Terça-feira, 31 de Março de 2015

Sim eu sei e tu também (2015-02-04)

 

Sei que sou branco,

sei que és negro,

sei tudo isso e sei mais,

sei que dentro de nós corre o líquido que,

mesmo que sejamos de cores diferentes,

não deixa de ser o mesmo que nos dá vida,

vermelho, quando derramado.

Mas o importante é que afinal,

somos iguais,

somos da mesma espécie,

humanos é o que somos.

E também te digo que entre nós,

essa diferença não existe,

porque uma palavra bem mais importante,

nos aproxima mais do que nos afasta,

escreve-se em minúsculas ou maiúsculas,

mas escreve-se com prazer, amizade.


publicado por canetadapoesia às 18:03
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Segunda-feira, 30 de Março de 2015

Senti-te no corpo (2014)

 

O fresco do teu calor,

quando mergulhei em ti,

envolveu meu corpo,

sufocado e atormentado,

senti-te no meu corpo,

soubeste aplacar-me,

com o translúcido olhar,

com que me acolheste em teus braços,

e na frescura do abraço,

com que te juntaste a mim,

aquietaste-me a alma,

ansiosa pelo encontro,

eras só água límpida,

transparente até ao fundo do teu ser,

e eu, deliciado, nadava, nadava,

com meu corpo imerso no teu.


publicado por canetadapoesia às 22:25
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Aglomeração (2014)

 

Mas que grande ajuntamento,

que aglomeração tão estranha,

muita gente à volta de uma mesa,

olhavam, trocavam sussurros,

voltavam a mirar o que estranho ali estava.

Não era um objecto qualquer,

uma vulgaridade palpável,

era mais um desenho, um gatafunho.

O que significava, o que era aquilo?

À sua volta girava a discussão,

adiantavam-se hipóteses,

criavam-se estrondosas teses que,

uns defendiam acaloradamente,

outros atacavam, cada vez em menor número.

Até que, um atrevimento, uma ousadia,

lançou luz sobre o assunto.

É um amontoado de letras, disse alguém,

e neste amontoado está uma palavra.

A palavra, que viria a ser,

a forma de melhor nos entendermos.


publicado por canetadapoesia às 21:32
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Por estas e por outras (2014)

 

Dizes tu e eu pergunto,

quais estas e como são as outras?

Sem resposta contínuo na ignorância,

daquilo que me possas ensinar,

de quanto me consigas esclarecer.

E por estas e por outras,

se desencadeiam os desenganos,

aumentam as filas da ignorância,

despertam antagonismos,

e nós, simples e humanos,

que não deveríamos errar tanto,

enganamo-nos, e erramos, mais e mais,

e o grave nisto tudo é que somos enganados,

por estes e por outros que aí venham.


publicado por canetadapoesia às 20:59
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Domingo, 29 de Março de 2015

O mirador (2013)

 

Várias vezes ali tinha passado,

nunca dei grande importância ao local,

mas um dia parei, olhei, apreciei.

Atrevi-me até a sentar sobre os vetustos azulejos,

apreciei a vista, nada de mais,

era um mirador térreo, ao nível da avenida que o contornava.

Para onde a vista se prolongava,

não via mais que a embocadura do rio,

que deu sonho aos sonhos e vento às velas.

Mas do fundo da alma via muito mais do que a vista alcançava.

Via mundos por descobrir,

via terras distantes,

via especiarias e ouro,

e via passar os navios que,

de velas enfunadas se faziam à fúria do mar para os alcançar.

Daquele mirador térreo da embocadura do rio,

pelo fundo da minha alma conseguia ver o mundo sem o ver.


publicado por canetadapoesia às 23:13
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Sábado, 28 de Março de 2015

Empinados (2012)

 

No arredondado escuro dos teus mamilos,

se derretia o sol com deleite,

aquecia-te os seios e amaciava-te a pele,

e quando na água fria entravas,

apreciava com volúpia,

o retesar dos músculos do teu corpo,

da flacidez da insistência solar.

Emergia das águas frias um corpo diferente,

mas de mulher, sem dúvida,

ou não estariam os mamilos agora,

apontados despudoradamente ao sol.


publicado por canetadapoesia às 22:27
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Porque hoje era o dia (2015)

 

Porque hoje era o dia,

teimei em me manter quente,

embrulhado em cobertores,

edredões e outros que tal,

que se não aquecem a alma,

mantêm o corpo aconchegado.

Lá fora,

grossas bátegas de água caídas do céu,

açoitavam janelas, tremiam as árvores e o céu,

escurecido pela tormenta, não deixava o coração bater,

ao sabor de raios de sol que da alma afastam tristezas.

Resoluto me levantei,

porque hoje era o dia,

e indiferente ao tempo e à borrasca me preparei,

para calcorrear os caminhos do encontro.

E porque o dia era triste,

refiz-me de esperanças,

lavado e perfumado,

com uma alegria no bolso,

fiz-me à estrada e lá fui,

porque hoje era o dia.

Se não fosse nem enfrentasse o tempo,

que nos separa,

que nos afasta sem saber,

que pretende criar a ilusão de uma prisão,

em que a saída me seja impedida,

avolumaria a tristeza que me assoma,

porque hoje era o dia,

porque tinha que ir,

pois hoje,

era o dia de ter nos braços tão amados seres,

duas pérolas raras,

duas princesas.


publicado por canetadapoesia às 19:50
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Amar eu amo (2013)

 

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser à minha maneira,

sem muros ou barreiras,

que impeçam que me entregue,

por inteiro e sem reservas.

 

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser um amor louco,

perdido nos arremedos,

varrido pela paixão que,

da loucura extravasa.

 

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser em êxtase,

absorvidos sob a paixão endoidecida,

de uma única frase, “fazes-me tudo”.

 

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser até ao fim.


publicado por canetadapoesia às 22:05
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No seu mundo (2012)

 

Dentro do seu mundo interior em ebulição,

controlava todos os seus anseios, as suas desilusões,

não chorava, mas fervia.

Nada transparecia do que lhe ia no íntimo,

mas mantinha o lume aceso,

e esperava,

que por um acaso da vida,

a oportunidade lhe surgisse,

vinda sabe-se lá de onde,

mas uma oportunidade,

uma só,

bastaria para que a explosão se desse,

e desse vulcão se soltasse,

a tão ansiada libertação.


publicado por canetadapoesia às 21:15
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Língua (2014)

 

As capacidades que ela tem são inúmeras,

nem eu as consigo enumerar,

pois esta língua consegue superar-se e,

melhor ainda, supera-me a mim próprio.

É vê-la, a distender-se, a enrolar-se,

em sucessivas acrobacias,

saindo boca fora ou encolhendo-se,

aquietando-se ou buscando recônditos inesperados.

Estica-se e prolonga-se para alcances quase inatingíveis,

enrosca-se e enrola-se ao redor de qualquer doçura,

em profundidade até me surpreende,

penetra fundo, alonga-se e lambuza-se,

não há cremosidade que lhe escape,

e como ela gosta!

Adora envolver-se, penetrar e lamber,

mantendo as pupilas gustativas,

em permanente e deliciosa actividade.

Haverá quem não goste?

Há vários tipos, é certo,

mas quando são cremosas e estão quentinhas,

vê-se o creme a derreter e,

não há língua que resista e vai-se a ele,

em profundas lambidelas, besunta-se, degusta,

sente o agridoce que se lhe derrete na boca,

ainda lambe os beiços com tal delícia,

nada como uma bola de Berlim, cremosa e quentinha.


publicado por canetadapoesia às 00:09
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