Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Lágrimas de mãe (2016-12-29)

 

 

Escuto-as em silêncio porque elas são silenciosas,

mas no íntimo do meus ser ecoam

como o estrondo de trovões e ainda que não as veja,

sei que te caem pelo rosto e da alma se soltam,

porque sinto o clarão dos relâmpagos em que se transformam.

Para mim, só tens um sorriso na face,

porque as lágrimas são silenciosas ao mundo,

não se mostram a quem delas não quer saber,

porque são lágrimas de mãe que sorriem para os filhos.

Quantas vezes as senti sem as ver e,

no coração se cravavam como pregos na cruz,

pela impossibilidade de lhes por cobro,

sorria para ti e sorríamos os dois,

escondendo as mágoas que a vida nos ia impondo,

que nos ia obrigando a enfrentar.

Lágrimas de mãe, tão salgadas como as outras,

mas muito mais densas e sentidas,

ainda que silenciosas e escondidas,

porque afinal são lágrimas de mãe

que dolorosamente sorriem aos filhos.


publicado por canetadapoesia às 00:41
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Mundo sem memória (2016-12-27)

 

 

E assim,

mais um ano se finda,

mais umas agonias terminam,

outras estarão para vir,

porque o mundo,

este mundo que habitamos,

não aprende nem entende

que seja diferente a forma de viver.

E então,

voltaremos a um novo mundo,

passadas que serão as badaladas

que a este dará fim,

porque outro ano se avizinha,

novo como convém,

velho como sempre,

de maleitas, ódios e guerras.

Um mundo sem memória,

Que se repete ano a ano!


publicado por canetadapoesia às 21:22
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Não sei de onde és (2016-12-21)

 

 

Não, não sei de onde és,

mas aproximas-te e falas comigo,

em inglês e assim activamos o diálogo,

que nunca devia ser interrompido,

entre nós,

um negro e um branco,

ambos cidadãos do mundo,

que se falam sem se conhecer,

que irradiam a simpatia

onde não se encontram as diferenças de cor

que impeçam a simples ligação humana.

Somos diferentes, eu sei,

na cor, na origem e até, imagine-se, no País onde vivemos,

e tão iguais nesta carnalidade que nos faz seres pensantes.

Ambos de África mas,

porque os nossos nos mandaram embora,

acoitados agora em Países que nos receberam,

e nos deram o que os outros nos negaram.


publicado por canetadapoesia às 01:21
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Amar o mar (2013)

 

 

Vogo agora sobre as águas calmas,

de um oceano ameno que,

há bem pouco se alterava,

formando vagas de tamanho assustador.

Tão depressa via o mundo do cimo das suas cristas,

como de imediato me sentia naufragado,

pela imensidão tormentosa da cava.

E, no entanto, apesar dos perigos,

o amor por ele é incondicional, atrai-nos,

como uma mulher por quem nos apaixonamos,

encanta-nos e até nos trai,

mas quem resiste a um grande amor?

Eu não, mesmo quando,

quase debaixo de água,

me sinto inebriado pelo amor que lhe tenho,

apesar da minha pequenez,

face às suas demonstrações de cólera.


publicado por canetadapoesia às 01:50
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

Pela memória (2013)

 

 

Acumulamos ao longo dos anos,

juntamos peça a peça, fragmentos soltos,

dentro da caixa a que chamamos cérebro,

e guardamos tudo,

os bons e maus momentos,

as alegrias e tristezas,

que pelo longo caminhar,

nos vão sempre acompanhando.

Dessa caixa hermética,

saem por vezes uns fiapos,

de algumas memórias passadas e,

se estamos de maré cheia,

traduzimo-las em palavras,

letras seguidas sobre papel branco.

Assim, concluímos que a memória,

é o escriba da alma,

dessa alma imortal apesar do corpo em que se aloja.


publicado por canetadapoesia às 22:22
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Faz tempo (2013)

 

 

Não te vejo faz tempo,

o tempo que não acalma, nem esquece,

o tempo que já faz sem te ver,

e esse tempo que na lembrança,

esquiva e longínqua se faz sentir,

é o tempo da saudade,

da distância que o tempo cria,

da vontade que ele volte atrás.

Mas faz tempo que não te vejo,

também faz tempo, muito tempo,

que te recordo, como se o tempo não tivesse passado,

e assim, parado neste tempo que não se aquieta,

relembro os momentos que o tempo,

quer fazer esquecer,

mas a lembrança é mais forte,

que o tempo que se faz memória e saudade.


publicado por canetadapoesia às 00:54
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Nesta Europa (2011)

 

 

Como em Belém,

na noite fria do inverno Europeu,

decorre o mês em que o menino,

nas palhinhas nascido,

se aquecia ao bafo dos animais,

e nestas ruas do desespero,

de tantos cidadãos empobrecidos,

por quem por eles devia olhar,

retraem-se enregelados,

nos farrapos e cartões,

que de abrigo lhes servem,

e o Natal que devia ser de paz e amor,

está nesta Europa,

afastado de tantos dos seus cidadãos.


publicado por canetadapoesia às 20:35
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2016

Ai que prazer (2016-12-22)

 

 

Ai que prazer senhores!

Estar e não estar,

ser e não ser,

sentir e talvez não.

Ai que prazer senhores!

Ver e não ver,

ouvir e nem por isso,

saborear e talvez não.

Ai que prazer senhores!

Andar e estar parado,

cantar e nem por isso,

apreciar e talvez não.

Ai que prazer senhores!

Sentir o fluir da vida

por estas artérias da minha cidade.

Ai que prazer senhores!


publicado por canetadapoesia às 21:27
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Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Pela idade (2013)

 

 

Vamos recuando no tempo,

à medida que com a idade avançamos,

e por muito que ele passe, a correr,

recordamos os momentos em que,

ele nos proporcionou outros momentos,

de paz, de alegria e amor,

os nossos momentos inesquecíveis,

que mesmo passando ou talvez por isso,

nos trazem ao presente que vivemos,

toda a nossa meninice,

e recordamos a felicidade de então,

como se de hoje se tratasse,

tanto que queríamos que fosse hoje,

essa felicidade que o tempo levou há tanto tempo.


publicado por canetadapoesia às 22:59
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Por uma fresta (2013)

 

 

Mal fechada, pensei,

entre o sonolento do acordar inesperado,

por uma coisa tão insignificante,

uma fresta, pequenina e quase invisível,

ainda assim entrava a rodos,

enchia-me a cama,

acertava-me nos olhos.

Meio abertos os olhos, viro-me para o local,

nada mais vejo que um ponto de luz,

tão pequeno como intenso e direccionado,

no seu rasto ficava um cone de calor e luz,

e ao alargar chegava-me a todo o corpo,

aconchegava-me o calor por sobre a coberta,

acordava-me invariavelmente à mesma hora,

e eu sabia que o dia era de sol e calor, de verão.


publicado por canetadapoesia às 21:27
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