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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

31
Ago17

Insistência (2015-04-21)


canetadapoesia

 

 

Porque insisto não sei

mas sei que o faço amiúde,

quase sem ter a noção,

quase sem saber o que faço.

Mas faço-o e o que vejo não estranho,

vejo um rosto envelhecido,

vejo uma vida vivida

que se expressa pelos cantos dos olhos,

que se pinta pela cor dos cabelos.

Não sei porque insisto,

não sei o que espero encontrar,

mas sei que é o retrato

do caminho percorrido.

29
Ago17

Admito (2015-02-13)


canetadapoesia

 

 

Admito só uma forma de abate,

não aceito em vão o seu derrube,

e só para a nobre função da pasta,

consigo aceitar que se mate.

Olho para ela e vejo, no seu altaneiro porte,

a elegância, a forma e a importância da sua vida.

Respiro e sinto o ar, impregnado do oxigénio

que alimentando meus poros, me garante a vida na terra.

Como posso aceitar que outro ser, seja facilmente abatido,

deixando os viventes mais pobres?

Não, não aceito que aconteça e,

só o aceito com pesar,

para ser transformada em pasta,

em papel, em livros incandescentes,

de almas buscadoras de leituras,

de conhecimento e saberes.

22
Ago17

Apressados (2014-10-28)


canetadapoesia

 

 

Entram a correr, apressados,

encostam-se ao balcão,

pedem um café,

sôfregos,

engolem-no de um trago.

Sentem a adrenalina a subir,

trepa-lhes o corpo,

atinge-os no cérebro,

desencadeia reacções e,

sentem-se, enfim,

preparados para um novo dia,

prontos a enfrentar o stress que esta vida,

mais que qualquer outra coisa,

lhes proporciona em quantidade.

22
Ago17

Uma brisazinha (2014-10-06)


canetadapoesia

 

 

Manhã cedo e já corre,

porque entre as folhagens,

bate no rosto e resvala,

pelo corpo se atravessa.

Sente-se já,

como anunciando o início

de uma época de parco calor,

e o sabor dos lençóis,

quentes e apelativos,

vêm-nos à memória,

à medida que esta brisazinha,

nos cerca e açoita.

Que bem nos sabe o calor,

que dos lençóis,

nos enche a alma,

que o corpo adormece.

20
Ago17

Primeiros raios (2017-06-08)


canetadapoesia

 

Começaram a entrar timidamente

por entre a folhagem espessa que cerca a área protegida

do lazer e da piscina.

Lentamente e com eles aparecem os alados autóctones,

habitantes da zona verde, arborizada e tranquila

da paisagem do fim de semana.

Pousam sobre a relva e afundam as minúsculas cabeças

por entre o verde da relva ainda húmida do orvalho da noite,

debicam aqui e ali na sua profundidade e catam

coisas que só as aves sabem ser deliciosas.

Buscam alimento, migalhas ou simplesmente

pequenas sementes que encham os papos de tão alegres animais,

que afinal,

são parte desta paisagem de paz e tranquilidade que nos rodeia.

É o mundo, a natureza, o universo que desejamos em harmonia.

12
Ago17

Ventos e ventanias (2017-05-08)


canetadapoesia

 

 

Sentindo-o assim tão forte,

zumbindo-me ao ouvido

soltando-me os cabelos

desequilibrando-me até,

me imagino que também para além do agreste,

pode haver nele algo de diferente.

Sinto por vezes a sua mansidão e sopra-me baixinho

nos mesmos ouvidos em que desesperado,

sopra raivoso e agressivo

e diz-me coisas de encantos,

embala-me o sono e empurra até mim sonhos

que nem imaginei ainda.

Uma brisa, só um pequeno sopro

e a vida correrá suave e os sonhos serão sonhados.

Uma rajada forte e agressiva e as ondas da inquietação

revolverão a mesma vida que podia ser de mansidão.

11
Ago17

Porque sinto e sofro (2017-08-10)


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Porque a vida tantas vezes madrasta

não escolhe os alvos a atingir e eu sofro quando tu sofres!

Aperta-me o coração e magoa-me a alma quando te vejo triste

e amargurada com esta vida que não te contempla

com o céu que na terra que pisas e mais que ninguém merecias.

Sinto um aperto e uma angústia por incapacidade própria,

porque não consigo dar-te o paraíso que mereces e,

sofro contigo e choro contigo,

porque sinto que a vida não te dá o que deveria dar

e eu, não tenho como fazê-lo.

Sinto contigo e sofro contigo,

porque sei que o melhor do mundo seria pouco

e eu não compreendo porque ela te retira a felicidade

que devias ter e que eu tanto desejava que assim fosse

e por isso sofro contigo e choro sempre que te vejo chorar.

10
Ago17

Faz frio e calor também (2017-05-10)


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É que faz frio, mesmo estando calor!

São arrepios a percorrer a espinha

e no entanto,

está um calor de derreter.

Mas faz frio, mesmo estando calor!

É inadaptação a tanta mudança

é a incapacidade de acompanhar o tempo.

E faz frio, mesmo estando calor!

09
Ago17

Simplicidade (2017-06-21)


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De sandálias calçado,

com as mais velhas jeans vestido

e uma simples T-shirt,

se apresentava no dia a dia

dos seus prazeres primeiros.

Viver, deixar viver e,

sobretudo,

aprender a conhecer,

apreciando o que pela vista lhe entrava

em catadupas desordenadas que depois,

pacientemente alinhava,

segundo as ordens que da alma recebia.

Vivia!

Com amor e prazer agradecido,

por tudo o que a vida lhe oferecia.

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