Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Quando me afasto (2016)

 

 

Quando me afasto, ah! Quando me afasto é que sinto,

o pesar da distância que nos vai separar,

pode nem ser muito grande, mas seja qual for,

a distância é sempre a distância,

e separa-nos, e mantém-nos longe,

dos nossos olhares, das nossas brincadeiras,

até das birras que fazem de quando em vez.

Quando me afasto, sinto o peso da saudade,

e peço a Deus que, estas separações,

nunca sejam mais do que aquilo que são,

pequenas e de curta distância,

ou não sei se aguentaria a vida sem vocês.


publicado por canetadapoesia às 23:43
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Porque o teu Deus é o dinheiro (2016-03-31)

 

 

Porque a cegueira que te atormenta,

te tira o sono e cria urticária,

no fiel intento de acreditares,

que ele é tudo o que anseias na vida,

aqui te digo que tudo isto,

que agora percebes como importante,

não passa de ilusão,

porque o brilho do vil metal te retira a visão,

de algo mais importante,

com profundas implicações, que a vida,

no seu conjunto alargado de coisas e pessoas,

se encarregará de te mostrar que afinal,

há vida para além do dinheiro

e que ele só existirá com importância,

pela necessidade que as gentes nele depositarem.


publicado por canetadapoesia às 20:38
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Quarta-feira, 30 de Março de 2016

Pitangas (2014)

 

 

Das pitangas lembro-me bem,

doces ou amargas, maduras ou pela metade,

e sinto saudades sim, de mastigar umas pitangas,

e ao chão vermelho soltar os seus caroços,

que sabia, por experiência colhida,

que dali, um caroço, e aquela terra misturados,

nasceria outra planta, desenvolver-se-ia,

mais tarde, iria de novo saborear os seus frutos.

Hoje tenho outras pitangas,

também elas doces, dulcíssimas,

e por vezes um pouco de amargura,

só para ressaltar a sua doçura que também delas imana.

Não consigo olhá-las sem me lembrar das pitangas,

estas são as minhas mais adoradas pitangas,

aquelas que não mordo e a que nem retiro o caroço,

mas doces como só a alma as reconhece,

também com um laivo de amargas, para completar o sabor,

mas as minhas pitangas adoradas.


publicado por canetadapoesia às 23:59
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Nascer do sol (2014)

 

 

Ver o sol, nascer

estender os seus tentáculos solares

sobre a terra.

Sentir o movimento dos seres vivos.

O mundo a acordar

e a cidade a formigar.

Está aí a primavera,

novo fulgor,

novas vidas.

Qual cigarra de fábula,

permito-me iniciá-lo a cantar.


publicado por canetadapoesia às 22:59
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Tudo num livro (2013)

 

 

Pegaste no livro e desfolhaste-o,

não sabes ler, ainda,

mas vais saber porque és inteligente,

a vida te ensinará outras coisas,

mas detiveste-te na fotografia,

o avô, disseste,

o meu avô,

e soou como campainhas aos meus ouvidos.

Franziste os olhos,

como querendo compreender o que ali estava,

uma série de traços e outras coisas,

que ainda não sabes bem o quê,

mas vais saber, com o tempo que ainda tens pela frente,

e eu, sinceramente espero,

que tenham em cada palavra o carinho e o amor,

que as palavras neste agora escritas,

e te venham a encantar tanto quanto tu me encantas agora.


publicado por canetadapoesia às 00:22
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Terça-feira, 29 de Março de 2016

Telefonaste-me (2013)

 

 

Esta tarde me falaste,

ligaste o meu número e deixaste tocar,

até que eu atendesse e ouvisse,

a melodia mais bonita, que nesta terra possa ser um som,

a tua voz, inocente, atrevida,

e ligaste-me, telefonaste-me, sem motivo, sem porquê,

só porque o telefone estava ali,

e tu ligaste e ouvi-te do outro lado do fio,

que não existe já, mas traz até mim a tua voz,

pequenina, curiosa e atrevida,

ligaste-me só porque estava ali o telefone,

que a mãe deixou em cima da mesa,

e falaste, e disseste que não podias vir a casa do avô,

que estavas doente, embora não me parecesse,

que amanhã sim, amanhã vinhas,

e o avô vai-te buscar à escola,

aguardando o salto que me dás para o colo logo que apareço.

Amanhã sim, amanhã vens para casa do avô,

mas telefonaste hoje, e só tens três anos.


publicado por canetadapoesia às 22:55
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A andorinha (2010)

 

 

Aí vinha,

esvoaçante e volteando,

nas alturas do céu que lhe serve de caminho.

A andorinha que anunciava a Primavera,

voou em direcção ao telhado mais próximo,

escolheu bem o local e elegeu o cantinho que procurava,

bem debaixo das telhas mais protectoras,

ali ia fazer o seu ninho,

ali criaria os filhotes e,

quando se aproximasse o Outono,

frio, cinzento e chuvoso,

logo levantariam voo para novas paragens,

mais quentes e acolhedoras.


publicado por canetadapoesia às 00:12
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Segunda-feira, 28 de Março de 2016

Idades (2010)

 

 

Vinte, tão jovem e a vida a começar a pesar.

Trinta e a caminho dos “enta”.

Quarenta e ainda a mudar de emprego.

Cinquenta e com meio século.

Sessenta e a maravilha de ser avô.

Setenta?

A interrogação pela frente.


publicado por canetadapoesia às 22:05
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Domingo, 27 de Março de 2016

Mudar de vida (2010)

 

 

Mudar de vida é possível

sempre que a vida o permite.

Mudar de vida é essencial

para que ela continue a existir.

Mas, mudar de vida é impraticável,

a quem,

fruto dos anos na terra,

está impedido de a mudar.


publicado por canetadapoesia às 23:56
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Porque tocam os sinos (2016-03-26)

 

 

Ao longe se ouvem,

sonoros e cadenciados,

os sinos da nossa aldeia,

os sinos da nossa cidade,

os sinos da nossa vida.

Porque tocam os sinos?

Tocam por Ti que és pai,

tocam por nós que teus filhos somos,

tocam pelo mundo,

pela dignidade do ser humano,

tocam de tristeza,

pelo abandono de gentes, crianças e velhos,

a uma sorte por que os sinos não tocam.

Tocam os sinos para despertar

a humanidade que tão descrente anda,

tocam por nós para que ainda possamos

despertar os corações.


publicado por canetadapoesia às 00:21
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