Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

Por Lisboa (2010)

 

 

Descendo à baixa pombalina,

percorrer as velhas vielas,

as ruas criadas a régua e esquadro,

andar pelos locais exóticos,

conhecer as novas populações,

acabar sentado no, já conhecido, Baleal,

onde os excelentes repastos,

nos caem no estômago com prazer renovado.

Sempre uma felicidade,

ou pelo menos,

mais um bocado dela.


publicado por canetadapoesia às 17:37
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Domingo, 29 de Novembro de 2015

Lezíria (2015-10-25)

 

 

Alonga-se pela vastidão da vista,

dobram-se os arrozais pela força

dos raios de um sol impiedoso

que os verga à sua força,

e alonga-se para lá do meu horizonte,

que é limitado por esta luz que me cega.

Neste ocaso do dia em que já me encontro,

noto-lhe os verdes a crescer,

endireitando-se e esticando-se,

na procura do orvalho que a noite,

fresca e salutar do Outono da vida,

os há de alimentar nesta imensa lezíria produtiva.

Tanto quanto a minha vista alcança,

desta luminosa extensão de verde,

coberta pela lua dos amantes,

que a desperta ao som das sombras que lhe envia,

nascem os grãos do arroz que nos alimentarão.


publicado por canetadapoesia às 23:26
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Sábado, 28 de Novembro de 2015

Branquinha (2012)

 

 

Aproximou-se de mim,

estacionou mesmo à minha frente,

parada, a olhar-me dos seus alvos fiapos de quase neve.

Nos seus bordos escrevi uma só palavra,

saudade.

Soprei-a, dei-lhe movimento,

via-a partir majestosa,

cruzando os céus da minha alma,

levando para sul a palavra,

na esperança que por ti passasse,

e no momento adequado,

a deixasse cair a teus pés.


publicado por canetadapoesia às 22:10
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

Azáfama (2010)

 

 

Tudo mexia e se aprontava,

quando cheguei a azáfama era grande,

transportavam-se coisas de um para outro lado,

e havia já um princípio,

de uma organização que se via,

e da desorganização aparente, surgia a luz,

o brilho que o entusiasmo das gentes novas,

das gentes que amam a arte e a cultura,

consegue imprimir ao caos.

E o caos reverencia-se, com a falta de apoios,

com os escassos meios disponíveis,

ainda assim, com todas as dificuldades,

apesar de tudo, fez-se arte, criou-se arte,

Lisboa, em Maio, vai ser a mais linda capital,

de todas as cidades desta Europa.


publicado por canetadapoesia às 17:46
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

Cantadores da noite (2014)

 

Já caía o dia,
instala-se uma indistinta e opaca luminosidade.
Impera o silêncio que em breve será quebrado,
pelo constante entusiasmo das cigarras cantadoras,
que da noite fazem palco,
agradando à lua em quarto crescente,
a caminho da bojuda e cheia lua de Agosto.


publicado por canetadapoesia às 22:28
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

Estado de enamoramento (2014)

 

 

O que é isto que me atravessa o corpo,

me traz em estado de permanente ansiedade,

me arrepia e comove de emoção,

acabando por se instalar em meu coração?

O que é, o que é isto?

Depois de muito pesquisar,

correndo alfarrabistas e bibliotecas,

usando até os modernos métodos de pesquisa,

pela “Net”, pelo “Google” indo mesmo à “Wikipédia”,

nada encontro como resposta a esta inquietude.

Há falta de outra justificação,

mergulho no “eu” que sou eu,

ser pensante, humano e racional,

até mesmo irracional de quando em vez,

acabando por me convencer que,

toda esta excitação tem uma simples explicação,

não passa afinal de uma nova evolução,

cheguei pois, a um estado de enamoramento,

situação assaz peculiar no ser humano e em mim que,

possuo duas pérolas de gratidão à vida.


publicado por canetadapoesia às 00:05
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

Num claro dia de sol (2015)

 

 

Subitamente, num claro dia de sol,

a nuvem, que é esguia e se solta sabe-se lá de onde,

aproxima-se de mansinho,

atravessa o céu sem que se dê por ela e,

imbuída do silêncio das nuvens, vai-se chegando.

E num dia claro de sol, a nuvem que não o respeita,

ofusca-o e, depois de se colocar mesmo por cima de nós,

como se debaixo deste céu não houvesse outro espaço,

descarrega com toda a força da conjugação,

uma espécie de associação “nuvulenta”,

grossas e pesadas gotas,

toda a água que vinha acumulando.

E num dia claro de sol,

faz-se ouvir a trovoada,

acendem-se relâmpagos que,

iluminam a noite feita à nossa volta.

Tudo num dia claro de sol,

com nuvens, chuva e trovões relampejantes.


publicado por canetadapoesia às 22:36
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Do amor (2010)

 

Do teu ventre,
guardei o prazer,
dos frutos o amor.


publicado por canetadapoesia às 00:39
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015

A cada baforada (2015-07-25)

 

 

Recostado no sofá de couro forrado,

olhando o vazio onde o fumo,

evoluindo se esfumará,

pensamento distante, preocupação presente,

e a lembrança dos pulinhos, que o corpinho inocente,

da pequenina princesa, Margarida de seu nome,

exercita de cada vez que assumo à porta da sua sala de escola.

Sinto na pele a comoção, a emoção formada,

de ver aqueles bracinhos elevarem-se até mim,

clamarem por um colinho,

que a retire da clausura forçada.

Ao elevá-la até aos ombros, olhos nos olhos

e senti-la de sorriso armado,

pousando em mim um ar traquina,

derramo em paixão todo o amor que por ela me sai do coração,

é com a alma cheia de espinhos que agora a recordo tão longe,

no momento em que gostaria e mais necessário seria,

estar tão perto e ajudá-la a ultrapassar as pintinhas,

que tão fortemente a coloriram.

A saudade, causa mesmo uma tristeza,

cuja dimensão suplanta o universo.


publicado por canetadapoesia às 19:32
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Domingo, 22 de Novembro de 2015

Ao homem do lixo (2011)

 

 

Tu que trabalhas quando todos dormem,

e que suportas o frio e a chuva,

rasgando as madrugadas da cidade,

pendurado pelas mãos gretadas,

nas máquinas barulhentas da noite,

sentes a tua vida passar pelo lixo dos outros.

A ti que vituperam quando na rua,

se amontoam os sacos do lixo,

de quem não quer maus cheiros em casa,

mas não se preocupa de o despejar na rua,

és tão humano como todos,

e lutas pelos teus direitos como todos deviam fazer.

Já vi igual, não aqui mas mesmo ao lado,

e na maior cidade de Espanha,

ninguém te mandou comer o lixo que faz e que tu apanhas,

para que quem te insulta viva cheirosa e airosa,

com o trabalho que não quer fazer,

mas que exige que tu o faças sem reclamar.


publicado por canetadapoesia às 21:13
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