Sábado, 24 de Outubro de 2015

Duas pérolas de saudade (2011)

 

Tantos dias se passam sem a presença,
que a saudade me trás ao coração,
e eu sinto a falta das duas pérolas que tenho na vida.
Sinto a distância, que nem é muita, mas é longe,
porque estão ao largo deste peito,
que não quer mais que senti-las por perto,
bem junto ao tiquetaque deste velho bombeador de sangue,
que se acelera com as suas ausências,
e se acalma com a presença de tão belas pérolas.
Duas pérolas de saudade, de amor e carinho,
tenho mesmo saudades das minhas princesas.


publicado por canetadapoesia às 23:51
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Notícia (2015-10-10)

 

 

Quando a notícia nos invade,

na tarde dolente da esperança,

e nos cai numa impaciência

que o coração descobre,

assim nos deixa,

inóspitos de nós mesmos.

Nesta simplicidade que é dor,

no desalento do que foi fome,

mas esperanças mesmo assim,

descai a lágrima que se eximia

do momento mais pungente.

Sulca os trilhos da vida e,

como lágrima abrupta,

caminha-te pelo rosto,

descai,

inunda-te a alma e solta as palavras,

”cada vez mais só e já sem tios”.


publicado por canetadapoesia às 00:46
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

Quiosque (2015-09-17)

 

No quiosque da memória,
ao sol deste verão,
vejo passar gentes das mais distintas,
homens, mulheres e crianças,
etnias variadas de continentes mais dispares,
porque me recuso a definir como raças
coisas tão pequenas como a cor da pele.
Vejo passar o tempo,
que corre veloz diante de meus olhos,
penso no arco-íris que tanto apreciamos,
e questiono-me,
porque havemos de classificar-nos,
quantas vezes acintosamente,
por aspectos, por cores e até por regiões?
Ah! Como eu gosto do arco-íris.


publicado por canetadapoesia às 23:28
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Lusco-fusco (2010)

 

 

De uma etérea luz se foi colorindo a rua

o céu escurecendo anunciava já a noite que aí vinha.

Do outro lado da estrada,

com o característico estrondo de passagem,

os comboios mantinham-se em movimento.

Deste lado, a formiga humana

aguardava a noite de repouso esperado.


publicado por canetadapoesia às 19:26
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015

Pois é… (2013)

 

 

Dormia a cidade no sono dos justos,

acordada aqui e ali,

pelo apelo ao divertimento e,

acessoriamente,

pelo desejo de extravasar a aversão,

ao adversário, fosse ele qual fosse.

Amodorrados pelos passeios nos centros comercias,

pelo incentivado som dos estádios de futebol,

pelas acaloradas discussões sobre qual o melhor,

do mundo e arredores,

o rei do pontapé na bola,

não se deu caso de que,

enquanto se mantinha anestesiado,

a cidade ia morrendo lentamente,

e com ela soçobrariam a prazo.


publicado por canetadapoesia às 21:49
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

Sonho-vos (2015)

 

 

Assim vos vejo e anseio,

que não verei talvez seja certo,

mas que o sonho, é a realidade,

desta alma que com amor,

e todo o carinho do mundo,

vos enlaça pelo coração,

cansado, sem dúvida,

mas sonhador e esperançoso.

Quero-vos no mundo,

que só o sonho constrói,

e o meu tece-o para vós,

com fios de fina prata,

cravejada de esmeraldas,

do verde mais cristalino,

para que o futuro,

que vos sonho e anseio,

seja da mais pura transparência,

e vos encha a alma,

das melhores pedras preciosas.


publicado por canetadapoesia às 00:12
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Domingo, 18 de Outubro de 2015

Paraíso da música (2010)

 

 

Entrou no palco sob uma salva de palmas.

Alta, elegante, vestida de preto até aos pés,

atrás de si os restantes músicos.

Um breve intróito de afinação dos instrumentos

e a melodia explode em sons celestiais,

baixinho e envolvente

o paraíso da música,

magistralmente encenado,

pela primeira violino da orquestra.


publicado por canetadapoesia às 00:06
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Brisa (2012)

 

 

De longe soprava uma brisa calma,

fresca e acolhedora que cobria o calor do dia,

e por entre os sopros sentia o perfume atordoador,

com que me envolvias no abraço do desejo.

Sentia-te ao longe, sentia-te longe,

mas o sentir do amor,

desperto pelo perfume de teu corpo,

inalava-o pelo sopro da brisa da tarde.


publicado por canetadapoesia às 22:13
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As redes (2014)

 

 

No mar, alto como convinha,

balançava ao sabor das ondas,

ora a bombordo, ora a estibordo,

nessa acalmia de mar manso, lançavam as redes à água,

esperavam que um golpe de sorte as enchesse.

Nisto passavam os dias,

porque as noites eram mais trabalho,

para armazenar, congelar e preparar o pescado,

que a fortuna do dia lhes trazia,

com sorte ainda descansavam um pouco.

Com estes golpes da sorte ou azar regressam a terra firme,

extenuados e cobertos do cansaço da faina,

logo ao pôr o pé em terra firme,

saberiam se a sorte era magra ou gorda,

se a ceia era carne ou simplesmente sopa.

Tudo dependia dos “mercados”,

que o trabalho duro do homem,

o esforço abnegado da procura do pão,

nada custava para eles, os” mercados”.


publicado por canetadapoesia às 00:43
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

Coisas de avô e neta (2013)

 

 

Fazes-me um sinal,

com o dedinho sobre o lábio,

para não falar,

para nada dizer,

é um segredo só nosso,

vamos ao chocolate e,

a mãe não pode saber.

Toca o telefone,

é a mãe e eu atendo,

ponho-to no ouvido,

falas, a primeira coisa que te sai,

a quebra do segredo,

mãe estou a comer chocolate,

e logo rematas com um sorriso,

coberto do prazer do chocolate,

foi o avô que me deu.


publicado por canetadapoesia às 20:33
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