Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Desenhas-me a alma (2016-09-28)

 

 

No meu estado impuro do amor,

sobrepõe-se o desejo irrequieto,

da tua pura alma sobressai

o simples desejo do amor.

Nesse sentimento te valorizas,

nele me subestimo no conceito

que transformo em impureza

na minha alma adulterada

pelo mais premente desejo carnal de pura lascívia,

que se aquietará pela resposta que em teu corpo se encerra.

Da tua pureza me imbuo e com ela, sem delongas,

me desenhas a alma,

transformando a pura carnalidade,

animalesca e de ousadia duvidosa,

em sensações de absoluta leveza de alma,

e então sobressai o amor,

que se dá em todo o seu esplendor.


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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

São mimos e carícias (2016-09-24)

 

 

E porque estou longe

vos sinto assim tão perto

no bater do meu coração.

A saudade esbate-se,

numa imagem pensada,

que vos traz para tão perto

e sinto-vos junto a mim,

mesmo estando tão longe.

São os mimos e as carícias,

os beijos e abraços sentidos,

que corações tão pequenos

nos deixam encadeados,

no amor que vos tenho,

na saudade que vos sinto

e no carinho que meu peito

abriga sem reservas.


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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Se me deres o mar… (2016-09-14)

 

 

Se porventura um dia

me deres o mar que há em ti,

que dia será esse em que

as águas se misturarão e,

como uma só,

se levantarão em autêntico temporal.

Se porventura um dia tiver o privilégio

de sentir as ondas que há em ti,

não sei se conseguirei ser o nadador

que o teu oceano anseia e espera.


publicado por canetadapoesia às 23:19
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Objectos (2013)

 

 

Objectos pessoais,

se assim se podia chamar àquele amontoado de coisas.

Já tinham sido objectos pessoais de alguém,

agora eram só objectos de utilização indispensáveis,

para quem nada mais tinha.

Pouco lhe importava que fossem em segunda,

em terceira ou quadragésima mão.

Serviam-lhe para o que deles necessitava,

exigia-lhes mesmo que ainda prestassem algum serviço,

como objectos que eram nada mais deles esperava,

senão que lhe suportassem a vida,

num momento em que o desespero dela tomava conta.


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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016

Se eu fosse… (2013)

 

 

Se eu fosse peixe, nadava,

se fosse uma ave, voava,

mas eu sou humano,

nem barbatanas nem asas

podem vir em meu auxílio,

nenhuma destas me ajudará a locomover.

Outras capacidades terei,

duas pernas pelo menos,

permitem que me mova,

mas tenho algo mais,

muito mais importante que tudo o resto,

sou capaz de pensar, imaginar, sonhar.

Juntando estas possibilidades todas,

consigo nadar pelas profundezas dos oceanos,

atinjo velocidades espantosas pelos céus do planeta,

e tudo isto pela minha capacidade de imaginar e,

sonhando, visito o mundo.


publicado por canetadapoesia às 00:08
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

Rugas (2013)

 

 

Enrolada no roupão olhou-se ao espelho,

verificou que aquela pequena ruga,

que começara a despontar,

mais parecia um pé de avestruz.

Desligou-se da imagem,

que só um espelho antipático devolveria,

atrevendo-se a mostrar-lhe que a idade,

não se comprazendo com a eternidade,

começava a aparecer-lhe,

exactamente pelas pequenas rugas na face.

Pensou para si, que não, não se ia esconder,

afinal e apesar delas,

quanta beleza poderiam contar.


publicado por canetadapoesia às 23:19
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Na corte (2013)

 

 

Vivias na sumptuosa corte,

escolheste o rei coroado,

não te admires, portanto,

se o escravo te esqueceu.


publicado por canetadapoesia às 23:16
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Universo (2013)

 

 

Olho para lá,

muito para além do universo,

passo as estrelas e os planetas,

acontece-me,

sempre que me sinto só,

sempre que estou longe,

olho para além de mim próprio,

deixo de ver o mundo.

De onde estou,

olho para ELE,

sinto no coração o sorriso da bondade,

de quem gostaria de tirar os pecados ao mundo.

Sinto-me acompanhado.


publicado por canetadapoesia às 00:35
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Domingo, 18 de Setembro de 2016

Inquieto (2013)

 

 

É tarde, quero dormir,

a noite segue o seu caminho,

procuro segui-la e quero dormir,

mas não consigo.

A mesma noite que me propõe o sono reparador,

retira-me a capacidade de descansar,

levanto-me de tempos a tempos,

para tentar dormir de seguida,

ainda que seja de pé, mas nada.

A noite não é minha amiga,

castiga-me por ser tardio no dormir,

e quando o tento, acorda-me.

É tarde, quero dormir,

olho as estrelas, desenho a lua num céu escurecido,

mas nem elas me ajudam, não consigo,

mas vou tentar de novo.


publicado por canetadapoesia às 23:25
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Para uma sandes (2013)

 

 

“Uma moedinha”,

ouço repicar a meus ouvidos,

“para uma sandes”,

diz a voz do outro lado da cabeça.

Levanto os olhos,

através dos andrajosos vestires,

reconheço a necessidade,

não sei se é para a sandes,

não me interessa para que fim,

sei que não posso resistir,

a tão intenso olhar.

Do bolso a retiro,

na sua mão a deposito,

com receio que se perca,

de imediato cerra o punho.


publicado por canetadapoesia às 00:36
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