Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

Uma praia (2018-08-12)

 

 

Era uma praia muito vulgar,

muito procurada e desejada

porque nesta praia,

tão vulgar quanto desejada,

as crianças não corriam o perigo

de serem arrastadas por ondas revoltas.

Uma praia vulgar com areia tão fina

que não se conseguia agarrar,

quando se tentava fazê-lo

fugia-nos por entre os dedos das mãos.

Era uma praia vulgar e só desejada por isso mesmo,

por ser vulgar e ter areia,

por ser segura e ter crianças

que no extenso areal brincavam

fazendo castelos que da areia se erguiam.

Por ser segura e ter crianças era uma praia vulgar

onde as pessoas se sentiam bem

sabendo que outras também assim se sentiam.


publicado por canetadapoesia às 21:49
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Formiguinhas (2018-08-31)

 

 

Tentei desviar-me, mas já era tarde,

senti que o estrago feito seria irreversível.

Pisei um carreirinho cheio de pontinhos negros,

formiguinhas atarefadas

correndo de um para outro lado,

vergadas ao peso de pequenas partículas,

não sei de quê, mas certamente

uma parte importante da sua vida futura.

Um carreirinho cheio de inocentes formigas

trabalhadoras e atarefadas com a proximidade do inverno,

e eu esmago-lhes o carreirinho, desoriento-as!

Destruo de uma pesadas, a vida de não sei quantas formiguinhas.

baixo-me para constatar o inevitável,

aproximo mais os olhos e com surpresa verifico

que apesar da violência do espezinhar,

não magoei uma só das laboriosas alminhas!

Um alívio de cima a baixo.

Afinal não sou um destruidor de ambientes

como por breves momentos,

se me atravessou nesta cabeça atormentada.

Salvaram-se as formiguinhas, salvou-se um pouco do mundo!


publicado por canetadapoesia às 20:31
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2018

Num céu azul (2018-08-14)

 

 

Nem sequer uns fiapos de brancas nuvens,

só o azul celeste que empresta ao céu

todo o aspecto do paraíso na terra.

Ao longe viam-se umas coisas

penduradas nesse céu azul sem nuvens,

pareciam pássaros, enormes, vistos desta distância,

todos balançavam pendurados no céu!

Como o fazem se não se vê como?

Voam!

Voam nas asas da realidade que um dia,

foram sonho de alguém.

Felizes voam,

pendurados no céu azul celeste

sem um único fiapo de nuvens brancas

e balançam para lá e para cá

ao sabor de um vento,

que lá do alto,

os acarinha no seu balançar.


publicado por canetadapoesia às 21:28
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Domingo, 28 de Outubro de 2018

O vento que vai e vem (2018-08-10)

 

 

O vento é inconstante e vai,

vai para todo o lado,

investe de mansinho e silencioso

ou rodopia,

remoinhando agreste,

uivando como alcateia.

O vento é inconstante e vem,

vem de todos os lados,

aparece de mansinho e silenciosamente,

ou chega-se raivoso,

gritando que nem um possesso

levando tudo à sua frente!

O vento é inconstante,

se por vezes nos consola dos calores do quente sol,

outras vezes,

traz consigo a desgraça dos fogos que arrastam

a destruição e a morte!

Os ventos são inconstantes!


publicado por canetadapoesia às 23:59
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Escorrem-te as lágrimas (2018-10-18)

 

 

Encostas-te assim, perdidamente,

em prantos que muro nenhum enxerga!

Escorrem-te as lágrimas

por esses sulcos de um rosto marcado

pelo tempo que o tem esculpido

com o martelo e escopro da vida.

Choras convulsivamente,

pelo mesmo motivo que tantas outras

mulheres de todos os tempos

também choraram e assim continuarão.

Motivos serão muitos e todos de monta,

a razão será sempre uma,

a única sem razão que é

seres mulher e sofreres por isso!


publicado por canetadapoesia às 23:25
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

Assobia baixinho (2018-10-25)

 

 

Conta-me ao ouvido,

vai-me dizendo o que sentes,

assobia baixinho a música que te agrada.

Para mim será sempre Mozart!

Entre prelúdios e molto vivace,

dança, dança para mim!

Na memória em que te retenho,

mantendo acesa a chama que será eterna,

com que marcaste minha alma,

ainda te vejo em esvoaçantes passos

de uma imaginária e voluptuosa dança.

Por isso te peço que me cantes ao ouvido,

que me vás dizendo o que sentes,

que me assobies baixinho

todas as músicas que te agradam,

que me provoques com o palpitar do teu coração ardente

e que me exasperes com o arfar da tua respiração!

Fá-lo sempre que queiras,

sempre que me quiseres dizer algo

a estes ouvidos que escutam

o assobiar baixinho da tua música.

Dança-me na alma e faz-me dançar

em todos os sonhos que me provocas.


publicado por canetadapoesia às 18:08
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2018

O ninho (2018-10-08)

 

 

Quando o acordar nos traz a noção,

a percepção da realidade sentida,

quando damos pela necessidade

do calor que nos acalenta o ninho e,

nesta cama muda de acontecimentos

só encontramos o frio dos lençóis,

sentimos o sopro do mundo que

de uma assentada nos varre a vida.

Não adianta a procura, de nada serve a busca,

porque há calores que só apanhamos

uma vez na longa viagem da existência.

Quando este se perde,

qualquer outro pode substitui-lo,

momentaneamente, por breves momentos,

mas nunca mais nos aquecerá o ninho

e nesta cama que foi quente,

já só há passagens de ventos do Sul…

quentes enquanto duram!


publicado por canetadapoesia às 22:53
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Porque assim se define (2018-09-29)

 

 

Porque assim deve ser

abrangente e igual para todos, a lei!

Que deve ser universal,

nunca uma lei para uns

e outra para outros.

Porque se assim não for,

que assimetrias, injustiças,

e outras coisas mais vai criar,

sobretudo, endurece posições

que de combate já tudo têm.

Faça-se a lei ou melhore-se,

porque já existe,

mas não se criem divisões

que por ela se venham a verificar,

ou isto deixa de ser um País e um Estado de Direito

e passa a ser um de bandalheira,

onde livremente grassa a ignorância

no magistério da governação pública!


publicado por canetadapoesia às 01:01
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2018

Mundos (2018-09-01)

 

 

Aquietem-se os inquietos

que as águas se separarão,

para que os mundos não se toquem.

Cada um trará consigo

os animais que aprouver

e no seu conjunto,

num futuro qualquer se juntarão e,

unindo-se os mundos,

novos mundos virão e o universo,

que estica e encolhe,

os acolherá no bojo da sua grandeza.

Novos mundos ou velhos para que

neste nosso universo nada se perca e nada se crie…

Tudo esteja em constante e eterna mudança!


publicado por canetadapoesia às 23:27
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Domingo, 21 de Outubro de 2018

Trompetes (2018-08-30)

 

 

Sabe-me a música e sinto borboletas

quando bate um vento de esperança

e é a trompetes que me soa a música

que no ar se expõe sem que ninguém a ouça.

Sinto-a vibrar e soar a meus ouvidos,

mas também é verdade que sou eu que,

nesta ansiedade indesejável,

a sinto e ouço no ar

e que me enche a barriga de borboletas,

de cada vez que são

o som da esperança que espero ouvir!


publicado por canetadapoesia às 23:08
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