Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

Em movimento (2014-10-27)



Em frente, virar à esquerda,

virar à direita, sem parar,

sempre a rodar e,

sem a mínima compaixão,

sempre a impedir,

que o previdente peão,

pusesse o pezinho na passadeira.

Até que o mais afoito,

atrevendo-se à aventura,

avança o pé, dá um passo em frente,

e foi o caos,

um chiar de pneus,

uns riscos de borracha,

quente e derretida sulca agora,

o branco traçado da passadeira.

O peão? Nem olhou.

Atravessou e seguiu o seu caminho,

por onde não deviam andar automóveis.


publicado por canetadapoesia às 21:28
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

Minúsculo (2014-10-20)



Era tão pequeno,

tão minúsculo,

que só lá cabia parte,

a outra metade,

que lá não cabia,

ficava do lado de fora,

olhando para a pequenez,

que de tão minúscula,

lhe não permitia a entrada,

e assim, tão pequena dimensão,

dividia em duas partes,

uma alma que deveria ser,

única e indivisível,

ainda que confinada,

a um espaço tão minúsculo.


publicado por canetadapoesia às 22:14
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Contracto de amizade (2015-05-09)



Faço este contracto contigo,

de ora em diante vale a amizade e,

mesmo que outras coisas se atravessem,

faremos sempre prevalecer a primeira.

Porque a amizade não se coaduna

com qualquer outra situação,

está acima de tudo e apesar de tudo.

Vale o contracto para o que é importante,

não tem valor para pequenas questões,

que nada acrescentam ao nosso bem estar.

Quero que o seu valor ultrapasse tudo o que imaginamos,

que se repita e reproduza muito para além

deste pequeno e pessoal contracto e que viva,

por tanto tempo quanto vivermos.

Este é o nosso contracto, este é o nosso pacto,

não de sangue, mas de amizade.


publicado por canetadapoesia às 20:33
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O sol não se pôs a oriente (2014)



Porque a noite é dia,

e o dia é noite,

não se põe o sol a oriente.

Acende-se o céu,

rompem furiosos relâmpagos,

estrondos ensurdecedores,

não há buracos que os escondam,

e enquanto os túneis são destruídos,

sofrem as gentes que povoam as margens,

da insanidade humana,

da guerra estúpida que se alarga,

que estende os braços à morte de inocentes.

E por isso,

o sol não se põe a oriente,

porque a noite está iluminada,

pela ignorância humana.


publicado por canetadapoesia às 17:28
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2015

Encavalitadas (2015-02-06)



Quando as palavras se encavalitam,

não há nada a fazer, não adianta,

mesmo em tentativas sucessivas,

não dá, não sai nada,

porque as palavras,

gostam de se encavalitar e,

em vez de produzirem novas,

agrupadas em frases sonantes,

ou poéticas, porque não?

Mas deixam-se estar,

simplesmente encavalitadas,

como se gozassem o momento,

e nesse preciso encavalitar,

desnorteiam o poeta,

destrambelham-lhe as ideias

e acabam por deixá-lo também,

com vontade de se encavalitar.


publicado por canetadapoesia às 00:05
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Terça-feira, 28 de Julho de 2015

Não, não és Deus (2015-06-17)



Mesmo gritando aos quatro ventos,

tentando convencer os incrédulos

ou ganhando notoriedade,

pela vulgaridade do absurdo,

eu sou Deus”,

e não és, nem nunca serás,

porque Deus, o que eu conheço pelo menos,

não se insinua por frases loucas,

por interesses mesquinhos, defeitos humanos,

como a vaidade de ser conhecido,

ou o dinheiro que se busca

aa qualquer preço, ainda que o fosses,

embora só tu o reconheças,

também te digo mais,

Deus, o que eu conheço, pelo menois,

está em tpodas as coisas, anda por todo o lado,

actua em todas as frentes, boas e más,

e nesse afã até produz alguns milagres,

que não são a multiplicação dos euros.

Mais, pelo que Dele conheço,

nunca o vi explorar os mais crédulos,

nunca o senti forçar os mais fracos,

nem mesmo obrigar seja quem for,

a julgar que és Deus,

porque achas que és forte o suficiente

para contrariar os seus desígnios.

Não, não és Deus,

por muito que possas aqui na terra,

não és, nunca serás como Ele.


publicado por canetadapoesia às 11:59
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

Margarida, uma flor (2015-07-19)



Com esta distância que nos separa,

sinto a violência do sentir de não vos sentir,

mais perto pelo menos, mais junto ao coração,

saber, como se sabe, se conseguimos,

com esta distância, saber.

Ter notícias de que estão bem, as minhas princesas,

é meio caminho para o meu próprio sentir,

de bem comigo, de bem com o mundo.

O que me preocupa então nesta distância,

em que oceanos dão lugar a oceanos,

países se substituem numa geografia,

quase coreografada em mapas intermináveis,

a Margarida, a flor princesa do meu jardim,

há muito plantado, sempre regado,

com o carinho e amor das pessoas que se amam.

Está pintada a minha flor, de bolinhas vermelhas,

o corpo se encheu e longe estou eu,

que não posso estar com ela, como fiz com a mana,

e se não aplacaria de imediato tamanha pintura,

de certo guardaria em mim o momento,

um calor no coração, um sorriso na emoção,

e num abraço apertado, encontrada a solução.


publicado por canetadapoesia às 23:57
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Domingo, 26 de Julho de 2015

Horizonte (2014)



Apesar do cinzento do dia,

lá fora,

o que eu via pela janela,

era o voo desgarrado,

de uma gaivota solitária.

Por trás,

num horizonte indistinto,

brilhava um sol aqui desconhecido.


publicado por canetadapoesia às 23:18
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Olhar o mundo (2014-11-29)



Olhar o mundo de forma diferente,

enfrentar os seus temores,

vê-lo com olhos de ver.

Afinal é só um mundo!


publicado por canetadapoesia às 21:51
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2015

Estrelas (2014)



Vejo pontinhos luminosos,

na abóbada escura que me envolve,

e numa curiosidade infantil,

procuro acercar-me do seu significado.

Olho, miro e remiro,

concentro a atenção e foco o alcance,

descubro que os imensos pontos de luz,

são uma enormidade de astros,

e alguns tão brilhantes que projectam a sua áurea,

a biliões de quilómetros de distância.

São estrelas, planetas diversos,

e entre sóis e o brilho das estrelas,

circula o sonho de quem olha o céu,

escuro na noite e pontilhado de milhões de luzinhas.


publicado por canetadapoesia às 22:12
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