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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

19
Fev17

No habitual (2013)


canetadapoesia

 

 

É andar de um a outro lado,

o habitual, correr para aqui e ali,

perseguindo o perpétuo movimento,

que a vida obriga a percorrer.

Latejando pela pressa,

coração a disparar em cavalgada,

desnecessária face às prioridades,

que definem as correrias,

como nefastas ao equilíbrio,

de uma vida que se quer feliz.

Então procura-se,

com o alargar da passada,

chegar mais cedo,

correr para a meta e,

na loucura da corrida,

se perde o essencial que a origina,

o encontro da felicidade.

19
Fev17

Desligando a vontade (2013)


canetadapoesia

 

 

Fazer pela vida tu fazes,

mas cada vez é mais difícil,

tentas das formas mais diversas,

esfalfas-te, suas as estopinhas,

mas os resultados não aparecem.

Vais desligando a tua vontade,

da realidade que se desintegra,

ao teu redor, à tua volta,

é a devastação da sociedade que conhecias,

desvias o olhar do frémito da tua vontade,

na desvirtualização da realidade que mereces,

vais perecendo no mais negro futuro,

apesar do brilho luminoso e instantâneo

que assumem os diamantes

que cegam a realidade desta sociedade.

18
Fev17

Ausência (2013)


canetadapoesia

 

 

Os sons chegam-me quase inaudíveis,

não é que estejam longe,

ou que sejam em surdina,

mas é que os ouço em repetitivas cantorias,

sonoridades sonolentas e rítmicas,

sem encanto, sem efeito, indolentes.

Encerro os meus canais auditivos,

não ouço o que não quero,

os sons que me chegam,

vêem quase silenciosos,

pequenos rumores se aproximam,

longínquos à minha audição.

Sinto-me ausente do ruído real,

ausente do discurso que me rodeia,

só deixo entrar o que quero,

mesmo estando presente, estou sempre ausente.

Vejo, falo, ouço, não vejo, não falo, nem sequer ouço.

Porque não quero e me recuso.

18
Fev17

Pai galinha (2013)


canetadapoesia

 

 

Parece uma contradição,

mas não é, nada contradiz,

bem pelo contrário, reforça.

Um pai pode ser “galinha”,

não no sentido literal da palavra,

mas no interesse que põe,

em tudo que aos pintainhos diz respeito.

Talvez fosse melhor dizer “uma galinha pai”,

não sei qual a melhor maneira,

de expressar o que se passa no coração,

e extravasa o sentimento.

Mas é assim, seja como for e qual a melhor,

as frases só são importantes,

pelo que transmitem e não pelo que dizem.

Mas sinto-me assim,

como em qualquer delas, sou sempre um pai,

que por vezes até pode ser galinha.

17
Fev17

Sentimentos sentidos (2013)


canetadapoesia

 

 

Emulsiono os sentimentos,

em verdes prados de ternura,

determino o momento de os soltar,

deste peito dorido em que se acoitam,

quando os solto, desenfreados,

correm-me pelo corpo em estertores

que desafiam qualquer lógica racional.

Perco-me neles e sinto-os,

desde a nascente ao poente,

começam no coração que se transforma

em batidas sucessivamente mais fortes,

percorrem-me o corpo em tremores e arrepios,

desaguam nos olhos em marés conflituantes,

derramam-se por terra em gotas de prata,

translúcidas e fertilizantes da vida.

17
Fev17

Suportando (2013)


canetadapoesia

 

 

Vamos suportando, de caminho em ruela,

tudo o que é intolerável nesta vida,

neste vasto cemitério em que se transforma a Pátria,

tão amada, como Camões a definiu,

tão maltratada como a vemos actualmente.

Vamos suportando a vergonha de quem estende a mão,

e que nesse pérfido movimento procura o pão,

que já não o alimenta, mas procura alimentar os filhos.

Vamos suportando este imenso caudal de injúrias,

que a Pátria devia colmatar com tudo o que lhe damos,

mas sente vergonha de defender os seus filhos,

porque olhos atentos, de fora desta terra, querem que seja assim.

Vamos suportando, as mentiras,

desconsiderações e faltas de vergonha,

de quem devia ter pudor na assumpção do insuportável,

os ais e as dores, de uma Nação que sofre pela falta de futuro,

deste povo que já não suporta mais.

16
Fev17

Algazarra (2013)


canetadapoesia

 

 

Quando os copos se levantam,

e as cabeças se inclinam,

para nos lábios os receberem,

sobressaem os olhos,

brilhantes, sorridentes e,

satisfeitos pela companhia.

A algazarra dispara,

em alegres e divertidas conversas,

em recordações inesquecíveis,

em pura alegria,

que do reencontro se faz vida.

Vidas que a vida acumula,

e o tempo adoça com ternura.

15
Fev17

O choro do combatente (2013)


canetadapoesia

 

 

Falou, falou, explicou e embargou-se.

Ali à sua frente imaginava o combatente,

empedernido em guerras que não gostaria de fazer,

mas que a honra da farda obrigaram,

e a defesa dos cidadãos impunha.

Ali, comemorava-se a data da liberdade,

o dia em que chegou finalmente ao fim o seu calvário,

o País estava livre, seria democrático e ele,

regressaria à paz que sua alma exigia.

E então falou, falou, explicou tudo o que aconteceu,

contou os seus sonhos, esperanças e desilusões,

com a voz embargada, a fala toldada pela comoção,

sacou o lenço para se assoar e de caminho,

secar as lágrimas que traiam a sua condição de ex-militar.

Forte e duro, justo e correcto, caiam-lhe as lágrimas,

e eu que assistia, deixei cair as minhas também,

e verifiquei que afinal, os combatentes são quem mais chora,

porque também são os que mais conhecem os revezes da luta,

conhecem as misérias da guerra e não queriam a paz de miséria.

14
Fev17

Fixo o olhar (2013)


canetadapoesia

 

 

Porque te olho tão insistentemente?

Porque não consigo desviar o olhar de ti,

porque os meus olhos estão esfomeados,

de olhar os teus e fixar o que vai dentro deles,

olho-te com prazer, com paixão, com devoção mesmo,

porque estou sedento de ti, saudoso.

Quando se fixam em ti, brilham,

brilham muito mais, porque de dentro deles,

bem no fundo deste olhar à uma ternura imensa,

que se esgota dentro do teu, sobre ti,

e na ânsia de me apoderar de cada momento,

olho-te, fixo-me em ti e deixo o olhar brilhar,

com as lágrimas que se soltam,

de dentro de meu coração e fogem,

correndo pelo canal lacrimal até me nublarem o olhar,

quando olho para ti e fixo o olhar.

13
Fev17

Passam por mim (2013)


canetadapoesia

 

 

Passam lestos por mim,

a caminho de não sei onde,

correm a vida nos pés que se arrastam,

sem apreciarem a paisagem.

 

Passam lentos por mim,

mãos descontraídas,

devagar, sem destino,

que a vida fez-se para se apreciar,

e olham, suspendem a passada,

e num voltar de cabeça,

abarcam todo um mundo que os rodeia.

 

Passam lestos ou passam lentos,

mas passam por mim, no Rossio.

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