Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018

O regato (2018-11-28)

 

 

Sigo-te desde que nasceste e vi-te procurar

o caminho que te encaminhará sei lá para onde,

eras límpido e transparente e como todos os jovens

corrias louco e descias encostas desenfreadamente.

Eu seguia-te e vi que alargavas e engrossavas,

depois do último salto sobre as pedras maiores

mergulhaste no abismo onde te perdi.

Passei a ver-te de longe com o respeito que já merecias,

largo, profundo e turbulento em certos momentos,

quando finalmente consegui atingir o fim do teu correr,

dei por mim espantado e boquiaberto,

já não eras o meu regato que em tão tenra idade acompanhei.

Eras agora um rio de tamanho tal que não distinguia as tuas bordas,

não conseguia sequer saber se estava perante o rio

que outrora foi o meu regato,

ou estava agora perfeitamente imbuído num mar

cujas águas revoltas e ameaçadoras

se misturavam com a mansidão com que te conheci.


publicado por canetadapoesia às 18:48
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Cada vez mais bonita (2018)

 

Estavas tão linda quando em ti peguei,

pesavas mais e tão mais crescida

que até acho que és regada todas as noites

como qualquer flor que se preza.

O sorriso que te caracteriza

e te aflora ao rosto sempre que alguém se aproxima,

que te transforma numa simpatia pequenina

mas atraente de carinho e amor

e eu vergo-me de emoção ao sentir-te

em meus braços e tão junto ao coração.

Sei que sou um piegas de lágrima fácil,

mas como posso eu resistir

ao calor do teu corpinho inocente

onde as irrequietas mãos se dirigem de imediato

à barba que planto na face,

alisas, puxas e esticas achando tudo novidade.

Tens o mundo à tua frente e tudo o que quero na vida

é que ele te saiba merecer com tudo o que de bom possa dar-te.


publicado por canetadapoesia às 21:59
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018

Quando elas chegam (2018)

 

 

O mundo vira do avesso quando elas chegam,

a sala transforma-se em campo de batalha,

uma quer, a outra também,

uma puxa, a outra também,

é um cansaço saudável, de ficar derreado.

Quando chega a hora da partida,

é um desfazer de saudade já presente,

e no abraça beija do adeus,

começa a sentir-se o silêncio que se seguirá.

A sala, repleta de confusão,

de papéis e lápis espalhados,

pela mesa e chão que ora,

jazem silenciosos e ainda desordenados,

mas o silêncio que resta deste caos de emoções,

comprime-nos o coração,

faz-nos ansiar pelo próximo dia,

de descontrolada felicidade.


publicado por canetadapoesia às 23:30
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Domingo, 25 de Novembro de 2018

Pelo vosso olhar (2016)

 

 

Pelo vosso olhar passa um raio de sol,

e nele distingo alegria,

dele,

sobressaem os sorrisos de duas almas puras,

neles encontro a felicidade estampada,

de ser criança e inocente.


publicado por canetadapoesia às 22:50
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2018

Sapateados (2018-11-23)

 

 

Em repetidas e secas pancadas

ecoam os sapateados que escutamos

e sentimos nas calçadas da cidade,

a sonoridade do calcar das pedras

da calçada que percorremos.

Como na vida vamos sentindo

as pedras que pisamos neste trajecto,

que é ímpar por ser único,

de um só sentido e final anunciado!

Vamos sapateando as calçadas

atravessadas nesta nossa existência,

sapateamos uma dança imaginária

onde nos sentimos os actores bailarinos,

umas prima donas do sapateado,

que afinal é a vida em todas as suas possibilidades.

Bons ou maus sapateados,

mas sempre ao sabor das vidas

que se vão vivendo em sapateados.


publicado por canetadapoesia às 23:47
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018

Como me aprouver (2018-11-22)

 

 

Não me interessa a pressa,

não quero correr por aí nas voltas que o mundo dá

e nessas estradas poeirentas da vida.

Não quero andar ao trote do que outros me querem impor

pela mansidão de falinhas troantes na consecutiva intensidade.

Não, não me interessa,

não procuro essas celeridades de vento agreste no rosto

e cabelos soltos a um vento que me desfoca o olhar

arrefecendo este corpo que é quente por natureza.

Não, não e não, não vou por aí!

Vou por onde me interessa,

corro à velocidade estonteante da tartaruga que se arrasta no areal,

porque a minha pressa é só minha e não depende de mais ninguém

nem tem de seguir imposições modas ou vontades.

Vou com a minha pressa,

pelo meu caminho ensolarado ainda que faça chuva,

sobretudo vou andando e caminhando como me aprouver!


publicado por canetadapoesia às 22:54
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Negros (2014)


 



 



 



Negros e brilhantes,



 



misteriosos e curiosos,



 



os olhos que o futuro



 



terá como testemunha,



 



os vossos olhos negros.


publicado por canetadapoesia às 00:00
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

Encarar a vida (2018-11-20)

 

 

Por essa vereda tão estreita a que chamas vida

segues indiferente ao perigo que te ameaça

e como se nada fosse ergues ao céu o rosto,

sorris e sentes que estás acompanhada,

sentes-te protegida porque para além,

muito longe da terra que pisas e por onde caminhas,

está a tua garantia de segurança.

Não negas a experiência e sentes-te agradecida

porque apesar do vale escuro de perigos imensos,

ao fundo brilha a luz que te fará encarar a vida

com todas as suas vicissitudes,

com a esperança num dia melhor e numa vida sem espinhos.


publicado por canetadapoesia às 22:17
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018

Asas são para sonhar (2018-11-19)

 

 

São asas e servem para voar,

são asas que servem para sonhar,

são asas que te dão a perspectiva de um mundo diferente!

Sonhas e enlevas-te no contínuo dessa imaginação

e imaginas um mundo diferente,

um universo em que não exista injustiça,

que todos possam aceder a tudo o que precisem

sem precisar de mendigar ou viver na indigência.

Sonhas com as asas que possuis,

imaginárias,

no mundo que desejas para ti e estendes a todos os outros,

onde a ignominia do estender da mão

para recolher uma esmola da exclusão,

dos que não te estendem a mão

para te levantar desse chão que te suga!


publicado por canetadapoesia às 21:19
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Domingo, 18 de Novembro de 2018

Sonho-vos (2018)

 

 

Assim vos vejo e anseio,

que não verei talvez seja certo,

mas que o sonho, é a realidade,

desta alma que com amor

e todo o carinho do mundo

vos enlaça pelo coração,

cansado, sem dúvida,

mas sonhador e esperançoso.

Quero-vos no mundo,

que só o sonho constrói

e o meu tece-o para vós

com fios de fina prata

cravejada de brilhantes

do verde mais cristalino,

para que o futuro que vos sonho e anseio

seja da mais pura transparência

e vos encha a alma da mais translúcida esmeralda.


publicado por canetadapoesia às 21:28
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