Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

Para cima do avô (2017-03-03)

 

 

Cuidado!

Não vos quero em cima da mesa,

podem cair e magoar-se.

Saltem daí para fora!

Vá, que eu seguro, devagar.

Mas para onde vão saltar?

Vamos saltar… vamos saltar…

Para cima do avô!!!

E pronto, esta barriga onde já rareiam

estrias musculosas e firmes,

recebe mais um encontrão,

de pesos pluma, é certo, mas a que a velocidade

dá mais ímpeto e uma força de canhão!!!

Para cima do avô!!!

E são duas meninas…


publicado por canetadapoesia às 23:25
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Razões de vida (2013)

 

 

Porque bates no meu peito,

coração selvagem, domesticado,

se não for por uma forte razão,

que está presente em minha alma,

sem essa razão, porque havias de bater.

Bates e aceleras sempre que estás perto,

Do que mais admiro e amo,

as princesas que me alegram a vida,

que me marejam e embaciam os olhos,

sempre que nelas os deposito,

e que o coração se aperta de ternura,

por momentos de suprema felicidade.

Bates e bates mais forte,

e sentes o que sinto quando bates,

porque a razão está ali, bem à frente dos olhos,

bem perto de ti e da alma que as ama.


publicado por canetadapoesia às 00:11
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Domingo, 26 de Fevereiro de 2017

Cheiro a rua (2013)

 

 

Não era como as outras,

modernas arejadas e largas,

cheias de luz e candeeiros altos,

não, esta rua era uma rua com cheiro a rua.

Claro que o trânsito fluía nos dois sentidos,

mas o piso era empedrado com cubos de granito,

e ao longo dela corriam carris,

do que tinha sido uma inovação, os carros eléctricos,

existiram muito antes da febre dos automóveis que os imitariam,

e nesses carris ainda circulavam os velhinhos eléctricos,

a par de outros de construção recente, mais equipados,

com vidros fumados e ar condicionado.

Ambos circulavam nos mesmos carris sem se incomodarem com o feito,

lamentando que a cegueira do homem tivesse relegado,

para um plano de desperdício tantos dos seus irmãos,

aquilo que era uma mais valia de tempos remoto,

Jazia agora na sucata e clamava-se mobilidade eléctrica.

Mas a rua tinha mais, prédios vetustos, recuperados e bem tratados,

e na mercearia que ainda lá estava, o sr. Manuel,

amiúde conversava com o sr. Joaquim, o do talho,

e até na drogaria se discutiam os assuntos que aconteciam na padaria,

mas ao fim do dia acontecia o melhor,

reuniam-se à volta de uma mesa no café da rua,

antes de se recolherem ao descanso de suas casas,

para pôr em ordem os assuntos do dia.

Não, aquela não era uma rua como as outras,

era uma rua especial e que vinha de longe,

sobretudo era uma rua com cheiro a rua,

e as pessoas que nela viviam e sentiam o seu cheiro,

sabiam que eram pessoas consideradas,

seres humanos com defeitos e virtudes,

mas não eram números com certeza.


publicado por canetadapoesia às 01:23
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Saudades (2013)

 

 

Tenho tantas, de tantas coisas,

passageiras em alguns momentos,

mas palavra pesada pelo que trás consigo,

saudades eu sinto de coisas passadas,

dos tempos idos sem retorno,

mas saudade, saudade a sério,

daquelas que não nos largam a mente,

que nos apertam o coração,

nos inundam os olhos,

põem a alma a latejar,

dessas só tenho uma, imensa,

tão grande e inesquecível,

que uma vida não abarca em anos passados,

saudades de quem me deu a vida,

saudades intermináveis de meu pai.


publicado por canetadapoesia às 23:02
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

Similitude (2013)

 

 

Absorvido pelo brilhante metalizado da torneira,

fixei o pingo de água que se desprendeu,

soltou-se do fio que o conduzia,

caiu desamparado no lavatório e,

como num gigantesco microscópio,

dei por mim a seguir-lhe o movimento,

vi-o tombar, bater no fundo,

e com espanto, vi que um simples e frágil pingo,

se espalhou por uma vasta área.

Pensei com os meus botões, única forma de pensar para mim,

se fosse um pingo de amor,

que caísse do céu aos trambolhões nesta imensa terra,

e dessa queda surgisse uma enorme cadeia de micro pingos,

que ao espalharem-se livres, produzissem amor,

em quantidade e com a qualidade,

que o mundo merece e urgentemente necessita?


publicado por canetadapoesia às 23:59
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017

Pelo canto dos olhos (2013)

 

 

Serpenteiam entre o olhar e o ouvir do tempo,

em sulcos profundos, ou menos,

são pés, de galinha, dizem,

marcas que o tempo escreveu,

nos rostos que o olharam,

de frente, sem receios.

Nos mais afoitos,

que não lhe sucumbiram,

sulcou-os profundamente,

pés, sim, mas de avestruz,

tal a profundeza do cinzel.

Na alma, a mesma infância,

em que o sonho indestrutível,

esculpiu a esperança,

no humano que estes seres,

tristes ou alegres, mas sonhadores,

escreveu em golpes profundos.


publicado por canetadapoesia às 23:47
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E se de repente… (2013)

 

 

E se de repente, o céu ficasse azul,

brilhante e sem nuvens?

E se de repente, o sol brilhasse,

aquecendo o mundo frio que nos envolve?

E se de repente, a lua se enchesse de luz,

iluminando a noite escura que nos cerca?

E se de repente, na noite iluminada surgisse,

um concerto dado pela natureza em toda a sua força?

E se de repente, o mal fosse erradicado do mundo,

e em seu lugar surgisse o amor?

E se de repente, os sonhos se materializassem,

e o mundo os assimilasse sem reservas?

Que mundo maravilhoso seria!

E se de repente, o poeta se calasse,

deixasse de escrever poemas e odes de esperança à vida?


publicado por canetadapoesia às 19:06
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Quando me ponho a sonhar (2013)

 

 

Vejo um mundo perfeito,

sempre que me ponho a sonhar,

procuro não me distrair,

não parar o sonho seja pelo que for,

porque o sonho é a minha realidade,

sonhada, é certo, mas tão possível e tão sonhada.

Se acordo sem querer,

e me deparo com a realidade,

que me desenrola do sonho,

me tira o sorriso do rosto e,

me faz entristecer, envergonhar,

fico inerte perante ela,

porque afinal nada é como o sonho,

mas continuo com a esperança viva,

porque “Quando um homem sonha, o mundo pula e avança”.


publicado por canetadapoesia às 01:14
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Atravessei o oceano (2013)

 

 

Não, não queria mas fui forçado,

pela força bruta da boçalidade,

incapaz de entender as diferenças,

pela força bruta da inveja que se queria apossar

de tudo o que de bom existia, sem olhar a meios e,

com as inverosímeis ajudas, de quem trai sem ter consciência.

Atravessei o oceano, vim de avião,

deixei plantada nas costas de praias douradas,

a infância de uma vida, a vida de um amor,

a terra dos meus sonhos ficou em terra,

e eu vim de avião, forçado e empurrado.

Pelo esquecimento a que me impus,

larguei as areias grossas onde as ondas adormeciam,

abraçadas à terra que foi sonho

de meninos que outra não conheciam e que,

forçados cresceram lá longe,

fora dos seus terreiros de brincadeira,

sem os amigos que ainda hoje, apesar de tudo,

continuam a morar no coração que quer esquecer e não consegue.


publicado por canetadapoesia às 23:32
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Comemora-se (2013)

 

 

Afinal comemora-se, livremente,

e todos falam e afiançam veementemente,

que o fazem em liberdade, livres,

coisa nova, coisa pouca ou coisa muita,

mas coisa com certeza, ou não.

Ouvimos e abanamos a cabeça,

ganhámos a democracia, a guerra, a liberdade!

E que se diz aos que tudo isto perderam?

É a mudança, são os danos colaterais,

mas são pessoas, são gente como os outros.

Seres humanos apanhados na voragem da liberdade.


publicado por canetadapoesia às 00:39
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