Sábado, 9 de Julho de 2016

Comigo está… (2016-06-26)

 

 

Ao redor, são árvores e verde

tão intensos como a ausência

dos humanos que as cultivam.

A orlá-las, são os pássaros

que em bandos as cobrem,

preparando-as para o anoitecer.

Os melros são mais sofisticados,

esvoaçam sozinhos ou emparceirados,

acasalam nos ramos mais altos,

como a natureza lhes ordena,

macho e fêmea com ninho feito

e na primavera próxima,

novos melros voarão.

Comigo está este mundo,

que com a paciência e a calma

deste campo que me envolve,

vos envio em palavras que o coração sente

e a alma extasiada derrama no papel.


publicado por canetadapoesia às 23:09
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Jogas ou não (2016-07-05)

 

 

Deixa de ser um espectáculo,

não é a empolgação que se espera,

com corridas e movimentos

rápidos e quase instintivos,

especiais na adrenalina que se cria em acrobacias,

talvez mesmo uns passos de ballet.

Deixa de agarrar o interesse de quem,

por amor à arte ou por deferência à representação,

se dedica a apreciá-lo.

Este é um desporto que exige entrega,

que exige velocidade e corrida,

que exige estratégia dos passes entre os jogadores,

este é um desporto que,

à sua maneira atrai multidões,

umas vezes por bem, outras por mal,

mas é um desporto que,

não pode ser jogado sentado.


publicado por canetadapoesia às 00:49
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016

Sou o homem (2016-07-07)

 

 

Sou o homem que,

vindo dos confins de África

subiu o grande rio azul e profundo

até ao polo gelado bem ao norte.

Sou o homem que,

Desceu das terras geladas

e se implantou nas terras de África.

Sou o homem que,

muda de cor segundo o meridiano

que separa o Sul do Norte.

Sou o homem que,

deixou de ser tolerante

com os homens que deixou no Sul.

Sou o homem que não tolera

os homens que foram para Norte.

Sou o homem que,

ainda não percebeu

que somos todos homens.


publicado por canetadapoesia às 22:43
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Praia deserta (2012)

 

 

Areia, sol e mar em quantidade,

praia deserta,

espaço para todos,

imensidão de solidão para os que a desejavam.

À tua volta foram-se concentrando,

os que não te queriam só,

os que esperavam qualquer sinal,

os que te queriam observar.

A tua distância dos outros diminuiu,

ficaste espartilhada entre esta raça de conquistadores,

que deixaram de se fazer ao mar e agora,

se dedicam a fazer-se à areia,

à tua areia reservada.


publicado por canetadapoesia às 00:33
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2016

Tições negros (2016-07-02)

 

 

Com um abanar de cabeça

soltas os longos e brilhantes cabelos,

descobres o rosto e mostras os olhos,

quando os abres na minha direcção,

dois enormes tições negros,

profundos como o mar,

atingem-me em cheio,

acompanhados de um sorriso matreiro e atrevido

que não só me espevita como me alerta.

O perigo está aí,

nesse olhar que encanta,

nesse sorriso que desarma

e nesse corpo provocador de onde se imaginam

prazeres imensos e,

cuja intensidade se exprime nesse olhar.

de tições negros armado.


publicado por canetadapoesia às 00:22
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Vagueei (2016-06-30)

 

Vagueei-te no corpo
somei todas as tuas cicatrizes,
as da alma,
nunca mas mostraste.

 


publicado por canetadapoesia às 00:17
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Venda (2012)

 

 

Na venda que me colocam,

não entra claridade,

nada vejo além do que me querem mostrar.

E esta venda,

que deixei me colocassem,

venda-me os olhos,

mas tapa-me o coração e,

tolda-me a razão.


publicado por canetadapoesia às 00:15
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016

A vista (2012)

 

 

À vista de ondulados corpos,

um sorriso matreiro

aflui aos olhos,

semicerram-se,

apreciam a arte,

e desejam

um corpo tão belo de mulher,

onde as curvas se propagam

em suaves declives,

até ao desaguar do rio.


publicado por canetadapoesia às 11:52
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Domingo, 3 de Julho de 2016

Pelo coração (2012)

 

 

Vagueiam sensações dispersas,

neste coração cansado,

a vida que se depara,

num relance de olhar,

a saudade dos momentos,

que nos viram sorrir,

o desejo do encontro,

que não acontece.

O coração, esse, bate e pula,

na esperança de que o tempo,

que tudo cura,

nos traga novas do tempo.


publicado por canetadapoesia às 00:00
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Sábado, 2 de Julho de 2016

Olhei-me ao espelho (2016-06-29)

 

 

Não dei por mim quando me olhei ao espelho,

vi um rosto que não era eu,

a sulcar esta pele que me cobria a face,

descobri rios e vales profundos

onde outrora escorria o mel de pura seda.

Porque hoje, quando me vi ao espelho,

só encontrei aquela cara que,

aos dezanove anos tinha o mundo pela frente,

e ele encurtou-se em golpes sucessivos,

marcantes pela sua profundidade.

Hoje, confirmo a idade do tempo que passou,

sem piedade ou benesses,

escavando no corpo os sulcos que a vida,

não deixa de me mostrar.

Quando hoje sorri para o espelho,

o retorno foi fiel à realidade,

não me escondeu nada,

nem os dezanove anos perdidos no tempo.


publicado por canetadapoesia às 12:05
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