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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

11
Mai17

E se um dia… (2011)


canetadapoesia

 

 

E se um dia acontecer, olhar o céu e ver estrelas,

senti-las tão próximas,

que só o olhar nos acelera o coração.

 

E se um dia acontecer, esticar uma mão para o céu,

sentir que a ponta dos dedos,

tocam a superfície da lua e,

sentem o enrugado das suas montanhas.

 

E se um dia acontecer, sentir a alma cheia de luz,

tão intensa que não saiba justificar,

um coração tão grande que não me caiba no peito.

 

Se um dia acontecer,

saberei que sou uma pessoa com sorte,

não que me saia a lotaria, mas porque sou feliz.

Já vi as estrelas e senti a lua,

não me saiu a lotaria mas sou feliz.

10
Mai17

No horizonte (2011)


canetadapoesia

 

 

No meu horizonte,

que é curto,

perpassa um mundo,

que nunca conheci.

No viajado,

que é mais curto que gostaria,

atravessa-me a gratidão,

pelo conhecimento adquirido,

de tanta coisa diferente,

num mundo igual mas diferente.

Somos todos iguais,

somos todos diferentes,

e nesta mistura de diferenças iguais,

se faz um mundo que se quer habitável.

09
Mai17

Sumidades (2011)


canetadapoesia

 

 

Este é um pequeno País,

mas tão grande que me espanta,

temos o maior futebolista do mundo,

também temos o maior treinador de futebol,

já tivemos um presidente da assembleia geral da ONU,

temos um presidente da Comissão Europeia,

temos um comissário para os refugiados,

temos novecentos anos de história,

e não é pouca coisa para um cidadão se sentir orgulhoso.

Mas então porque é que eu cidadão,

que nem imagino aproximar-me de tanta sumidade,

a única coisa que tenho é fome?

08
Mai17

Invenções (2012)


canetadapoesia

 

 

Pela lei e pela grei.

mas a lei é forjada pelo homem,

e a grei é uma invenção,

que do mesmo homem saiu,

para os iguais enganar.

07
Mai17

Dia da minha mãe (2013)


canetadapoesia

 

 

Tirando o de hoje,

todos os dias são os teus dias,

e em todos eles me lembro de ti,

porque és o rochedo que me deu vida,

aquele para onde tantas ondas,

furiosas e assustadoras,

me atiraram e ao qual me agarrava,

como lapa na rocha, com o espírito de sobrevivência,

que só numa mãe o filho encontra,

é o teu dia, de reconhecimento mundial,

mas é só mais um dia ,

do meu reconhecimento como teu filho.

07
Mai17

Todos iguais (2011)


canetadapoesia

 

 

A festa decorria normalmente,

as meninas saltavam e dançavam,

cada uma para seu lado,

que raras eram as que acertavam,

nos graciosos movimentos da professora.

A meu lado um casal,

também eles com uma menina na dança,

ela atenta à filha e aos seus movimentos,

ele atento ao filho de colo e às brincadeiras com ele.

Não evitei o meu curioso olhar, disparei-o na sua direcção e,

para dentro de mim cogitei, somos na verdade todos iguais.

Aquele casal, na sua diferença,

ela muito clara, quase nórdica,

ele decididamente africano,

as crianças, nem muito claras nem muito escuras,

estavam ali pelo meio naquela cor de futuro,

e o carinho que cada um proporcionava aos rebentos,

era digno de emocionar o mais empedernido,

somos na verdade diferentes, mas todos iguais.

07
Mai17

Falando de prazeres (2011)


canetadapoesia

 

 

Podem simples ou complexos,

fáceis ou rebuscados,

os prazeres dependem de quem os sente,

mas também de quem os desperta.

O que nos dá realmente prazer,

pode ser simplesmente,

tão simples e prazenteiro,

como um almoço numa esplanada,

uma taça de vinho branco, gelada,

e um peixinho grelhado no prato,

mesmo que a mulher na mesa ao lado,

seja a personificação da miss qualquer coisa.

O prazer tem horas, tem momentos,

e nessa altura, a alma sente,

o prazer que o corpo deseja.

06
Mai17

A saudade antecipada (2011)


canetadapoesia

 

 

Desceu à doca,

percorreu o finger,

aproximou-se do sonho,

deu umas passadas à sua volta,

apreciou-o como nunca o tinha feito.

De repente bateu-lhe uma saudade,

daquele objecto de prazer ainda presente,

mas a quem estava prestes a dar asas.

Levantar ferro, na linguagem adequada,

para outras paragens,

para outros corações,

para outros sonhos.

Que lindo ele estava ali,

Ao sol dourado do início de dia,

brilhava como nunca e mantinha-se irrequieto,

como sempre, ao sabor das pequenas ondas,

não fora os cabos que o prendiam em amarração,

estava certo partiria desenfreado por aquelas aguas,

galgando ondas, fazendo bordos,

e a 45º de inclinação, atingiria o sumo do prazer,

na velocidade estonteante que o vento lhe permitia.

Correu-lhe as mãos sobre o casco,

afagou-o tanto como pode,

despedia-me antecipadamente e,

se não fosse a chuva caída na véspera,

diria que também ele deitou uma lágrima.

06
Mai17

Ardente (2011)


canetadapoesia

 

 

O sol entrava a rodos,

tinha acabado de cair aquela chuvinha,

miudinha, “molha tolos”, dizem,

e de repente, sem que se esperasse,

perante tão negro quadro,

abrem-se as portas do céu,

e do azul celeste intenso,

aparece o sol ardente,

procura-me com seus raios,

atinge-me com a força do seu calor.

Cerro os olhos a tanta claridade,

encho o peito ao prazer que sinto,

sorrio interiormente,

com a alma cheia e agradada.

05
Mai17

Amores (2011)


canetadapoesia

 

 

Do recanto que ocupo,

a vista alarga-se abrangente,

e ao longe, bem para a frente, distingo,

por estes pingos de chuva que teimam em cair,

a estrutura imensa que o homem sonhou,

a agora eleva-se impante sobre as águas,

sobre o rio que lhe serve de leito.

Ao longe é uma pérola,

Brilhante sobre estas águas,

ao perto, um prodígio da engenharia,

e à noite, que maravilha,

quando se acendem as suas centenas de luzinhas,

tremelicando sob as estrelas, concorrendo com elas,

sob o plácido olhar do Cristo Rei,

desperta em nós os efeitos,

dos prazeres e dos amores.

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