Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Gostei deles (2016)

 

 

Num primeiro relance do olhar pela sala,

gostei do que vi,

gostei deles e guardei a foto na memória,

marquei-a como das boas que tenho obtido na vida.

Mas nessa primeira vista também achei que,

estavam um pouco reprimidos,

precisavam de se soltar,

pensei que os ajudaria,

que daria o empurrão,

para que não fosse monótono,

acho que até não correu mal

esta primeira aproximação,

de quem, presumivelmente,

serei o formador,

de gente formada e bem pelo que constatei.

Sobretudo pensei que muito teria a aprender

com esta gente que,

mais que aprender me vai ensinar,

aqueles a quem a vida pregou a primeira partida,

que lhes atrasou o início de vida,

o projecto que sonharam e se vem arrastando no tempo.

São aqueles que não choram nem se lamentam,

mas sofrem no seu silêncio as agruras que lhes impõem,

mereciam outro princípio de vida,

um início diferente, promissor,

porque afinal,

são o futuro, o nosso futuro.


publicado por canetadapoesia às 23:35
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

Olhos escuros (2010)

 

 

Nos teus olhos eu vi o mundo,

neles senti a imensidão do deserto,

exprimiam-se com a força dos ventos,

e deles tomei o sabor das marés,

cheiravas a espuma do mar,

acabada de rolar na areia.

 

Quando sorriste,

senti o calor dos verões abrasadores,

e uma brisa suave,

cheirando às flores silvestres, como tu serás,

encheu minhas narinas.

 

Nos teus olhos escuros vi a esperança,

neles encontrei a vida,

descortinei um carinho sem igual,

senti o forte bater do coração,

com eles desfiz-me em pedaços de amor.


publicado por canetadapoesia às 22:31
link do post | comentar | favorito

O frio (2016-04-06)

 

 

Podia ser uma noite quente,

mas faltava qualquer coisa,

porque o frio dos lençóis

me penetrava no corpo,

arrefecia-me a alma,

deixava que a noite penetrasse

na cama que devia ser quente.

Neste corpo que se abandonava

despido das mundanas vestes,

faltava o calor que só outro corpo,

lhe podia proporcionar,

e estava só,

ao frio que a solidão lhe impunha.


publicado por canetadapoesia às 00:46
link do post | comentar | favorito

O choque (2010)

 

 

Quando em mim deixaste o teu beijo,

e finalmente o meu corpo cedeu,

algo aconteceu no universo.

Dos milhões de seres ali espalhados,

duas estrelas se apartaram,

e ao juntarem-se produziram o choque,

que gerou o mais belo momento da vida,

a união física de que o amor se alimenta.


publicado por canetadapoesia às 00:04
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Desde que me lembro (2013)

 

 

Sempre foi apanágio pessoal,

procurar minimizar o desperdício,

fazer da vida a mansão do amanhã,

reciclando tudo o que o poderia ser.

Eram rolhas de cortiça feitas,

plásticos e embalagens,

baterias e pilhas secas,

tudo o que era papel e,

finalmente também,

invólucros das cápsulas de café,

Delta é claro, que sou um defensor,

um militante mesmo, da pura qualidade do sabor a café.

Estes frenéticos gestos me obrigaram a depósitos diversos,

cada qual a cada uma das reciclagens,

mas os olhos da alma, esses estavam fixos,

no futuro da humanidade, do mundo,

sobretudo, das minhas princesas.


publicado por canetadapoesia às 23:03
link do post | comentar | favorito

Porque hoje era o dia (2012)

 

 

Porque hoje era o dia, teimei em me manter quente,

embrulhado em cobertores, edredões e outros que tal,

que se não aquecem a alma, mantêm o corpo aconchegado.

Lá fora, grossas bátegas de água caídas do céu,

açoitavam janelas, tremiam as árvores e o céu,

escurecido pela tormenta, não deixava o coração bater,

ao sabor de raios de sol que da alma afastam tristezas.

Resoluto me levantei, porque hoje era o dia,

e indiferente ao tempo e à borrasca,

me preparei para calcorrear os caminhos do encontro.

E porque o dia era triste, refiz-me de esperanças,

lavado e perfumado, com uma alegria no bolso,

fiz-me à estrada e lá fui, porque hoje era o dia.

Se não fosse nem enfrentasse o tempo,

que nos separa,

que nos afasta sem saber,

que pretende criar a ilusão de uma prisão,

em que a saída me seja impedida,

avolumaria a tristeza que me assoma,

porque hoje era o dia, porque tinha que ir, pois hoje,

era o dia de ter nos braços tão amados seres.


publicado por canetadapoesia às 00:16
link do post | comentar | favorito
Sábado, 2 de Abril de 2016

Desenfreados (2012)

 

 

Não nos deixemos ir,

afundados em oceanos de ignominia.

Sejamos respeitosos,

ao mundo que nos rodeia,

mantenhamo-nos respeitados,

aos olhos que em tropel,

desenfreados pelos campos da ilusão,

à sua vontade nos querem vergar.


publicado por canetadapoesia às 23:41
link do post | comentar | favorito

Princesas (2015)

 

 

De princesas estamos conversados,

não sou de sangue azul,

nem conde, nem barão, muito menos marquês,

que essas coisas não existem numa república,

mas tenho as minhas princesas,

lindas e cheias de esperança no futuro,

não vou, pois, perorar mais do assunto,

a não ser garantir que a elas,

lhes seja dado esse futuro.

E se for o caso,

cá estarei para não as desapontar,

porque por elas, para elas,

tudo valerá a pena,

ainda que tenha de verter o sangue que não é azul,

mas vermelho,

cor da raiva que me assalta,

sempre que deparo com as nuvens,

que possam toldar-lhes o crescimento.


publicado por canetadapoesia às 00:45
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

Soprar o vento (2012)

 

 

Sopro-te vento,

empurro-te para longe,

afasto-te de mim,

para não sentir,

para não cheirar,

para não sofrer.

Que tu vento,

só me tens trazido más notícias.


publicado por canetadapoesia às 23:41
link do post | comentar | favorito

Mais sobre mim


Ver perfil

Seguir perfil

. 26 seguidores

Pesquisar

 

Setembro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

17
18

19
21
25

26
27
28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts recentes

Suspensa no ar (2014-09-2...

Inexplicável (2014-09-25)

Queria e não queria (2014...

Náufraga (2014-08-16)

O desejo (2014-09-03)

Dias de doidice (2014-09-...

A alvura de uma folha de ...

E ferve silenciosamente (...

Corre-me nas veias (2014-...

Olhos cansados (2014-09-2...

Arquivos

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Links

SAPO Blogs

subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub