Sábado, 30 de Abril de 2016

Retrocesso (2016-05-01)

 

 

Quando olhamos e pensamos

que atingimos um nível civilizacional

que nos retira das cavernas da ignorância,

para nos sentirmos em comunidade seguros e solidários,

pelas leis, pelas regras e códigos de ética,

vem o ciclo de vida, que não pára,

que recomeça a cada fim de ciclo,

que esquece e faz esquecer,

arrebata até o bom senso

sobre tudo o que foi conquistado.

Arremete-se contra a ordem,

cria-se a desordem,

espalha-se a discórdia,

diminuem-se as características

que de nós fazem um povo,

uma Nação com gente dentro,

cujos princípios são universais

e a todos aplicados por igual.

Porque o ciclo deu a volta

e a memória foi substituída,

por um simples cartão de memória,

que nos dá acesso

a uma qualquer plataforma digital.

Satisfeitos ficamos já

com o menear do dedo

sobre um distinto ecrã,

enquanto à nossa volta se fecha

mais um ciclo que se repete

e renova no retrocesso do esquecimento.


publicado por canetadapoesia às 22:12
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Da dança, um dia… (2016-04-29)

 

 

Dança-se e desvanece-se no balançar dos corpos,

dança-se porque nos embalamos no sonho

que a música que nos envolve eleva,

dança-se.

Eu danço quando vos vejo a dançar

perante meus olhos cansados,

eu danço também no sorriso dos vossos olhos

e olho-vos com turvo olhar

onde a lágrima teimosa insiste em bailar também.

Danço-vos no coração que vos ama,

sigo cada gesto, cada movimento,

e danço convosco,

mesmo sem dançar.


publicado por canetadapoesia às 00:42
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Hoje acordei (2012)

 

 

Hoje acordei,

já é bom acordar para um novo dia, mas hoje,

o acordar vem com sabor especial,

uma pitada de cinzento no céu,

um sabor a sal na boca,

uma garganta seca e um tremor na barriga.

Hoje acordei,

satisfeito, por um lado, temeroso por outro,

não sei como vai acabar o dia,

como não sei como acabam todos os outros.

Hoje acordei,

com aquela sensação de bem-estar,

à mistura com um receio do que vou enfrentar, pessoas,

sempre me criaram algum receio,

porque podem gostar ou não do que faço,

porque não posso estar nervoso para lhes agradecer,

toda a atenção que não mereço,

mas tenho de reconhecer todo o carinho que me dispensam.


publicado por canetadapoesia às 16:18
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A cruz (2016-02-03)

 

 

Imortalizou-se na praça,

comemorou batalhas

e vitórias,

que as derrotas,

pouco deixaram para a festa.

Ainda assim,

a cruz lá estava,

imponente, imóvel,

cobrindo a praça com a sombra que o sol,

na sua cósmica força,

impunha debaixo dos seus raios.

Ali comemorava os dias da alegria,

ali lembrava a tristeza de outros dias,

mas da altura da sua importância,

a cruz ali estava,

lembrando ao povo crente

que dali também nascera Portugal.


publicado por canetadapoesia às 00:00
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

Passas despercebido (2015-02-16)

 

 

Esquivas-te pelas esquinas da vida,

nas ruas que percorremos

procuras os vãos que te acoitam,

e passas despercebido,

aos olhos que não querem encontrar-te.

No deambular pela cidade,

quase não dão por ti,

mas estás lá,

em cada esquina da vida,

em cada esquina da cidade,

em todas as esquinas,

que a vida madrasta te oferece.

Não vêm, porque não querem,

assusta-os poisar o olhar em ti,

horroriza-os saber que são cada vez mais,

que podem vir a ser um deles,

e desviam o olhar pensando que,

assim se afastam do flagelo.


publicado por canetadapoesia às 18:50
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Se soubesses… (2016-04-27)

 

 

Se soubesses o efeito que tens,

se imaginasses o que acontece

quando sem esperar apareces do nada.

Se sentisses o que eu sinto,

quando assim te vislumbro

e meu coração acelera um pouco.

Se eu soubesse o que isto é,

amor não será certamente

que a idade já não consegue discerni-lo.

Se tivesses o mesmo ensejo,

que este corpo apresenta

quando o teu está por perto.

Se ambos pudéssemos andar até ao sol,

sempre que o corpo pede uma sombra

e nos desnudássemos de mundanidades.

Se nos enchêssemos do prazer,

sempre que nossos corpos o desejassem

e perdêssemos o pudor de infringir as regras

desta vida que nos tolhe os movimentos.

Se conseguíssemos a quebra dos votos,

que parecem, mas não são imutáveis

e partíssemos à desfilada por este vale da vida

e sentíssemos na pele o apelo,

nú e crú dos desejos contidos e não revelados.

Se ao menos quisesses,

tanto quanto eu o desejo

e prisioneiro das minhas dúvidas não to revelo

mas retenho em imaginações e insónias,

as mil e uma noites de pecado sonhados.

Se ao menos quiséssemos.


publicado por canetadapoesia às 15:12
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Uma lágrima (2011)

 

 

Não vejo bem,

alguma coisa está a falhar,

limpo os óculos,

volto a colocá-los,

continuo sem ver claramente.

Procuro a falha,

esfrego os olhos,

retiro a mão húmida.

Afinal era uma lágrima,

de tristeza pelo mundo.


publicado por canetadapoesia às 00:25
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016

Deambular (2012)

 

 

É isto, andar por aí,

dar umas voltas na cidade,

conhecer os becos desconhecidos,

porque uma vida que aqui se viva,

não chega para os conhecer todos.

A dinâmica que a cidade imprime,

às suas ruas e ruelas escondidas,

garante-nos, em cada nova visita,

toda uma diversidade desconhecida.

Na Mouraria, quem diria,

verdadeiramente assim agora descrita,

desta forma prazenteira,

dos primeiros de outrora,

poucos serão os que já não o são.

Este País é um mundo e vai crescendo,

porque este mundo não se confina,

ao mundo que conhecemos e cresce,

com o crescimento do mundo.


publicado por canetadapoesia às 23:27
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Não sei (2011)

 

 

Matei a saudade,

desferi-lhe o golpe de misericórdia,

aniquilei-a de vez.

Não voltei,

não sei se um dia voltarei,

o que sei é que não se deve retornar,

não se deve voltar à casa

de onde nos mandaram embora.


publicado por canetadapoesia às 12:07
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Domingo, 24 de Abril de 2016

Por este rio (2016-04-21)

 

 

Destas margens onde me sento

contemplo as águas,

outrora navegadas,

sulcadas de prazeres mil,

em cada pequena onda

revejo o balancear das velas brancas,

onde embalava o coração.

Em cada descida até à foz,

a excitação do encontro

com as grandes ondas,

do mar pleno e aberto,

onde a adrenalina atingia o zénite.

Em cada subida deste rio,

que enche e encanta esta cidade,

nos dias prolongados de um verão

em que a noite se ia anunciando

pelo lento deitar do sol,

a emoção plena do sentir pela popa

o calor dos últimos raios do astro rei

e as incríveis cores do pôr do sol,

ali ao fundo do rio e à entrada,

desta linda e maravilhosa cidade de Lisboa.


publicado por canetadapoesia às 17:22
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