Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Acordei-me a pensar em ti (2014)

 

Abri os olhos e senti que mesmo ali à minha frente,

estavam os teus imensos olhos,

e sorriam enchendo-me a alma.

O teu rosto era o sol,

iluminava o meu inicio de dia,

tal era o brilho que ainda que ali não estivesses,

estavas presente, olhando-me e sorrindo.

E eu sorri do prazer de sentir,

que me sorrias também,

ainda que ali não estivesses,

mas o coração dizia-me que sim,

e a alma sentia-te tão perto.


publicado por canetadapoesia às 22:05
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Se o tempo voltasse atrás (2014)

 

Ah! Se ele recuasse, no tempo que passou,

como seriam diferentes as coisas,

depois de por ela passarmos,

e com elas aprendermos o que o tempo ensinou.

Quantas diferenças haveria,

se o tempo recuasse no tempo,

e com ele caminhássemos de novo,

e quantas injustiças se evitariam,

e quantas melhorias se aproveitariam,

mas o tempo não recua,

e quando o faz, é forçado, empurrado,

pela brutalidade da intolerância que gerou no seu ventre,

e que confinada e contida em demasia,

aumentada exponencialmente pelo rugir do tempo,

derruba os muros que o tempo vai criando,

desagua pelas ruas e campos, enche as praças,

e num piscar de olhos do tempo,

transforma-se em barbárie infinita.


publicado por canetadapoesia às 20:45
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A falha (2013)

 

O botão foi pressionado,

nada aconteceu,

falhou, não funcionou.

Impávido e sereno,

afasta as mãos do teclado,

olha atónito o ecrã,

recosta-se na cadeira e espera,

não tem solução.

Não sabe como resolver,

não consegue responder,

nem sequer tenta pensar como,

porque a culpa é do computador,

simplesmente não sabe o que fazer.

Tudo porque o botão falhou,

o “enter” não executou e,

o ecrã não devolveu a informação.

Está aparvalhadamente ignorante.


publicado por canetadapoesia às 00:05
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Quarta-feira, 25 de Março de 2015

Candeeiro (2012)

 

No lusco-fusco da rua,

só uma testemunha presente,

o candeeiro de ténue luz,

que acendia e apagava,

qual piscar de olhos discreto,

ao desenrolar dos abraços e beijos,

encostos e afagações,

que a seus pés se prolongavam.


publicado por canetadapoesia às 21:36
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Acredito (2013)

 

Acredito que sou livre de falar,

então falarei,

porque se não quiserem ouvir-me,

se não quiserem escutar os meus gritos,

têm de tapar os ouvidos,

caso contrário ouvirão o que tenho para dizer,

e é muito o que me apetece gritar.

Tenho a língua presa de palavras que nem consigo exprimir,

mas falarei,

porque o meu peito se enche delas e se não as trago para fora,

corro o risco de explodir; mas falarei.

Porque me sinto livre de o fazer,

e sempre que o fizer,

sempre que expulsar de mim as palavras presas,

estarei a sentir-me mais livre,

sendo livre como me sinto, nada me impede de falar.


publicado por canetadapoesia às 16:05
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Hoje não (2014)

 

Que não posso,

não estou concentrado,

e nesta minha desvinculação,

com a realidade que me queres dar,

estou longe, muito longe,

por isso,

hoje não, que não estou em condições,

de responder cabalmente,

às exigências que de mim esperas,

e eu, que não quero hoje,

porque não quero desapontar-te,

fico-me pelo olhar,

e vejo-te como se o quisesse hoje,

mas não pode ser,

porque hoje,

não quero desapontar-te.


publicado por canetadapoesia às 23:22
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A320 (2015-03-24)

 

Visto de cima, longe da terra,

ali se encontravam, destroçados,

espalhados pelas vertentes abruptas,

a meio da paisagem bruta da montanha.

Apanhados no destruir de tantas vidas,

que a máquina não curou proteger,

e dos céus caíram sem apoios, sem protecção,

espojando-se na terra que os irá cobrir.

Tantas vidas, várias nacionalidades,

e as crianças Senhor, que não foram poupadas,

ali ficaram numa irreparável perda,

que o mundo certamente lamentará,

pelos futuros que agora foram ceifados.

Paz à sua alma que o céu os receba,

aqui na terra ficarão os corpos que,

inopinada e brutalmente sobre ela se abateram.


publicado por canetadapoesia às 21:11
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Na loucura das tuas loucuras (2011)

 

É assim que te quero, viva,

na loucura das tuas loucuras,

e que venhas como estás,

nua, das vestes mundanas,

nua da alma grande que te habita,

vem nua, e despe-me,

com esses olhos açambarcadores,

com essas mãos ávidas do que esperas encontrar,

vem assim mesmo,

sem máscaras ou outras coisas,

que te escondam o rosto,

que te cubram o corpo,

vem e enlouquece-me,

que eu farei o mesmo,

e dessa loucura, talvez,

venha a sanidade do mundo.


publicado por canetadapoesia às 23:04
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Triste cara (2012)

 

Passei por ti sem te ver,

procurei-te no local habitual,

não te encontrei.

Estavas no pátio e sofreste por não te falar.

Puseste aquela cara,

triste e ao mesmo tempo zangada.

Voltei atrás e encontrei-te,

e de repente o mundo mudou,

atiraste-te a mim,

abraçaste-me e no meu colo te encolheste,

mas o abraço apertado não se desfez,

demorou tanto quanto a sensação de sentir o calor,

que do teu pequeno coração veio inundar o meu,

e eu, mantenho-o ao pescoço pendurado.


publicado por canetadapoesia às 20:50
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Uivante (2015-02-04)

 

Presta atenção, ouvido alerta, olhos abertos,

escuta o som que aqui passa, uivante,

que ruge e vai assobiando diante de nós, o vento.

Vem do norte, não, vem de oeste,

ou talvez não, vem de todos os pontos cardeais,

mas vai uivando em assobios estridentes,

com força e violência descabida,

e ruge-nos à sua passagem,

arrepia-nos nesta onda de frio,

que dos pólos é empurrada.

Sentimo-lo penetrar nos mais pequenos orifícios,

e rasgar e esgaçar, ameaçador e briguento.

tudo enregela e, violentamente,

dos grandes faz pequenos,

entrando em nossa alma, fazendo mossa,

porque esfria e nem deixa,

que ela aqueça o coração.


publicado por canetadapoesia às 13:42
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