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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

24
Abr15

Uma bola (2010)


canetadapoesia



Quantos somos?

Não muitos, creio.

Mas isto é cultura,

é conhecimento,

é desenvolvimento.

Pois é, pode até ser tudo isso

que debitas boca fora,

mas uma coisa garanto que não é,

uma bola, redonda,

na qual se desvanecem todas as preocupações humanas,

sobre a qual recaem todas as atenções do homem,

com ela tudo aparece, com ela tudo desaparece.

Uma bola como o mundo, a quem ninguém dá atenção.

24
Abr15

Livre e selvagem (2015-04-24)


canetadapoesia



Ah! Se ele gostava de sentir o vento,

sempre adorou a doce sensação de o sentir,

resvalar-lhe pela cara,

levantar-lhe os cabelos e, no fundo,

dar-lhe uma sensação de vida selvagem,

sempre ao seu sabor, sem eira nem beira, só o vento.

Agora que o tempo passou à velocidade do vento,

mal deu por ele e no entanto ali estava,

conseguira finalmente o seu carro descapotável,

um velhinho Porsche, ainda cheio de força,

rugidor quanto bastasse e sobretudo, sem tecto fixo,

estava na altura de fazer o teste,

soltar a macaca e deixar que a força do vento,

lhe levantasse os cabelos e por ele entrasse,

a sensação da liberdade que tanto procurara.

Finalmente, os seus restantes quatro fios de cabelos brancos,

correriam soltos ao vento, esvoaçantes,

no velho automóvel descapotável,

sentia-se livre, sentia-se mesmo selvagem,

e andava à solta pelos caminhos da cidade.

23
Abr15

Quero ter o direito (2015-04-22)


canetadapoesia



Vergastas-me o pensamento,

castras-me as ideias,

e eu,

só quero ter o direito

de pensar diferente.

Não me venhas pois

com imposições insanas,

porque eu quero voar,

quero sonhar,

e nas asas deste querer,

não desisto de tentar

pensar por mim, para mim,

mesmo que seja contra o mundo.

Quero ter esse direito.

22
Abr15

Filhos de várias madrugadas (2015-04-22)


canetadapoesia



Consubstanciam-se em horas sem sono,

insónias que ajudam a criar e construir,

noites infinitas,

madrugadas proveitosas ou não,

com a única companhia do silêncio que a noite nos traz.

Nascem e espalham-se,

perdemos-lhe o rasto,

vão por esse mundo sem que nada os impeça, mas,

no momento em que os apresentamos à sociedade,

no instante em vemos alguém neles pegar,

desfolhar as páginas da emoção,

emitir um sorriso de satisfação,

ainda que seja só um,

ainda que seja o único exemplar,

é o nosso filho, que pusemos no mundo para o alegrar,

de tristezas tantas e alegrias poucas,

é o filho de várias madrugadas.

22
Abr15

Democracia corporal (2015-04-22)


canetadapoesia



Não, eu juro que não era eu que estava a olhar.

Pois bem vê, o meu corpo é composto de vários órgãos.

Em todos eles há uma autonomia estabelecida,

só em último caso reportam ao poder central, o cérebro.

Portanto não era eu que olhava esse lindo rosto, não.

Os olhos sim, esse órgão que só se deleita com a beleza,

nem precisa de autorização do cérebro,

vai logo piscando para tudo que lhe ilumina a retina,

e lhe enche as pupilas de uma auréola boreal psicadélica.

O cérebro, esse comandante de toda a hoste,

limita-se a segui-los,

dando ordens a outros órgãos para o fazerem também,

quando é caso disso, bem entendido.

22
Abr15

Bater de asas (2012)


canetadapoesia



A clareira tomada e limpa,

o dispositivo de segurança accionado,

montado ao seu redor em alargado círculo.

Ao longe já se ouvia o sincopado bater das suas pás,

contra o céu azul, sobre a terra avermelhada.

Ensurdecedores na aproximação, aterradores quando,

dispostos em “V”, se propunham o ataque,

movimentando fogo grosso das suas entranhas.

Entre prós e contras, sem distinção,

corpos agrupados e gemidos irmanados,

não importava a farda que vestiam, simples baixas da contenda,

manchavam o chão de terra pisado entre o capinzal,

com o vermelho do seu sangue, todo vermelho,

irmãos na desgraça a ser evacuados,

somente homens estilhaçados, atingidos pelo mesmo infortúnio,

balas de um e outro lado, pedaços de chumbo,

que não escolhem fardas, não escolhem credos nem cores.

Homens.

21
Abr15

Quero distância (2012)


canetadapoesia



Risquei-te,

não com um lápis qualquer,

mas com o do coração.

Não te canto mais loas,

nem quero contigo,

ter os sonhos que me destroem a noite,

quero distância,

quero esquecimento,

pelo menos tanto como o que puder obter.

20
Abr15

Voar em pensamento (2014)


canetadapoesia



Não tenho asas, logo não sou uma ave e nem voo,

apesar de haver aves que não voam,

mas eu, nem ave sou, mas tanto que gostava de voar.

Vai daí deixei-me estar quietinho no meu canto,

que só assim os neurónios funcionam melhor,

e pus-me a pensar!

Como haveria de o fazer?

Se eu gostava tanto de voar, como consegui-lo?

E não é que no cantinho obtive a resposta?

Nada mais simples.

Pôr o coco a funcionar, largar as amarras do pensamento,

ao vento, que ele ajuda e empurra, e voar!

Voar com o pensamento, sem restrições,

porque com ele não precisamos de passaporte,

nem sequer bilhete de avião, ou outro transporte qualquer.

Voar, voar livre nas asas do vento, pensamento ao alto,

libertar, libertando-me e assim voar.

E de repente senti-me elevar no etéreo voando,

por longínquas paragens, vendo as mais belas paisagens,

sobretudo, voando em pensamento.

20
Abr15

Quando a noite se prolonga (2015-04-20)


canetadapoesia

 

Não sei qual é o feitiço,

se existe sequer algum,

mas a noite, a noite trás de tudo,

desde logo o manto de silêncio,

que nos cai em cima e,

dele surge o feitiço da lua, ou da noite sem ela.

Cresce em nós a solidão do dia adormecido,

na noite fria de um inverno que ainda só é Outono.

E sós, no silêncio,

ouvimos o que a vida nos tem para contar e,

nem sempre tivemos tempo para ouvir,

ouvimos a vida, que passou e nos espreita,

num futuro sempre adiado,

ouvimos as coisas que nunca ouvimos,

porque não estávamos atentos,

ouvimos a noite que nos cobre.

17
Abr15

Gotas de orvalho (2015-04-17)


canetadapoesia

 

Porque assim te vejo, serena,

dormitando no balanço que te embala,

olhos mortiços, pálpebras a cerrar-se,

um semblante de anjo na face exposto.

Adormeces à minha frente,

sorriu para ti, mas já não vês,

emociono-me só de ali estar.

Olhando o teu sono inocente,

verto a felicidade,

na forma de duas gotas do orvalho,

que me vai cobrindo os olhos e,

sobre uma Margarida são derramados.

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