Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014

Do prazer (2012)

 

Em antecipação do prazer,

corre o fecho eclair, descobre a abertura onde,

com deleite e talvez um pouco da luxúria,

que o corpo lhe solicita,

introduz os dedos, corre-os de um a outro lado,

sente a maciez dos finos folículos, que nos dedos se lhe enrolam.

Escancara a abertura e introduz o nariz,

o órgão em que mais sente  o afrodisíaco odor,

extasiado, aproxima o instrumento e introdu-lo na abertura,

com os dedos enche-o e calca-o com a ternura da experiência,

que os rápidos e ágeis dedos possuem,

leva-o à boca e mordisca-o por momentos,

acende o fósforo e aspira o fogo que no interior da fornalha,

acende uma chama lenta mas poderosa.

Numa suave baforada expele o fumo,

que o prazer de tanta excitação lhe causou.

Estava, finalmente, a fumar do seu melhor cachimbo,

que volúpia, que prazer,

um autêntico orgasmo entre fumos e chupões.


publicado por canetadapoesia às 16:08
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Puro e duro (2012)

 

Parte da sua felicidade,

consistia em entregar-se-lhe,

pelos lábios que o desnorteavam,

aproximava-se dele,

estendia-lhe a boca,

sentia-o devorar-se num fogo lento,

pela aproximação dos seus lábios carnudos,

não lhes resistia e só a sua lembrança,

era o suficiente para o deixar em efervescência,

beijava-o loucamente,

pura paixão, puro desejo, puro e duro,

até à loucura final.


publicado por canetadapoesia às 00:30
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Abraço do sol (2012)

 

Preparou-se convenientemente,

atreveu-se até a vestir umas jeans,

justas ao corpo, apertadas.

Sentiu-as subir pelas pernas,

em êxtase, sentia o corpo,

respondia a um desejo que começava a envolvê-la,

ligeiros tremores que lhe despertavam a libido,

assolavam-lhe aquele corpo apertado entre justas costuras.

Preferiu o sol que na rua, ansioso, por ela esperava,

afinando os seus raios desejosos de o seu corpo envolverem.

Dá um passo, alcança a rua e estaca,

imobilizada pelo intenso brilho que do sol provinha,

põe os óculos, escuros, dá mais um passo,

e agora sim, recebe o calor que o astro rei lhe envia,

sente-o a envolvê-la num abraço quente,

arrojado o suficiente para a deixar excitada,

e sente que vai ser um dia esplendoroso.


publicado por canetadapoesia às 00:00
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Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Bate o vento (2012)

 

De frente, impiedoso,

bate-me o vento e fecha-me os olhos.

Não quero, não os posso ter fechados,

que estes olhos vêm o que não querem,

mas vêm o que devem ver.

Quero-os abertos,

Esbugalhados mesmo, se for o caso,

mesmo que o vento me bata de frente impiedoso,

porque estes olhos são o testemunho do que vejo e não quero ver,

mas são também o testemunho do que devem ver.

Para memória futura,

para memória presente,

para memória do que já é passado,

mas sempre como testemunho presente,

da indignidade humana que,

nos abate, amesquinha, diminui e volatiliza,

na vida que nos tiram.

Testemunhas vivas que não se podem fechar,

a vento nenhum que o queira.


publicado por canetadapoesia às 19:06
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Sábado, 27 de Dezembro de 2014

A musa (2011)

 

Pode ser qualquer coisa,

um objecto, uma situação,

talvez mesmo uma conversa,

ou, quem sabe, uma visão.

A musa, o princípio que despoleta o poema.

A mulher será sempre uma,

porque resiste à passagem do homem,

que dela fará continuamente,

o sonho do seu poema,

que lhe retira a essência da beleza,

que todo o seu ser possui.


publicado por canetadapoesia às 23:32
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Esplanada (2012)

 

Na mesa um café,

a acompanhá-lo a bolsa do tabaco,

e um imprescindível cachimbo se lhes junta.

Momentos de relaxe,

ali mesmo, no Chiado,

no largo onde a estátua do cauteleiro,

me trás à memória lembranças antanhas.

Momentos fugazes,

vidas consumidas,

o mundo passando diante dos olhos.

Lisboa em dia de sol,

turistas em profusão,

e eu, vendo passar a vida,

nesta cidade apressada,

mas com tempo, com espaço,

para ser amada e apreciada.


publicado por canetadapoesia às 23:24
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A guerra e a amizade (2011)

 

No meio do capinzal,

ali onde as armas falavam mais alto,

escondidos do mundo,

em lados opostos,

mas firmes nos princípios,

celebraram a amizade.

Nenhuma guerra,

por mais violenta e opressora,

podia estragar o momento do encontro,

de tão grandes amigos de infância.

Fez-se o abraço,

soluçou-se a saudade,

estreitaram-se os corações,

e a amizade voltou a ser selada.


publicado por canetadapoesia às 20:57
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

Não sou daqui, nem dali (2011)

 

Não posso dizer com propriedade,

que sou daqui, ou dali.

O que sei é que andei por aí,

nasci aqui, fui para ali,

vivi em ilhas, passei por continentes,

regressei aqui.

Vivi tempos de angústia, aventuras inesperadas, alegrias,

Mas também, tempos de cólera,

dias de fúria, ventos contrários.

Acabei regressado aqui.

Com o mesmo que levei na viagem.

Nada.

Ganhei conhecimento, alarguei horizontes,

conheci as diferenças.

Levei vontades, aproximei as distâncias,

misturei culturas.

Sobretudo cresci,

espiritual e civicamente,

aceitando um mundo,

em que, afinal, somos todos iguais.


publicado por canetadapoesia às 23:04
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O que me seduz (2014-12-26)

 

O que me seduz?

A vida.

Completa,

com altos e baixos,

com bons e maus momentos,

com prazeres e desprazeres.

A vida no seu todo.


publicado por canetadapoesia às 22:31
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Castelos no ar (2014-12-26)

 

Como exprimir este sentimento que me avassala?

Como sair desta ânsia de correr contra o tempo?

Como construir os meus castelos, sem a pedra necessária?

Não consigo descortinar meio,

só tenho o sonho de que o vou conseguir.

Olho o céu e o imenso azul,

dá-me a esperança,

dá-me a paz à alma inquieta.

Sossega-me o espírito,

vou conseguir.

Mas não sei ainda como lá chegar.


publicado por canetadapoesia às 21:07
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