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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

23
Fev16

Aos saltinhos (2016-02-23)


canetadapoesia

 

 

Assim aos saltinhos te aproximas de mim,

levantas os braços ao céu,

na espera dos braços meus.

E vejo-te risonha,

ao colo que outros colos usaram,

que agora te está reservado.

Humedeço os olhos,

da alegria que a vida proporciona,

ao pegar-te, ao sentir-te,

e assim agarrada às minhas pernas,

apertas os braços,

transmitindo-me todo o calor de um corpinho,

que me atravessa a alma e aquece o coração.

23
Fev16

Aos poucos (2016-02-05)


canetadapoesia

 

 

Cada vez mais longe

se iam ouvindo as vozes

que ainda agora aqui se amontoavam,

chegava o dia ao seu fim,

já se pressentia o escuro da noite

e elas caminhavam,

para longe do bulício

desta praça que agora

era deserta de sons.

Imperava o silêncio,

as próprias andorinhas

se fechavam nos beirais.

Assertoavam-se os agasalhos,

que o frio chegava forte,

acoitado pelo escuro do dia,

fustigado pelo vento do Norte,

que nos trazia agora

a praça deserta e silenciosa.

22
Fev16

Daqui de onde me sento (2016-02-16)


canetadapoesia

 

 

É que chove lá fora e,

daqui de onde me sento,

esquina envidraçada para o mundo,

vejo o Rossio cheio de reflexos

com que a chuva o abençoa,

e mesmo ao lado,

a fabulosa estação ferroviária,

no fim dos Restauradores,

mesmo à entrada desta nobre praça,

sempre linda esta cidade de Lisboa.

Do cinzento do dia,

que se vai esbatendo no entrar

do escuro iluminado da noite,

sobressaem sombras e corpos

apressados no caminhar,

e rostos que se fecham

ao frio e chuva miudinha.

Daqui vejo gente,

e mundos tão diversos,

vejo corpos e caras que se movem

em direcção a sabe-se lá onde,

mas gente, pessoas, humanos,

que da cidade fazem vida.

22
Fev16

Jovens (2016-02-20)


canetadapoesia

 

 

São jovens,

uma catrefada deles,

juntos, em grupo,

reagem a tudo,

na galhofa da idade,

brincam e riem,

mas são estes jovens que,

aprecio na entrada do teatro,

querem ver e conhecer

o que esta nobre arte,

tão antiga como a Pátria,

lhes poderá mostrar,

quiçá, ensinar que,

na vida há também

outras alegrias,

outros interesses,

tão importantes ou mais que

os simplesmente os materiais.

21
Fev16

Decidi-me (2016-02-21)


canetadapoesia

 

 

Ainda assim resistia quanto podia!

Por pouco tempo, é certo,

porque ela não deixava de me tentar,

e eu desviava o olhar, fazia-me de desentendido,

mas insistia em me torturar.

Lançava-me um olhares lânguidos,

abria-se de felicidade para mim,

de tal forma que lhe descaía

pelos cantos do enorme sorriso,

o cremoso emblemático do seu encanto.

Pronto! Decidi-me,

sem mais resistências

pedi aquela bola de Berlim

que tanto me desatinava,

para acompanhar um quente café.

Destruí-lhe o sorriso

com as constantes dentadinhas

com que me lambuzei do seu creme.

19
Fev16

Como se fora fácil (2016-02-17)


canetadapoesia

 

 

Como se fora fácil,

remeter-me à condição

da responsabilidade humana.

Como se fora fácil,

passar por estas ruas e

ver a miséria sem a ver.

Como se fora fácil,

Sentir a alegria da vida

olhando os rostos tristes à minha volta.

Como se fora fácil,

Fazer escolhas felizes

quando os outros não podem escolher.

Como se fora fácil,

escolher o prato no restaurante

quando na montra nos olham

desejosos de uma refeição.

Como se fora fácil,

achar que este mundo é justo

quando assistimos a tanta injustiça.

Como se fora fácil!

17
Fev16

Duas inofensivas meninas (2016-02-15)


canetadapoesia

 

 

Não consigo habituar-me,

são notícias, coisas que acontecem,

não estão perto de mim,

mas também não estão tão longe assim.

Chocam-me e humilham-me

como ser humano e como gente que sou,

e sangro de um coração cada vez mais triste

com o mundo que me rodeia,

com as pessoas que o habitam.

Duas crianças, Senhor!

Duas simples e inofensivas almas

que de futuro nada saberão,

duas meninas que mereciam

todo o amor, carinho e amparo

que um País civilizado

tinha obrigação de conceder.

Sinto-me mal, triste e perplexo

porque não funcionaram as ajudas,

porque os alertas não foram ouvidos,

porque só restou a fatídica opção.

Duas crianças, Senhor!

Duas meninas, Senhor!

Duas almas inocentes, Senhor!

Porquê?

17
Fev16

A coberta (2016-02-04)


canetadapoesia

 

 

Era longa a coberta,

puxava de um lado,

esticava do outro.

Tentava tapar-se,

mas a coberta,

que era extensa e tudo tapava,

não conseguia aconchega-lo.

Eram estrelas e planetas,

ao meio o mais brilhante

iluminava-lhe a noite,

e por muito que tentasse,

não conseguia que o cobrisse,

só a ele,

porque a lua e todos os demais,

estrelas e planetas,

cobriam o mundo,

mas não lhe tapavam

o frio com que a noite o cobria.

16
Fev16

Amizade (2012)


canetadapoesia

 

 

Tivemos ideias diferentes!

Os percursos variaram.

E se eu sofri, é certo,

tu não sofreste menos,

e no fundo, o que nos une,

é uma coisa superior a tudo isso.

Algo que não tem classificação,

nos dias da contemporaneidade,

uma só palavra a define.

a amizade.

15
Fev16

Épocas (2012)


canetadapoesia

 

 

Com chuva,

dias cinzentos,

dias mais curtos,

tristes até.

Dias de procura de abrigo,

de um agasalho.

Mas também,

dias de prazer,

dos pequenos,

que engrandecem a alma,

que nos aquecem o corpo e o coração.

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