Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Olhar interno (2013)

 

 

Olho para dentro,

bem no fundo do meu peito,

e a tua ausência,

faz-se presença,

num cantinho do meu coração.


publicado por canetadapoesia às 01:03
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Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Não é suficiente (2013)

 

 

Que posso eu fazer?

Tão atado de mãos que mal me mexo?

Só me resta o papelinho,

que de tempos a tempos,

se esforçam por me fazer rendê-lo a seu favor,

e isso não é suficiente.

Ponho o papelinho a render-vos dividendos,

mas pelo menos,

mostrem que são capazes de o capitalizar.


publicado por canetadapoesia às 00:44
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Quarta-feira, 29 de Março de 2017

Arco-Íris (2017-01-24)

 

 

Hoje olhei o céu,

escuro, cinzento como breu,

chuva intensa, pesada,

de longe a longe,

trovões e relâmpagos.

Para além,

até onde minha vista tenta alcançar,

desenhava-se uma minúscula,

uma quase imperceptível abertura,

dentro dela e bem recortado,

distinguia-se um belíssimo arco-íris.

Como na vida,

quando os dias escurecem

e quase nos tiram a vista das coisas,

há sempre, algures, uma abertura,

nela encontramos o nosso arco-íris.


publicado por canetadapoesia às 01:25
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Terça-feira, 28 de Março de 2017

Melro (2013)

 

 

Vês ali naquele ramo?

O melro saltita,

volta-se e torna a saltitar,

sem medo, sem receio.

Não há aqui predadores,

nada que o assuste.

Encontrou o seu éden.


publicado por canetadapoesia às 18:46
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Gente (2013)

 

 

Gente aos montes,

gente aos molhos,

gente sedenta da cultura que é vida,

gente para quem o pouco oferecido é muito,

gente e mais gente,

muita gente,

gente à procura da música,

gente que gosta de ouvir,

gente que gosta de se cultivar,

gente que devia ser educada,

gente que devia respeitar o básico que a vida impõe.


publicado por canetadapoesia às 00:10
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Recolhendo a sabedoria (2013)

 

 

O tempo, sempre o tempo,

com ele marcamos o compasso da vida,

contamos os dias e os anos,

somamos conhecimento e saber,

acumulamos experiência no tempo,

com ele vem a lucidez,

que a vida engrandece,

com o tempo que o tempo tem.

Com o tempo excedido,

gasto e acumulado em demasia,

em saberes, em sabores, em amores,

o tempo reclama-nos,

com o peso do melhor que somos,

em acumulações e experimentações,

com emoções engrandecidas,

reclama-nos porque ultrapassámos

tudo o que o tempo permitiu.


publicado por canetadapoesia às 00:07
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Domingo, 26 de Março de 2017

Nas fortes árvores (2013)

 

 

Bate de mansinho, vai correndo entre os ramos,

aumenta a pressão e já se notam as copas,

outrora frondosas e orgulhosas da sua distância à terra,

abanarem, estremecerem pela imensa robustez,

que cresce e se afunila em sua direcção.

Um vendaval assim é agora,

forte, irresistível, devastador e demolidor,

nada escapa à sua passagem e aumenta,

cresce a força com que fustiga os ramos incautos,

que de tanta vaidade se deixaram enredar por ele,

sem se precaverem, são quebrados, espalhados por aí.

Na sua fúria, o vento tudo leva à sua frente,

porque deixou de encontrar resistência,

porque se afunilou como um só,

na direcção correcta em que o impacto é maior,

destrói, derruba e cria também,

espalhando as sementes de uma nova colheita,

que se espera mais segura, menos vaidosa e,

sobretudo, não tão longe da terra.


publicado por canetadapoesia às 23:18
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Passageiros do tempo (2013)

 

 

Somos o que somos e nada mais,

passamos pelo espaço que o tempo nos concede.

Somos passageiros do universo,

temos tempo limitado de ocupação,

deste espaço que nos concede tempo.

Estamos de passagem.

O cronómetro está ligado marcando o tempo,

desde o dia em que pela vez primeira ocupámos espaço e,

em passageiros do tempo nos transformámos.

Pára o cronómetro, e o tempo que nos deu tempo,

para ocuparmos o espaço que no universo nos reservou,

reclama-o agora, por falta de espaço,

para dar tempo a outros tempos.


publicado por canetadapoesia às 21:51
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Sábado, 25 de Março de 2017

Círculos da vida (2013)

 

 

Olho para o futuro,

só vejo passado,

com a limpidez que a vista permite,

revejo os círculos da vida,

em contínua repetição.

E não há ninguém que os quebre.


publicado por canetadapoesia às 23:44
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Arestas (2013)

 

 

Arestas,

afiadas,

que cortam,

que ferem,

que matam.

 

Arestas,

que se limam,

que se arredondam,

que se despem da maldade corrente.

 

Arestas,

que podem atingir uma perfeição grosseira,

como os calhaus que no rio,

a corrente vai desgastando até à foz,

e nesse percurso se arredondam e aveludam.


publicado por canetadapoesia às 23:40
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