Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

Amolecido (2017-08-28)

 

 

No sabor do escaldante dia

se sentia o abafo de um impiedoso sol.

Não havia sombra,

nada havia que refrescasse o corpo,

nem na passagem de outros apelativos corpos,

este nosso, se dignava mostrar-se vivo e

acutilante perante curvilíneas figuras.

Amolecido de calor,

Assim se encontrava.

Decorria a tarde de mais um dia da vida,

o corpo correspondia na sua lassidão,

não se mexia e nada o faria deslocar-se

da sua posição de espera e observação.

Via coisas, via gentes, via mundos,

mesmo assim, inerte!

Que este calor o adormece

para as coisas da vida que,

indiferentes, ao mesmo sinal o disputam.


publicado por canetadapoesia às 00:29
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Para que sim (2017-08-26)

 

 

Porque a utopia é necessária

para que os sonhos se desenvolvam

e porque olhamos a lua

querendo alcançá-la,

não deixamos nem queremos

deixar de tentar que a realidade,

que nos dias actuais nos avassala,

seja modificada em prol dos sonhadores.

Porque é com sonhos que o mundo

se desloca do seu habitual eixo

e se move para novos mundos

que nos obrigam a sonhos redobrados

para que a utopia seja realidade.

Para que sim!

Porque sim!


publicado por canetadapoesia às 22:13
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O interior (2015-05-22)

 

 

Este não é do nosso País,

está definido como sendo de outro País,

este não é o nosso interior,

porque é o interior de outro País.

Pasmo eu com estas coisas,

do que é nosso, do que não é nosso,

e olho, e perscruto, e procuro,

e na verdade, não encontro nada,

não vejo o que justifique tal divisão,

o nosso, o que não é nosso.

Encontro vida neste não nosso interior,

e pessoas, e gentes, e quem viva

o interior com a dignidade da vida,

aqui encontro alguma diferença,

entre o não nosso e o nosso próprio,

a diferença de interiores,

de dignidades com que se vivem,

a grande diferença das importâncias,

que se atribuem a cada um dos interiores.

Afinal, somos só dois Países, somos vizinhos,

nesta proximidade e vizinhança nos chegamos,

e somos famílias, e somos ambos,

de um e outro lado destas fronteiras inexistentes

mas desenhadas num papel,

ambos vizinhos, ambos de diferentes Países,

ambos do mesmo esforço comum,

ambos em crise, mas tu melhor que eu.


publicado por canetadapoesia às 00:13
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Quinta-feira, 7 de Setembro de 2017

Senti-te em mim

 

 

Quando a tua pequena mão,

no meu dedo se enrolou,

senti um fugaz relâmpago,

que meu coração iluminou.

E dessa vida que já é vida,

veio a sensação de que entre nós,

algo se havia trocado,

ainda não um olhar,

mas uma pequena comoção.

Finalmente conhecemo-nos,

carne com carne,

coração a coração,

e nesse preciso momento,

apaixonei-me por ti.


publicado por canetadapoesia às 00:01
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2017

Caiu-me a nuvem no prato (2015-03-04)

 

 

Reflecte-se e vejo-a,

ali mesmo, no prato,

caiu-me a nuvem no prato,

e levantei ao céu a cabeça,

penso na nuvem, penso no prato,

decido-me pelo segundo,

porque a primeira brilha,

enche-me o prato de glamour,

que só as altas nuvens possuem,

inunda-me a alma,

mas o segundo, esse sim,

o segundo enche-me o prato também,

mas enche-me a barriga,

apesar de manter a alma,

isenta de enchimento.


publicado por canetadapoesia às 23:40
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Sorriam… (2015-02-17)

 

 

Debaixo de tantos sorrisos,

alguma amabilidade e até,

palavras de solidariedade,

escondia-se a hipocrisia,

que eu, nada mais que um mero passante,

senti nas costas como lâmina afiada,

a traição que achava não merecer.

Porque assim era não sei, a não ser uma hipótese,

que nem sequer merecerá ser uma tese.

Era a sombra,

do que tinham medo, era da sombra que porventura faria,

que nunca fiz nem imaginei fazer,

que lhes trazia o medo infinito, de deixarem de brilhar ao sol.

Tristes coitados que de uma simples e hipotética sombra,

sentem o terror das suas vidas,

e traem nos pormenores mais abjectos.


publicado por canetadapoesia às 00:18
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