoje,

quero-te todos os dias, horas seguidas,

quero-te a noite toda até o sol despontar,

e ainda que adormeça por ti embalado,

continuo a querer-te em sonhos,

e quando abrir os olhos, por momentos esparsos,

continuo a querer-te sem que nunca me canses.

Brilhas a meus olhos e enches-me o coração,

pelo enigma que és, pelo prazer que me dás,

e no teu brilho me revejo em sonhos sonhados,

em abraços que me aquecem as noites frias,

em momentos de êxtase e delírio,

em luz que me inunda a alma.

És a minha lua,

aquela que me ilumina nas noites mais escuras,

estás cheia, redonda e prenhe de presságios,

mas também cheia de mim, dos meus sonhos,

que se embalam em ti, lua cheia.


publicado por canetadapoesia às 23:25
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Invisíveis (2010)

 

Invisíveis grilhetas nos prendem os pés,

que as mãos têm de estar livres,

são necessárias para trabalhar,

ainda que a paga seja tão magra,

que já nem a tigela da sopa dos pobres,

nos seja mostrada como alimento.

 

Invisíveis são as grilhetas que aprisionam,

a alma de quem suporta tanta desgraça,

de quem quer e não pode atender,

aos mais ínfimos desejos e necessidades.

 

Invisíveis são as grilhetas que,

não se distinguindo a olho nu,

atormentam o espírito de cada um.

 

Quando se partem as grilhetas corre o rio que há em nós,

tumultuoso, insano, cego e descontrolado,

e nessas margens em que se espraia,

arrasta consigo os escolhos que a vida foi amontoando.


publicado por canetadapoesia às 19:54
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Ausência de ruído (2014-11-27)

 

Quando sinto a noite a aproximar-se,

anseio pelo silêncio que trás consigo,

mergulho nessa ausência do ruído,

que me distrai e incomoda,

deixo-me penetrar por esta noite,

que tudo acalma e tudo silencia.

Olho à volta e não vejo mais que,

um silêncio que me anima,

e na noite longa descrevo as sensações,

que a alma atravessa quando,

para além do ruído da escrita,

se inebria de nada mais sentir,

nada mais a obstruir,

nesta cruzada, que de palavras é feita,

e no silêncio se consubstancia.


publicado por canetadapoesia às 17:10
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