Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

Escura como breu (2011)

 

 

Vejo que te aproximas lentamente,

e a dado momento,

corres com maior velocidade.

E vejo-te descer sobre a terra,

adormeceres o sol,

e num repente,

és escura como breu.

Sinto-te nos olhos que pestanejam,

acolho-me ao quente dos lençóis,

e a noite cobre-me das estrelas que despontam,

brilhantes e cintilantes no piscar,

para que meu sono seja sereno.


publicado por canetadapoesia às 15:05
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

Humilhação (2013)

 

Primeiro vieram de mansinho,

a troco de tostões exigiram exames a quem,

toda a vida foi examinado e até passou alguns,

fervorosos adeptos do neo-liberalismo selvagem,

por favor e piedade de tanta ignorância,

que se vingam agora examinando os examinadores.

 

Chegaram e esqueceram-se que viveram,

que foram culpados por males ainda não totalmente esclarecidos,

vieram das esquerdas que nem as esquerdas queriam,

pintaram a manta, destruíram o que puderam,

criaram comités, grupos de trabalho e até tribunais populares.

 

Cresceram e prosperaram nos bons tempos que agora criticam,

tomaram lugar nos melhores assentos dos mais diversos pelouros,

interna e externamente se foram metamorfoseando,

e quais crisálidas inocentes à direita se posicionaram,

evoluíram materialmente, diminuíram moralmente.

 

Chegaram e humilharam os professores, examinando-os,

que a eles ninguém examina e,

têm mais responsabilidades perante o país e o povo,

depois, depois sabe-se lá o que inventarão,

mas certamente escolherão outros alvos a humilhar.

 

Até que um dia, a humilhação atinja os limites de não retorno,

e as almas não se lavem mais com os males do lado,

se levantem e digam basta!

E nesse dia saberemos se será tarde demais.


publicado por canetadapoesia às 22:23
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Na horta (2013)

 

 

Palpitavam serenas e espaçadas,

várias espécies comestíveis que,

com o carinho de quem trata filhos,

sobre elas se debruçava.

Da conversa entre o humano,

e as espécies vegetais presentes,

resultam as viçosas iguarias,

que enfeitarão qualquer prato.


publicado por canetadapoesia às 22:20
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Lista de amigos (2013)

 

 

Também queria fazer uma lista de amigos,

e nela pôr por ordem crescente,

os nomes de cada um deles, assim uns atrás dos outros,

este é mais amigo, aquele é o segundo e por aí fora.

Queria disse eu, não me enganei,

queria, mas não consegui,

tremia-me a mão, fugia-me o olhar,

saltava nomes, renumerava a lista,

nada, não saía lista nenhuma, não consegui.

Porque amigo não tem ordem, amigo não é,

mais do que, ou menos do que,

amigo é amigo e nada mais que isso,

não pode ser primeiro, segundo ou outro qualquer.

Amigo é isso mesmo, amigo.

Não tenho lista, não consigo fazê-la,

mas tenho amigos, muitos amigos,

e em todos eles eu vejo um só número,

uma única ordem e estão alinhados sim,

mas lado a lado,

numa extensa fila horizontal.


publicado por canetadapoesia às 00:14
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Terça-feira, 18 de Abril de 2017

Futuros ansiosos (2011)

 

 

No encontro a explosão,

no abraço, a imensidão,

no beijo, a ilusão,

no amor, a conclusão,

na separação, a saudade.

Que de futuros ansiosos,

nada podemos adivinhar.


publicado por canetadapoesia às 00:29
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Choro do homem II (2011)

 

 

Porque choram os meus olhos,

se os continuo a secar,

de cada vez que uma gota tenta saltar,

para longe do coração?

 

São talvez os escolhos de uma vida,

que ainda não acabada de viver,

já sente o desespero do nada.

 

E eu choro,

e sou homem,

mas os homens também choram,

e não é pouco.


publicado por canetadapoesia às 00:27
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Domingo, 16 de Abril de 2017

Fome (2012)

 

 

Privilegiado é como me sinto!

Ainda não passo fome,

mesmo que ao longe distinga os seus contornos,

vou flutuando sobre este mar tempestuoso,

onde as ondas me levam ao descaminho,

de futuros imprevisíveis.

Não, ainda não passo fome!

Mas vou rareando as ajudas a quem o passa,

não porque não queira ajudar,

mas pelo simples facto de ir atrasando a minha fome.

E, portanto, sou um privilegiado.

Ainda não passo fome!


publicado por canetadapoesia às 20:37
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Em cada gota (2012)

 

 

Em cada gota do teu choro,

nova vida se propicia.

Porque em cada uma delas,

propões a renovação,

a criação da vida que nos rodeia.

Em cada gota do teu choro,

sinto o renovar da esperança,

porque vêm repletas da mágoa que sentes,

por cada olhar que deitas sobre a terra.

Chora céu,

Derrama sobre nós as gotas de teu choro,

enche-nos da tua esperança,

cria em nós o acreditar que,

haverá futuros promissores.


publicado por canetadapoesia às 20:37
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Sábado, 15 de Abril de 2017

Paralelos (2012)

 

 

Traços contínuos ou alternados,

mas infinitamente paralelos,

quererei dizer que nunca se encontram?

Se fossem linhas rectas assim seria,

na escrita as linhas não são muito rectas,

por vezes encurvam-se de forma convexa,

outras vezes de forma côncava,

e seguem apondo letras atrás umas das outras.

E se escrevo de forma autónoma,

sem me apoiar em linhas rectas e paralelas,

contínuo independente,

escrevendo para mim e quem queira ler,

aceitando que me emendem nos meus erros,

que são muitos, mas meus e assumo-os,

escrevendo paralelamente,

e talvez um dia, com coincidência de encontros.


publicado por canetadapoesia às 00:49
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

Na cabeça (2012)

 

 

Um vazio se impõe,

a esta cabeça adormecida,

e vejo o tempo passar,

devagar, devagarinho,

olhando à minha volta,

numa sensação de nada.


publicado por canetadapoesia às 11:37
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