Sábado, 31 de Janeiro de 2015

Choro do corpo (2014)

 

Na distancia segura que os separava,

sentado no muro ensolarado,

apetecia-se naquele corpo,

arredondado e cheio de frenesim,

mirava, remirava e voltava a olhar.

Não despregava os olhos,

daquela cintura fina,

cujo cinto mais estreitava,

e as gotas que da testa lhe deslizavam,

não eram mais que ansiedade,

desejo de aproximação,

choro de um corpo em ebulição.


publicado por canetadapoesia às 23:58
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E Deus criou a raça (2014)

 

E Deus criou a raça humana,

coloriu-a com matizes,

do celeste arco-íris,

concedeu-lhe o dom de pensar e decidir,

subdividiu-os em bons e maus,

contente apreciou a obra.

 

Verificou que entre eles,

não havia diferenças fundamentais,

confiando, pois, na sua superior capacidade,

na excelência da sua obra.

 

Eram humanos, de várias cores,

apesar de todos seguirem a serpente,

e gostarem da maçã que esta lhes ofereceu,

havia um pequeno problema,

não encontravam forma de se entenderem.


publicado por canetadapoesia às 23:34
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O desconhecido (2010)

 

Alinhados para o destino,

tendo a pele como única veste,

clinicamente analisados,

a uns bons metros de distância.

Doenças, se as havia?

Tinham desaparecido por milagre,

à entrada do pavilhão.

Ao sair,

um papel na mão e uma inscrição,

“Apto para todo o serviço”.


publicado por canetadapoesia às 22:14
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Pairam (2014)

 

Sob este céu azul e límpido,

pairam nuvens que se adensam,

anunciaram-se de um branco,

cujos imaculados princípios,

se foram esbatendo,

em bátegas da imensidão oceânica.

Escurecendo no dia a dia,

da impostura manchada da perfídia ignóbil,

das traições diáfanas em salões de mármore dançante.

“Anegram-se” na constância do “inrespeito” da vida humana,

que da dignidade vai perdendo a noção que já nem a atormenta.

Já se ouvem os estalinhos,

que de tão longe serem,

parecem um bater de palmas,

mas nem o rufar dos tambores,

desperta a amnésia dos tempos,

em que da lembrança fica a negritude,

dos dias e das noites sem outra cor que o avermelhado,

dos clarões ruidosos da intolerância.


publicado por canetadapoesia às 12:24
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Olhar furibundo (2012)

 

Olhas-me com a aspereza,

que só o teu olhar furibundo,

consegue em mim depositar temor.

E porquê? Porquê, pergunto-te.

E a resposta célere como um cometa,

arremetendo em minha direcção,

atinge-me e acocora-me de tristeza.

Não gosto de piropos!

E porque não se nem sequer te disse nada ofensivo?

Limitei-me a ser eu,

aquele que tem dentro de si a beleza e a poesia e que,

por vezes não consegue contê-la.

Transbordo do meu silencioso interior,

e desdobro-me em prazeres de olhares sorridentes,

no fundo, das minhas palavras nem se intui um piropo,

foi tão somente uma constatação.

E o que afirmei e constato de novo,

é que a beleza assenta em ti como a primavera nas andorinhas,

és bonita, limitei-me a confirmá-lo.


publicado por canetadapoesia às 00:30
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Nascer (2012)

 

E afinal para que nasci,

se não foi para ser feliz,

que ando aqui a fazer?

Que mais tenho de orquestrar,

se a música que me tocam,

aos ouvidos sensíveis,

já não soa como outrora!

Mas que ando aqui a fazer?

Se ao menos a felicidade,

compensasse o sofrimento,

destes dias tão cinzentos,

seria feliz, sim,

mas feliz serei até ao fim,

se o nascer significar ser feliz.


publicado por canetadapoesia às 00:28
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

Tantos se’s (2010)

 

Se vejo o mundo à minha maneira,

se o vejo com olhos interiores,

se o aprecio de forma diversa,

se não o vejo como outros o vêm,

se o faço por ter essa força interior que me impele a tal,

se sei que muitos outros o fazem melhor que eu,

se agrado a quem me lê ou

se não agrado a ninguém.

Se isso me importasse, há muito tinha desistido.

Se não se importam, continuo,

se se importam, basta não ler.


publicado por canetadapoesia às 00:48
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A água (2010)

 

Cai e continua a cair,

impiedosamente molhando,

incautos e distraídos,

a chuva,

essa água abençoada,

que enche barragens,

que irriga campos,

que nos tira a sede,

que cria vida.

A água que também afoga,

alaga e destrói tudo à sua passagem.


publicado por canetadapoesia às 00:32
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O meu povo (2010)

 

Este é o meu rebanho,

esta é a minha gente,

que se agiganta e cresce,

que luta e se defende,

e que no fundo é pacífica.

Este é o meu povo.


publicado por canetadapoesia às 00:27
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Futuros (2010)

 

O que vivemos e conhecemos!

O que viveremos é a incógnita.

E no entanto,

acreditamos em promissores futuros.


publicado por canetadapoesia às 00:23
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