Domingo, 29 de Abril de 2018

Carta em branco (2016-12-09)

 

 

Escrevi-te uma carta,

em branco,

envelopei-a e selei-a

para o correio ta levar.

Na carta não escrevi nada,

mas na sua página em branco,

estava tudo o que havia a dizer.


publicado por canetadapoesia às 00:25
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

Circuncisando a saudade (2018-04-28)

 

 

Primeiro vai-se entranhando, entrando devagarinho,

enche-nos o peito e deixa-nos a alma em farrapos.

Imaginamos o inimaginável e sonhamos

com regressos ao ponto de uma partida apressada,

acossada pela irascibilidade do racional que se preparou

para nos tomar aquilo a que nunca demos valor.

Corremos a pôr-nos a salvo, a proteger os nossos e a esperar

que a irracionalidade desaparecesse, que acalmasse,

que finalmente percebesse que também éramos gente

daquela gente, daquela terra,

do sítio onde nascemos e vivemos lado a lado.

Depois, passa o tempo e a resposta que tarda em chegar,

nunca é recebida!

Porque não queriam, porque não interessava,

porque seria diferente se não nos tivessem escorraçado,

o roubo descarado não seria consentido e, nessa presunção,

nos traçaram o destino… a diáspora!

Mas cansamo-nos, satisfazemo-nos e agradecemos

o terem-nos recebido e protegido,

ainda que em terras que nem conhecíamos,

chegamos ao ponto em que o retorno já não é possível,

mesmo que o quisessem e não querem!

Portanto, só nos resta circuncisar a saudade,

extrair do coração qualquer resquício de vivências passadas,

apagar as palavras escritas a giz branco

no quadro negro desta passagem de uma vida,

finalmente dizer sem parcimónia…

Estou na minha terra, aquela que me acolheu!

Estou em casa e nela contínuo a receber todos

os que me não quiseram nas suas,

porque esse é um princípio que extraí desta nova terra

que durante tantos anos me tem protegido.

Não falo nem me interessa o que se passa na outra,

recuso-me a tecer comentários, bons ou maus,

simplesmente a apaguei do mapa mental da minha alma.


publicado por canetadapoesia às 23:37
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Terça-feira, 24 de Abril de 2018

Nas malhas do império (2018-04-25)

 

 

Sem imaginar ou pensar sequer,

apanhado nas malhas de um império

que caminhava sobre brasas,

sem saber como as apagar!

E os homens já não o eram,

e o povo perdeu a noção

na voracidade dos dias de uma ira

orientada para o ódio que não devia existir.

No seguimento de anteriores injustiças,

novas foram criadas e justificadas

com a luta contra as outras e, nesse afã, se ostracizaram

coisas e sobretudo pessoas,

se denominaram uns contra outros,

esquecendo-se que repetiam o que queriam combater!

Redobraram as injustiças sem a sensatez que o momento exigia,

foram dias de euforia, foram dias de amargura,

foram dias de alegria e dias de muita tristeza!

Foram dias! Dias que a história julgará!


publicado por canetadapoesia às 21:41
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Sábado, 21 de Abril de 2018

Uma regra simples (2018-04-10)

 

 

Tão simples que admira quando se admiram,

o cerne do capitalismo como o vemos hoje,

não se concentra em “tirar milhões a poucos”,

mas, ao contrário,

“tirar pouco a milhões”.


publicado por canetadapoesia às 23:21
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018

Como uma onda (2018-04-06)

 

 

Ao longe, mal se nota,

mas vai engrossando,

encrespa-se na aproximação e,

com estrondo se desfaz na muralha

de uma fértil imaginação,

que não a vê aproximar-se, mas imagina o efeito

de tão devastadora força destruidora.

Fica a espuma da explosão de raiva,

da força que tudo arrasta,

que desafia a racionalidade das coisas

e a perspectiva de vida que agora se arrasa

no horizonte imaginado,

numa vida destroçada e vazia,

sem futuros previsíveis ou mesmo contrários,

a solidão de noites desertas e dias

em que o temporal não amaina.


publicado por canetadapoesia às 20:36
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Porque passas lesta (2018-04-04)

 

 

A caminho de não sei onde,

porque poderá ser da distância ou dos problemas da vida

que encabrestem a sensibilidade,

retirem até a capacidade de olhar e apreciar,

passas lesta e absorta.

Passas, pois, sem dar por mim no encontrão do nosso encontro,

despertas os entorpecidos sentidos,

com desculpas e a tristeza no rosto me olhas e encaras,

de cabeça baixa, mas não tanto que não distinga,

nos cantos mais extremos de teus belos olhos,

duas lágrimas pendentes de uma abrupta queda.

Sem que me seja dado o ensejo

de tais pérolas enxugar com o desejo dos meus beijos,

segues lesta no caminho que te levará

para além de mim, lá para não sei onde.

Passa lesta e absorta,

sem que eu consiga inverter as pérolas que te caem dos olhos.


publicado por canetadapoesia às 21:21
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Não te aproximes (2017-10-10)

 

 

Não te aproximes agora

que o desejo de afastamento

que em aziaga hora me inculcaste

não se apazigua com desculpas!

Não te aproximes agora!

Porque a ferida está aberta,

porque a cura não se verga

a qualquer desculpa tardia.


publicado por canetadapoesia às 00:29
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Terça-feira, 17 de Abril de 2018

Gaivotas (2018-02-24)

 

 

De um vôo rasante à terra

logo pica em direcção à lua envergonhada

voltei-a a meio

em acrobacia instável,

retorna ao vôo e pica em velocidade,

rumo à terra que lhe serve de suporte.

Lá do alto vislumbra um minúsculo grão

que lhe vai alimentar o corpo.

Pica e volteia, sobe e desce, vive o vôo,

vê a terra lá do alto,

aproxima-se ou afasta-se

de acordo com os seus humores de gaivota.


publicado por canetadapoesia às 22:55
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

Se pensar bem… (2018-03-30)

 

 

Se pensar bem,

talvez desligue,

talvez deixe de me preocupar,

se pensar bem…

porque na verdade,

de nada adianta

manter-me ligado!

Porque já não me interessa,

porque já não me diz respeito.

Se pensar bem…


publicado por canetadapoesia às 21:57
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Domingo, 15 de Abril de 2018

Quase sem referências (2018-03-28)

 

 

Deambulando pelas ruas de outrora,

as mesmas ruas, os mesmos edifícios, as lojas quase extintas,

as de outrora!

As que conhecíamos!

Que as novas já não conhecemos

nem sentimos o seu cunho ancestral.

Onde havia referências há hoje inconsequências,

diferentes visões da vida,

diferentes aspectos da cidade.

Quase sem referências!

Pelo menos sem as referências

que de outro tempo, atitude e qualidade

nos guiavam na cidade.

Estamos sem as nossas referências!


publicado por canetadapoesia às 23:14
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