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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

07
Abr16

Gostei deles (2016)


canetadapoesia

 

 

Num primeiro relance do olhar pela sala,

gostei do que vi,

gostei deles e guardei a foto na memória,

marquei-a como das boas que tenho obtido na vida.

Mas nessa primeira vista também achei que,

estavam um pouco reprimidos,

precisavam de se soltar,

pensei que os ajudaria,

que daria o empurrão,

para que não fosse monótono,

acho que até não correu mal

esta primeira aproximação,

de quem, presumivelmente,

serei o formador,

de gente formada e bem pelo que constatei.

Sobretudo pensei que muito teria a aprender

com esta gente que,

mais que aprender me vai ensinar,

aqueles a quem a vida pregou a primeira partida,

que lhes atrasou o início de vida,

o projecto que sonharam e se vem arrastando no tempo.

São aqueles que não choram nem se lamentam,

mas sofrem no seu silêncio as agruras que lhes impõem,

mereciam outro princípio de vida,

um início diferente, promissor,

porque afinal,

são o futuro, o nosso futuro.

06
Abr16

Olhos escuros (2010)


canetadapoesia

 

 

Nos teus olhos eu vi o mundo,

neles senti a imensidão do deserto,

exprimiam-se com a força dos ventos,

e deles tomei o sabor das marés,

cheiravas a espuma do mar,

acabada de rolar na areia.

 

Quando sorriste,

senti o calor dos verões abrasadores,

e uma brisa suave,

cheirando às flores silvestres, como tu serás,

encheu minhas narinas.

 

Nos teus olhos escuros vi a esperança,

neles encontrei a vida,

descortinei um carinho sem igual,

senti o forte bater do coração,

com eles desfiz-me em pedaços de amor.

06
Abr16

O frio (2016-04-06)


canetadapoesia

 

 

Podia ser uma noite quente,

mas faltava qualquer coisa,

porque o frio dos lençóis

me penetrava no corpo,

arrefecia-me a alma,

deixava que a noite penetrasse

na cama que devia ser quente.

Neste corpo que se abandonava

despido das mundanas vestes,

faltava o calor que só outro corpo,

lhe podia proporcionar,

e estava só,

ao frio que a solidão lhe impunha.

06
Abr16

O choque (2010)


canetadapoesia

 

 

Quando em mim deixaste o teu beijo,

e finalmente o meu corpo cedeu,

algo aconteceu no universo.

Dos milhões de seres ali espalhados,

duas estrelas se apartaram,

e ao juntarem-se produziram o choque,

que gerou o mais belo momento da vida,

a união física de que o amor se alimenta.

04
Abr16

Desde que me lembro (2013)


canetadapoesia

 

 

Sempre foi apanágio pessoal,

procurar minimizar o desperdício,

fazer da vida a mansão do amanhã,

reciclando tudo o que o poderia ser.

Eram rolhas de cortiça feitas,

plásticos e embalagens,

baterias e pilhas secas,

tudo o que era papel e,

finalmente também,

invólucros das cápsulas de café,

Delta é claro, que sou um defensor,

um militante mesmo, da pura qualidade do sabor a café.

Estes frenéticos gestos me obrigaram a depósitos diversos,

cada qual a cada uma das reciclagens,

mas os olhos da alma, esses estavam fixos,

no futuro da humanidade, do mundo,

sobretudo, das minhas princesas.

04
Abr16

Porque hoje era o dia (2012)


canetadapoesia

 

 

Porque hoje era o dia, teimei em me manter quente,

embrulhado em cobertores, edredões e outros que tal,

que se não aquecem a alma, mantêm o corpo aconchegado.

Lá fora, grossas bátegas de água caídas do céu,

açoitavam janelas, tremiam as árvores e o céu,

escurecido pela tormenta, não deixava o coração bater,

ao sabor de raios de sol que da alma afastam tristezas.

Resoluto me levantei, porque hoje era o dia,

e indiferente ao tempo e à borrasca,

me preparei para calcorrear os caminhos do encontro.

E porque o dia era triste, refiz-me de esperanças,

lavado e perfumado, com uma alegria no bolso,

fiz-me à estrada e lá fui, porque hoje era o dia.

Se não fosse nem enfrentasse o tempo,

que nos separa,

que nos afasta sem saber,

que pretende criar a ilusão de uma prisão,

em que a saída me seja impedida,

avolumaria a tristeza que me assoma,

porque hoje era o dia, porque tinha que ir, pois hoje,

era o dia de ter nos braços tão amados seres.

02
Abr16

Desenfreados (2012)


canetadapoesia

 

 

Não nos deixemos ir,

afundados em oceanos de ignominia.

Sejamos respeitosos,

ao mundo que nos rodeia,

mantenhamo-nos respeitados,

aos olhos que em tropel,

desenfreados pelos campos da ilusão,

à sua vontade nos querem vergar.

02
Abr16

Princesas (2015)


canetadapoesia

 

 

De princesas estamos conversados,

não sou de sangue azul,

nem conde, nem barão, muito menos marquês,

que essas coisas não existem numa república,

mas tenho as minhas princesas,

lindas e cheias de esperança no futuro,

não vou, pois, perorar mais do assunto,

a não ser garantir que a elas,

lhes seja dado esse futuro.

E se for o caso,

cá estarei para não as desapontar,

porque por elas, para elas,

tudo valerá a pena,

ainda que tenha de verter o sangue que não é azul,

mas vermelho,

cor da raiva que me assalta,

sempre que deparo com as nuvens,

que possam toldar-lhes o crescimento.

01
Abr16

Soprar o vento (2012)


canetadapoesia

 

 

Sopro-te vento,

empurro-te para longe,

afasto-te de mim,

para não sentir,

para não cheirar,

para não sofrer.

Que tu vento,

só me tens trazido más notícias.

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