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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

08
Set15

Cinzentão (2013)


canetadapoesia

 



O amanhecer cinzento,

tapa-nos a cobertura do sol,

envolve-nos em melancolia,

retira-nos o optimismo.

E tal como o país,

acabrunha-nos ainda mais.

08
Set15

Com mel e fel (2013)


canetadapoesia

 



Por um punhado de felicidade se mergulha na vida,

Muitas vezes madrasta, ingrata outras vezes,

Mas a vida é isso mesmo,

Com mel e fel, alegrias e tristezas,

Sempre em busca da felicidade.

06
Set15

Sentir o sopro (2015-08-02)


canetadapoesia

 

De vez em quando apertava,
soprava e ia inchando,
as veias sobressaíam,
de repente, soprava de novo
e esvaziava até à normalidade.
São vinte e quatro horas,
nada mais que isso,
o suficiente para se ter a noção,
para se saber com alguma certeza,
que tudo estaria normal.
Entre sopros e enchimentos,
esvaziamentos e inchaços,
lá ia medindo neste braço seleccionado,
a pressão arterial que um coração devia suportar
para se manter saudável e,
porque não, também,
cheio de amor e carinho
por todos os que o rodeiam.

05
Set15

Sonho verde (2015-09-02)


canetadapoesia

 

Era verde o tapete que pisava,
a erva ainda molhada pelo orvalho que a noite lá deixara,
no céu azul que me cobria, esparças nuvens brancas esvoaçavam
e no paraíso onde me encontrava não havia tristeza
e a dor não tinha espaço guardado.
Se quando o “homem sonha, o mundo pula e avança”,
este era um salto de gigante,
um pulo digno de grande atleta,
mas a realidade que nos cerca,
essa máscara de sonhos sonhados,
como todas as máscaras, cai.
Nessa troante queda arrasta consigo o sonho
e acorda-me estrepidosamente.
O paraíso dos sonhos esfuma-se,
a realidade sobrepõe-se e desperta-ma,
o verde dá lugar ao deserto
e as nuvens tornam-se escuras.
Finalmente, acordado para o mundo.

04
Set15

A praia das crianças (2015-07-27)


canetadapoesia

 

Ao fundo o bruá constante das ondas,
orlando de branco o fim da areia,
onde esta se encontra com o mar
e as ondas nio seu imparável movimento,
buscam descanso na explosão final,
espalhando-se sobre ela,
num acasalamento final,
espavoridas num estertor de prazeres,
inconfessáveis, vistos de longe.
Na areia plana da maré baixa,
charcos de água aquecem ao sol
de um verão que se transforma em fornalha,
chapeando neles, uma miríade de crianças,
indiferentes ao mundo, longe das crises, só crianças,
que enchem o ar da praia dos saborosos gritinhos
emitidos na alegria da brincadeira própria da idade.
Entusiasmado com o milagre da vida,
revejo-as inocentes no seu brincar,
sem grandes aparatos, sem exageros electrónicos,
só crianças felizes com o pouco que a natureza lhes oferece,
o mar ondulado de espuma, uma infinidade de areia e
uns charcos de água já aquecida pelo astro rei,
e na praia imensa depositam, sonhos de criança,
ainda tão afastadas da realidade
de um mundo que as há-de transformar.

03
Set15

O uivo na garganta (2015-08-08)


canetadapoesia

 

Olhando para cima,
pescoço esticado e cabeça levantada,
deslumbrado,
com a aproximação,
com a luminosidade e
com tanta beleza que,
só uma lua cheia de prazeres e anseios humanos,
pode conter em si,
um nó na garganta
de espanto e admiração,
e dela, só lhe apetece que, no deslumbramento,
se solte um uivo,
como o dos lobos solitários,
como se sente agora,
debaixo desta lua cheia.

02
Set15

Pela noite fora (2014)


canetadapoesia

 

Aqui de onde nos sentimos seguros e protegidos,
imaginamos a escuridão rasgada, pelos clarões,
forçada pelo troar das bombardas,
soprando em todas as direcções.
Não, não há anjos e demónios,
ali só há demónios, dos piores,
daqueles que não se importam,
daqueles que não querem saber,
se o seu povo sofre ou não, desde que isso sirva,
para se encher jornais e outros que tais,
das parangonas do costume,
das horrendas imagens do sofrimento,
comentadas apaixonadamente,
por quem desta miséria só quer distância.

01
Set15

Já se viam ao longe (2014)


canetadapoesia

 

Velas brancas imaculadas,
sobre a imensa esmeralda do marinho azul,
já se viam ao longe,
cheias, redondas de tanto vento,
e que nos traz o bojo desses navios,
que de tão longe aparecem,
para novidades nos dar,
para civilização a nós aportar.
Dos clarões de boas vindas,
falava a diplomacia,
directamente do seu costado,
despejavam chumbo e fogo,
sobre os atónitos banhistas que,
na praia, de penas vestidos,
os recebiam com danças e festins,
e assim, dançavam ao som da canhoada,
que de outras paragens chegava,
para logo os civilizar, com sangue, com morte,
luxúria e devassidões outras,
que de conhecer não necessitavam.

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