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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

07
Fev17

Apreciavam o pôr do sol (2013)


canetadapoesia

 

 

Chegava ao fim mais um dia extenuante de,

brincadeira e aventura que bastasse a um regimento,

mas éramos só três, cada um no seu galho,

nas mãos uma deliciosa, fresca e natural manga,

acabadinha de descascar com os dentes,

chupa-se agora o caroço e,

ao mesmo tempo descia no céu o sol,

ia abrigar-se para a noite,

ia descansar do dia quente que tinha oferecido,

a tantos meninos que da rua,

faziam o seu campo de treino para a vida.

Deliciados com o colorido do rei das estrelas,

absorviam-se a vê-lo descer e lentamente adormecer,

nas mãos, sobre aqueles ramos de mangueira,

as mangas doces e maduras,

que os sustentavam das canseiras do dia.

07
Fev17

Passa por mim veloz  (2013)


canetadapoesia

 

 

Sinto que passa, por mim também,

a que velocidade!

 

Quando me olho ao espelho,

e no canto dos olhos reconheço a idade,

que apesar de ser de calendário,

nada representa do espírito,

mas está lá, bem à vista.

 

E a cabeleira farta,

orgulho de outrora,

continua farta, mas,

passando-lhe a mão se nota que aqui e ali,

vão desmaiando alguns traços,

quase todos brancos,

cativador de olhares de admiração,

da vaidade de então.

 

Os anos passam e eu estou muito mais velho,

mais maduro não sei, ignoro essas coisas,

penso mesmo que estou a regressar à meninice,

porque não olho o mundo com as preocupações,

de outras alturas da vida.

 

Sinais de que estou melhor como pessoa,

que mudei para o mundo e os que me rodeiam,

que tenho de agradecer o milagre a quem mo tem proporcionado,

especialmente a quem me seguirá, os meus filhos,

sobretudo a quem nunca esquecerei, as minhas netas,

meninas agora, mulheres do futuro.

06
Fev17

Metades de ti (2013)


canetadapoesia

 

 

Modelo-te o corpo nos meus prazeres sentidos,

desvendo-te em mim na força dos meus desejos,

repartes-te comigo em metades de ti,

a que ciosamente resguardas em teu peito,

e a que, generosamente me dás a saborear.

Sacio-me com a pujança da minha procura,

e sobre a doçura da tua oferta,

me deixo em ti,

recebendo-te em minha alma.

03
Fev17

Deixei-me flutuar (2013)


canetadapoesia

 

 

Deixei-me ir para além das vontades reprimidas,

saltando a represa das concepções castradoras,

deixei-me ir ao sabor dos teus sabores,

nas ondas que me proporcionavas,

vagueando ao sabor das marés que subiam e desciam,

enchendo as praias de meus sonhos.

Deixei-me marinar sobre teus ais,

e das nuvens em que me encontrava,

desci à terra prometida e,

no teu paraíso me deixei flutuar.

03
Fev17

Nos teus olhos (2013)


canetadapoesia

 

 

Nos teus olhos uma imensa tristeza,

pela dureza de uma vida que não tinha de ser assim.

Nos teus olhos uma imensa nostalgia,

pelo sonho de Abril que te vêem roubando.

Nos teus olhos.

Nos teus olhos a frustração,

porque acreditaste ser possível ter dignidade.

Nos teus olhos a desilusão,

porque te tiraram o sonho que sonhaste ser possível.

Nos teus olhos eu vejo os meus,

e neles se reflectem milhões de outros.

Nos teus olhos.

02
Fev17

Sair da problemática (2013)


canetadapoesia

 

 

Há prazeres inusitados que por o serem,

mais nos agradam.

Entrar na aula e deparar com alunos que conseguiram,

saíram da problemática em que suas vidas tombavam,

seguiram em frente, ultrapassaram barreiras, subiram a pulso, diria.

Agora na universidade,

logo que me vêem entrar na sala, me saúdam com carinho,

e eu sorridente, satisfeito por eles,

sorrio interiormente, porque da minha parte,

garanto que me esforcei e afinal foi tão pouco o que fiz.

Bastou-me compreensão, entendimento e um pouco de carinho,

e eles perceberam que ali, não estava um professor, estava um amigo,

e eles, que saíram da problemática, ali estão, na universidade.

O nosso ego satisfaz-se com tão pouco como isto,

a ajuda, a compreensão e o bem que se faz a quem precisa,

e o bem que nos faz saber que sem grandes parangonas,

podemos estar na origem de uma mudança,

pequena, talvez, mas que tanto significa,

para eles que saíram da problemática de uma vida sem rumo,

para nós, cujo dedo apontou e incentivou outros rumos.

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