Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018

Soam as badaladas (2018-12-31)

 

 

Enquanto não soam as badaladas

e um novo ano não aparece,

soam pelo menos as campainhas

da intolerância e da indiferença.

Nestes momentos de final de ano,

Momentos de festas cristãs,

Tão humanas como deveríamos ser,

sentimos a imensidão deste universo

cuja maldade se expande à velocidade da luz.

Mesmo travando por momentos

não conseguimos extirpá-la,

retirá-la do nosso mundo, do nosso País,

de nós próprios que a alimentamos.

Sonhamos sempre que,

ao soarem as badaladas da mudança de ano,

as nossas causas se tornem na realidade dos sonhos sonhados,

assim esperamos que soem as badaladas,

para nos transformarmos em melhores seres humanos.


publicado por canetadapoesia às 14:01
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Sábado, 29 de Dezembro de 2018

Destapando (2018-12-28)

 

 

Assim devagarinho,

sem fazer força sequer,

vamos destapando a vida.

Quando olhamos para dentro

notamos o vazio da ganância,

que a nada nos leva,

mas que procuramos afincadamente.

Se vivermos sem ela,

com a simplicidade que a vida oferece,

não teríamos o buraco da vida vazio

mas bem mais cheio do que o temos agora.

Destapando a vida

nem sempre encontramos

o que julgámos plantar!


publicado por canetadapoesia às 22:51
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Absorvidos (2018-12-27)

 

 

Por dentro desta neblina

que ofusca e escurece o dia,

que não tolera a abertura ao sol

e nos condena à escuridão,

somos absorvidos

pela neblina da vida,

que nos aprisiona!


publicado por canetadapoesia às 00:44
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2018

Crepúsculo da vida (2018-12-28)

 

 

Nunca perceberei como acontece

que as pessoas se vão afastando

lentamente sem que se dê por isso.

Tem-se uma vaga sensação quando as coisas

se começam a parecer estranhas e fora do contexto em que,

por muitos anos passados e outros espectados,

sempre se mantiveram por igual, sem alterações.

De repente e sem que se espere dá-se a ruptura,

já nada a pode parar porque se rasgou o elo que a unia,

porque a confiança foi definitiva e estridentemente minada.

Já nada se pode fazer ou emendar,

por muito que o queiramos e gostássemos de atrás voltar.

Gastámo-nos definitivamente sem sabermos ou ser capazes

de guardar alguma da beleza inicial do amor insaciável

para os tempos que se avizinhavam rápida e decisivamente,

para o crepúsculo que viria a envolver as nossas vidas!


publicado por canetadapoesia às 22:08
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2018

Neste silêncio (2018-12-26)

 

 

Assim sentados, lado a lado,

sem que outro som além do ambiental

nos inquiete o momento que sentimos.

Neste silêncio que nos envolve sem uma única palavra trocada,

dizemos tudo um ao outro, nada fica por contar.

Um silêncio ensurdecedor,

de uma vida que passa a correr sem se dar por ela

e que nestes momentos ouvimos soar,

pelos nossos cúmplices silêncios.

Tantas vezes que quis falar-te,

tanto que tentei dizer-te nas minhas longas ausências

que a vida me forçou a ter da tua vida de mãe e protectora.

Tanto que nunca consegui verter pelas lágrimas

que me foram caindo vida fora e por remotos locais,

e é neste silêncio, lado a lado, sem mais conversas,

que de palavras parcas tudo dizemos um ao outro,

pomos em dia a conversa de uma vida

que já vai longa e sempre atribulada.


publicado por canetadapoesia às 23:43
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2018

Está-se bem em Lisboa (2018-12-23)

 

 

Porque está sol e me apetece caracolear

sinto a irresistível vontade de a ele me chegar.

Aquece-me o corpo e por inerência a alma,

vou descascando a cebola de que se compõe

este vestuário que por cima de mim carrego,

à medida que o vou fazendo vou controlando

a temperatura que quero quente, mas amena o suficiente

para que o corpo não sinta as diferenças térmicas.

Está-se bem neste sol de Lisboa,

está-se bem nesta cidade tão a sul

de uma Europa sedenta de sol e tão mediterrânica.

Sento-me num restaurante e a meu lado,

as línguas são tantas que quase não distingo umas de outras,

mas os suecos deliciam-se com uma excelente massada de marisco

acompanhada pelo insuperável champanhe português,

o senhor Alvarinho, o verde do Minho.

Por estranho que pareça depressa apanham

aquilo que guardamos só para nós, os hábitos…

É vê-los molhar o pão com a avidez de quem descobre

o paraíso do paladar num país tão longe do seu!

Está-se bem em Lisboa,

esta maravilhosa cidade banhada pelo sol!


publicado por canetadapoesia às 00:02
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2018

Soam as campainhas (2018-12-22)

 

 

Já se ouvem ao longe no seu característico tinir

soam as campainhas pequeninas

que as renas trazem penduradas e,

do sulco do trenó que desliza na neve branca

ressaltam fiapos de esperança.

Que a noite seja serena e de paz

neste conjunto universal que a todos une,

a família reunida nesta enorme bola

a que resolvemos chamar Terra

e nos alberga para o bem e para o mal.

Porque se aproxima a noite,

em que o menino surgiu ao mundo,

os meus desejos aqui ficam descritos

e escritos para que não restem dúvidas,

umas boas festas é o que desejo para todos

e para os mais crentes uma santa noite!


publicado por canetadapoesia às 23:31
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018

Em dezembro esfria (2018-12-16)

 

 

Esbatem-se os calores de verão

do Outono poucas folhas já restam

e o Inverno aí está,

a esfriar o que era quente,

entrando de mansinho como quem não quer,

tentando passar despercebido a quem já o sente.

Mas é Dezembro e o ambiente arrefece,

o frio começa a introduzir-se em nós

e sentimos o mês como sempre.

O mundo avança quase às arrecuas,

nem este ambiente invernoso de um Dezembro

que devia ser de calor humano e entreajuda,

de seres que são afins em sonhos e anseios,

é suficientemente forte e coeso

para imprimir neste universo o amor,

que deveria ser distribuído com mãos largas

a todos os que sofrem os invernos da vida

mesmo que seja em pleno calor.


publicado por canetadapoesia às 22:00
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Desde que seja sim (2018-12-14)

 

 

Desde que seja um sim,

não existem barreiras

a qualquer impossibilidade.

Um sim é um sintoma

de um acordo explícito,

ainda que forçado

por circunstâncias alheias

sobre as quais não temos influência.

É sim e desde que o seja,

os obstáculos são removidos

e os caminhos passam a alargar-se

até o sol que muitas vezes se esconde.

atrás de cinzentas nuvens,

acaba por nos iluminar o caminho.

Tudo depende, portanto,

de uma simples afirmativa e,

desde que seja um sim,

está tudo controlado pelo melhor.


publicado por canetadapoesia às 23:32
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

Dois olhares (2018-12-12)

 

 

Porque somos dois ou até mais e olhamos

não tirando os nossos olhos do mesmo objecto

acabamos com visões diferentes do que está ali

mesmo à nossa frente e visto do mesmo angulo

por dois ou mais pares de olhos.

No entanto, divergimos no que vemos

cada um a seu modo vê um contorno diferente

ainda que o alvo seja o mesmo e as sombras

não ensombrem nada do que temos diante dos olhos.

Nesta variedade de olhares se consubstancia o essencial

de uma liberdade que cabe a cada um desenvolver

sempre no respeito que o outro olhar merece

pelo respeito que exigimos também ao nosso.


publicado por canetadapoesia às 23:11
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