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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

21
Out16

Primos de longe e de perto (2016-10-14)


canetadapoesia

 

 

Mais de cinquenta anos separaram esta gente,

que de família se trata e primos são desde sempre.

De tenra idade ainda nos deixámos de ver,

porque a vida assim o quis e,

porque o “império” a isso obrigou.

Encontrámo-nos num abraço imenso e inesgotável,

onde as lágrimas teimaram em humedecer,

os olhos já cansados e que outrora foram de meninos

traquinas que não sonhavam futuros de separação.

Falámos e trouxemos ao presente algumas memórias,

do antes de haver preocupações,

quando o “império” não se envergonhava

de proteger e defender os seus cidadãos,

não foi suficiente a nossa conversa,

soube a pouco, a muito pouco para tanta saudade.

Ao fim de mais de cinquenta anos merecíamos mais tempo,

devíamos ter mais tempo, devíamos ter mais abraços,

tínhamos de humedecer mais o olhar,

mesmo assim com um abraço nos reencontrámos,

com outro nos despedimos até um dia de primos,

tão longe, mas sempre tão perto do coração.

03
Out16

Na memória a liberdade (2013)


canetadapoesia

 

 

Rebelde por natureza e criação,

a vida feita pelos matos de verde pintados,

saboreou a liberdade de ser e estar,

só a natureza o seduzia,

da imensidão de que dispunha,

guardou na memória os espaços mais pequenos,

fugazes momentos de felicidade.

Passaram-se os anos, juntou pedaço a pedaço,

de todos os momentos que recordava com carinho,

desenhou um mapa onde marcou os pontos,

pequeno que era o seu tamanho,

mas todo um mundo de vida ali espelhado,

vivida com a intensidade dos grandes espaços,

abertos à sua imaginação de liberdade,

enclausurou-se depois, em estreito corredor,

viveu espartilhado pela dor da saudade,

mas na lembrança inapagável,

residia todo o seu universo.

03
Out16

Descarga de adrenalina (2013)


canetadapoesia

 

 

Poeta? Serei se assim o acharem,

porque afinal descrevo a vida e outras coisas,

em tons que poderão ser rosa, choque por vezes,

mas sempre com a realidade presente nas palavras.

Escritor? Também o serei, se os simples arabescos,

que em alvas folhas destilo,

atraírem algum interesse, por pequeno que seja.

Pensador? Não tenho dúvida que o sou, como tantos,

ainda que os meus impuros pensamentos não estejam alinhados,

com linhas que deles gostam de fazer alarde e política dominante.

Castrado não sou! A minha opinião é minha.

Nada me sai desta atormentada mente,

que seja objecto de coação de outras mentes,

que porventura terão coisas bem mais importantes a resolver,

que lhes toldam a capacidade de raciocínio,

que as impedem de aceitar opiniões alheias,

ser democratas,

por isso sou sim,

ainda que seja só eu a achá-lo, sou,

poeta, escritor e pensador, acrescento também,

além de outras coisas da alma.

02
Out16

Do mato, com amor (2013)


canetadapoesia

 

 

Viveu intensamente esse mato,

que da cidade nada lhe faltava,

para consumo próprio e mais alguma coisa,

tudo ali se produzia e satisfazia as despesas,

que a pequena fazenda não dava para muito mais.

O que faltava em produtos citadinos,

luxos de uma vida diferente da que tinham,

sobrava em felicidade de uma vida simples,

cheia de pequenas coisas que,

as mãos que Deus lhes deu teciam e fabricavam.

À volta, o verde do mato enchia-lhes a alma,

e da terra retiravam o conforto do estômago.

01
Out16

De hora a hora (2016-09-25)


canetadapoesia

 

 

O sino toca e repica,

de hora a hora e

de tempos a tempos,

para a chamada dos fiéis.

Marca o ritmo da aldeia,

marca o ritmo da vida,

hora a hora, vais soando

no campanário da igreja

e ressoa por toda a redondeza.

Dos vales ao cimo dos montes,

marca a hora e revela-se

em sonoras badaladas,

do despertar ao deitar,

toca e repica sonoramente,

marcando todas as horas,

as boas e as más,

tocando e repicando.

01
Out16

Um dia no campo (2016-09-23)


canetadapoesia

 

 

Acima de mim um inebriante céu azul,

a espaços impregnado de fiapos de nuvens,

transparentes na sua alva brancura.

À volta o silêncio do campo,

entrecortado aqui e acolá,

pelo estridente chilrear dos pássaros que,

livres nesta natureza imensa que os abriga,

assim mostravam o seu contentamento.

Na alma o sentimento nostálgico

da lonjura do bulício da cidade

e tão perto do paraíso celeste que,

só um dia no campo,

nos promete em eternidades.

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