Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Treme a terra (2018-01-15)

 

 

Sente-se muito ou não se sente sequer

quando a terra gtreme e tudo estremece.

Porque aqui também tremeu e eu

não senti nada de nada,

consta mesmo que a escala atingiu

quase o meio da tabela e,

não senti nada de nada.

Deixo as pessoas incrédulas porque

não senti nada de nada.

O facto de não sentir a terra tremer

não faz de mim um insensível,

talvez um pouco distraído, nada mais.

Se de sensibilidade falarmos vos digo,

que sim, sou até muito sensível,

não a tudo,

talvez seja mesmo selectivo em matéria de sensibilidade,

há coisas que que me despertam mais os sentidos,

a terra tremer, se não for muito perto,

passa-me despercebida,

porque a terra tem muito mais coisas que me despertam

para sensibilidades muito maiores.


publicado por canetadapoesia às 23:53
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Lendas

 

 

Na paranóia da história,

o eco das lendas obscuras,

de ovnis ou discos voadores,

portadores de tantos presságios,

senti que, como na Idade Média,

por entre erráticas alusões a espíritos,

e outros mais que nos povoavam o imaginário,

careciam todos de efeitos práticos,

que o narrar dos seus efeitos pedia.


publicado por canetadapoesia às 23:57
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Picaste-me

 

 

Devia tentar segurar-te de todas as formas,

e todas elas foram infrutíferas.

Devia pegar-te por cima e picaste-me,

segurei-te mais abaixo e voltaste a picar-me.

Devia ter logo percebido, mas demorei algum tempo.

Devia estar habituado com os picos da vida e não estava,

não consigo habituar-me.

Devia saber que é da natureza das coisas,

que cada uma tenha a sua própria reacção,

a sua própria defesa.

Devia saber que não somos todos iguais.

Devia saber que alindas as casas, os muros e os jardins.

Devia ter a noção de que afinal eras um cacto.


publicado por canetadapoesia às 23:49
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Enraivecidos (2018-01-07)

 

 

Vomitam ódio a tudo o que seja diferente das suas opiniões

não aceitam que alguém possa pensar diferente

exprimir outras vontades, outros sentires ou até,

imagine-se a ironia da ironia,

ironizar com coisas que férrea e cegamente defendem

como a luz de todos os olhares.

Insultam como linguagem normal

de seres que se julgam civilizados e educados,

mas não suportam que alguém lhes diga o contrário

daquilo em que acreditam e constituem como verdade absoluta.

São os arautos dos novos e tormentosos tempos

da irredutibilidade de opinião,

porque a nossa é lei e a dos outros lixo.

Simplesmente inocentes mentais que,

à força da falta de argumentação civilizada,

impõem a boçalidade como forma de discussão,

insultam, insultando-se a si próprios

pela nuvem que lhes tolda o pensamento.


publicado por canetadapoesia às 00:30
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Um dia cinzento (2018-01-08)

 

 

Caminhamos pela cidade num dia cinzento

não chove, mas “morrinha” aquela água

que ainda não é gota para pingar,

molha-nos pela insistência com que nos brinda,

sobretudo encharca-nos a alma

pelo tom triste que dá a esta cidade de luz brilhante.

Enchemo-nos de turistas de todo o mundo,

que aqui acorrem agora que é a meca do deslumbramento,

sentimo-nos parte do universo em que vivemos,

de que estivemos separados por tantos anos.

Conhecer recantos inolvidáveis que a vista,

na sua constante e teimosa pesquisa,

nem sempre descobre à primeira passagem

mas aparecem-nos pela constância das nossas visitas.

Sentimo-nos de acordo com o dia, cinzentos,

mas clareando a mente a cada nova esquina,

composta, recomposta e sobretudo recuperada

para as cores de uma cidade que não pode ser cinzenta,

que mais dia menos dia, recupera as cores

que a caracterizam e a tornam bela e conhecida,

que fizeram deste um povo feliz com o pouco que tem.


publicado por canetadapoesia às 23:15
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Sábado, 6 de Janeiro de 2018

Tremores de paixão (2018-01-04)

 

 

Por que só sei de ti o que me contam

e nem sempre o vento me trás as novas que anseio,

imagino-me a sentir-te nos braços,

a acalorar-me com o o calor do teu corpinho,

sentir os meus dedos envoltos na tua mão,

anseio o encontro entre nós.

Tenho tremores no corpo e ansias na alma

ao pensar no dia em que carinhosamente te erguerei

nos braços receosos por carregarem tão precioso tesouro.

Já me vejo de mão dada atravessando as avenidas

de um mundo que será só nosso,

olhar para ti com olhos marejados de lágrimas

que a felicidade me traz e descobrir na tua face rosada,

o sorriso encantado dos anjos na terra.

Porque já te amo sem ainda te conhecer,

nestas linhas deposito as sensações que vou atravessando,

até que te abrace e juntemos oi bater dos nossos corações.


publicado por canetadapoesia às 23:25
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

A prenda (2018-01-03)

 

 

O anúncio chegou pelas vias mais actuais,

uma simples mensagem digital dizia:

“It’s a girl, again”.

A minha comoção foi imediata,

mais uma Princesa a acrescentar às outras duas

para me encher o coração de um bem-estar

só possível nos grandes momentos,

naqueles que a vida nos proporciona

ao permitir-nos conhecer quem a vida gerou.

Não consigo explicar o sentimento,

a sensação de saber que Francisca será o seu nome,

mais uma menina no horizonte.

Sinto-me alegre, contente, feliz com a vida,

agradecido ao mundo e reconhecido a Deus,

por me permitir conhecer mais este sal da vida.

Não podia evitar mais uma lágrima de felicidade,

de amor pelo ser que já é e que quero ter nos braços

logo aos primeiros alvores da sua vida,

com quero trocar umas palavras de amor e carinho

que nos unirão para o resto da minha vida.

Mais uma menina, mais uma lágrima de felicidade

neste rosto cheio de amor pela Francisca que aí vem.


publicado por canetadapoesia às 23:17
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Toda a noite (2018-01-02)

 

 

Sem descanso e poucas paragens

toda a noite a dançar,

mexendo o corpo para começar o ano

sem entraves de mobilidade.

No frenesim da comemoração,

com o corpo a latejar, regado do suor

que a dança proporcionava,

pulando sem cessar, dançando aos quatro ventos,

ia tendo rasgos e tempo de recordar.

Via-me assim, nos meus dezassete anos e uma vida pela frente,

mil novecentos e sessenta e sete,

o último ano da minha adolescência inocente,

que no seguinte seria cadastrado, fichado e reservado,

para que outra vida tivesse lugar durante quatro longos anos.

Por muitos anos que ainda viva estará marcada na pele

a memória que vai corroendo o corpo,

destabilizando o sono que deveria ser dos justos,

deixando a alma inquieta por um tempo que sucedeu a outro.


publicado por canetadapoesia às 23:02
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

Chegando de mansinho (2018-01-01)

 

 

Sentia-o chegar sem que se anunciasse

muito mais do que o calendário indicava,

era novo e substituiria o velho que,

de tão cansado se ia já deitando.

Mais um ano, pensei com estes botões

que desmesuradamente me apertam o fôlego,

não um ano qualquer mas aquele que sucede a outro

que deixou na boca o sabor amargo de tanta guerra pelo mundo.

Desejei que entrasse da melhor forma,

em festa e com foguetório para que os males,

que desejávamos afastados,

não se atrevessem a aproximar e nos permitissem

realmente um novo ano de paz e serenidade,

para que ao olhar a lua o façamos de coração aberto.


publicado por canetadapoesia às 23:40
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