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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

10
Ago15

O amanhâ (2015-07-20)


canetadapoesia

 

Olho o mar!
Nestas ondas que se elevam,
revejo sonhos,
de um futuro
que há muito se tornou passado.
Dele nada restará,
quando o amanhã chegar.

08
Ago15

Privilégio de ser e ouvir (2015-07-19)


canetadapoesia

Homenagem ao primo Profeto, que na Galiza montanhosa faz da vida uma paixão.

 

 

Desse entaramelar de palavras,
algumas agarro, puxo-as e
até as prendo ao coração, outras,
não as entendo, desconheço-as,
apesar de tudo julgo sempre que
querem significar algo da vida,
momentos importantes que o coração te guarda
e que na alma te permanecem.
Saem-te quando te sentes bem,
quando produzi-las te dá satisfação,
e eu ouço-tas com carinho,
porque se nada me dizem, a ti,
contam por uma vida,
e eu ouço-te com a devoção
de quem bebe pela taça da vida,
de uma vida cheia e rica de momentos
que tenho o privilégio de ser,
um ouvinte atento e venerando,
dessa vida que agora culmina
com os teus noventa anos de momentos,
certamente inesquecíveis e inolvidáveis.
E eu ouço e vejo em teus olhos,
a satisfação de ter um ouvinte,
de aventuras mil e agruras outras tantas,
venero essa imensa idade que, até mim,
trás a história de um homem, a história do mundo,
a sabedoria de antanho, ainda que,
mal compreenda algumas destas palavras.

 

08
Ago15

A beleza do imenso (2015-07-20)


canetadapoesia

 

Porque a beleza do imenso,
infinita e ímpar,
nos abriga no seio desnudo de uma onda que se eleva,
perdêmo-nos na profundidade do olhar
e para lá do horizonte,
apontamos a imaginação,
criadora de mundos,
desenhadora de futuros,
fomentadora de todas as esperanças
que o presente, teimosamente,
e em sucessivas vagas,
com a veemência dos néscios,
se permite negar-nos.

07
Ago15

Ler devagar (2014)


canetadapoesia

 

Ao fundo, um pequeno bar,
servem-se bebidas de várias espécies,
até lá se chegar, caminhamos entre estantes,
ladeados por palavras mil,
livros e mais livros,
corredores deles, lado a lado ou empilhados,
em colunas que se amparam umas às outras,
em precários equilíbrios.
Para o alto, não se via o céu,
mas na imensurável altura das paredes,
viam-se mais livros, só livros,
do térreo chão, ao alto do tecto que nos tapava o azul.
Letras e palavras amontoadas,
embaladas e encapadas, a baço ou brilhante,
mas ricamente compostas, num mundo de livros,
onde até se podia ler devagar.

06
Ago15

Põe-se o sol (2014)


canetadapoesia

 

Põe-se o sol,
adormece o dia,
e a noite acorda,
lenta mas serenamente,
sem sobressaltos,
despertando adormecidos sentidos,
sem pejo, sem nojo,
urgentes na necessidade,
de a noite iluminar e,
com ela os cânticos do amor.

05
Ago15

Longe e assim tão perto (2014)


canetadapoesia

 

Perto ou longe, em que bitola se medem?
Depende, o que para uns será, não terá,
para outros o mesmo significado.
Estou longe, mesmo muito longe,
andei muitos quilómetros para aqui chegar,
e no entanto, sinto-me tão perto,
tão perto que do longe fraquejo a distância,
e neste encurtar de lonjuras,
resta somente a saudade.
E que saudade suporta a lonjura,
que seja distante, ou mesmo a que está mais perto?
O que importa é encurtar,
não a distância, essa lonjura qie nos separa,
mas a saudade que, por muito próxima,
é sempre uma distância de lonjura tremenda.

05
Ago15

Permutam-se (2014)


canetadapoesia

 

Em consonância se trocam,
permutam-se,
de várias formas,
em momentos variados,
com intensidades,
que só a chama,
“que arde sem se ver”,
mas queima e sente-se
visível nas almas atordoadas,
impõe aos amantes da permuta.
Quando a exercem,
e se pressionam em prolongamentos,
que se cruzam com sensações outras,
a permuta permite que entre dois seres,
se efectue a troca das emoções que a alma exige
a quem pelo corpo as quer demonstrar,
os lábios são o veículo de excelência,
e com um beijo a selam.

04
Ago15

E então… (2014)


canetadapoesia

 

Resolve-te, sim ou não, decide o que pretendes,
se o pecado te pesa na consciência,
saímos, da mesma forma que entrámos,
dele nem se falará, não tem história,
não existe nem nunca existirá,
porque a desistência, agora,
tudo condiciona a partir daqui.
Mas, se porventura porfiares,
se o pecado potencial te levar a insistir,
transformaremos a maçã em fruto do paraíso,
para lá, ansiosos e libertos da pressão,
com que a consciência teima em presentear-nos,
caminharemos, suados mas leves,
sobretudo livres do constrangimento,
que nos consome mas nos consolará.
Seres iguais de vertente diferente,
santos e pecadores de almas aprisionadas,
em corpos que se querem libertar,
pelo pecado que, com eles,
pretendem cometer e atingir o paraíso terreno.

03
Ago15

Cá de cima (2014)


canetadapoesia

 

Daqui vos olho,
cá de cima,
perto do céu,
infinito até onde a vista alcança,
azul, tanto azul, pontilhado de branco,
de tal forma que me sinto nas nuvens.
E daqui, destas nuvens brancas,
que me seguem desde Zagreb,
vos contemplo e vos saúdo,
envio um abraço, caloroso,
apertado e quente o bastante,
junto vai também,
a minha eterna amizade.

03
Ago15

O nosso mundo e o dos outros (2014)


canetadapoesia

 

Olhamos para ele, cinzento e ameaçador,
nos olhos de quem vê de fora,
o nosso mundo é pequenino,
achamos sempre que há melhores,
outros mundos maiores e mais iluminados.
Aos nossos olhos, o mundo dos outros,
é sempre mais brilhante,
um mundo mais apetecível,
para quem o tem, um mundo melhor.
Aos olhos dos outros,
o nosso mundo é igual,
ao que pensamos ser o dos outros e,
afinal, tudo uma questão de perspectiva,
uma questão de olhos e de olhar,
da forma como se olha e até,
da posição em que se encontra.
Mundos diferentes e iguais,
Cheios de surpresas, umas guerras,
e de quando em vez, alegrias também,
mas na sua essência, iguais.

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