Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Olhar o mundo (2018-12-09)

 

 

Não que do meu olhar se veja o mundo

mas eu vejo-o com ele e sinto-o neste olhar

que não sendo o do mundo é o meu e por ele o vejo.

Bem que por vezes gostaria de não o ver

desviar mesmo o olhar em ocasiões menos agradáveis

mas não, não é possível e tudo tem de ser visto,

agradável ou menos, mas dentro do olhar que olha o mundo

que por ele e através destes olhos que não deixam de o olhar,

também solta lágrimas que escorrem pelos sulcos

que o mundo desenhou nesta face que tanto o olha.

Olhos mortiços já, mas ainda atentos ao mundo que os rodeiam

depositando nele toda a esperança que o futuro

na sua longínqua proximidade, trará aos que agora despontam.

Olhos que olham com olhares de esperança.


publicado por canetadapoesia às 00:15
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Sabendo-te assim (2018-12-04)

 

 

Como eu queria e me agradaria,

sabendo-te assim,

tão cheia desse carinho e amor

que me transborda em cima

por cada hora que o relógio,

já sem cuco a cantar,

marca no seu rodopiar

pelas vinte e quatro horas do dia.

Sabendo-te assim,

me satisfaço e alimento

de tudo o que me ofereces.


publicado por canetadapoesia às 23:28
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2018

Pianando (2018-12-08)

 

 

Na sala ainda deserta soavam os acordes,

afinavam-se os dedos e esticavam-se as cordas

ao mesmo tempo que se iam aquecendo

as teclas brancas e negras do piano.

Muito direito no banco frente ao enorme monstro negro

cuja asa levantada criava receios a quem de longe observava.

A segurança da sonoridade e mistura de sons

estaria garantida pelo saber de coração de músico

que se enche destes sons melodiosos

que mantinham a sala quase em suspensão.

Estávamos “pianando” no bom sentido da palavra,

quase voando ao som tranquilo que dali saía,

evocando coisas celestiais só possíveis entre anjos,

estes eram os nossos anjos da música de piano.


publicado por canetadapoesia às 20:58
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Sentir-te (2018-12-06)

 

 

Assim, sem mais, sentir-te!

Sentir o teu calor e do corpo roliço conhecer todas as ondulações,

é o supremo dos prazeres.

Toda a exploração que desse corpo,

nutrido e roliço ao gosto dos deuses,

extraí com a paciência do prazer que lentamente nos foi invadindo

encheu-me as mãos do sentir que também era o teu.

Fomos carne e esforço, suor e cansaço,

para no fim de tudo sermos somente

prazer de carne com carne, de homem e mulher,

humanos simplesmente!

Que como todos os outros fazemos acontecer

quando dois corpos se tocam e ao de leve e pele contra pele

se roçam e calor encontram sobre outro excitante calor.

Somos dois, carne com carne,

prazer supremo que de ambos que se faz único,

destravado em convulsões nas asas do desejo,

no calor dos corpos que unem num só.


publicado por canetadapoesia às 22:28
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2018

Por aí fora (2018-12-03)

 

 

Por aí fora, andando,

com os pezinhos de lã

com que calcorreamos a vida,

absorvendo tudo o que à vista se cola,

sentindo tudo a que o coração,

na sua prestimosa sensibilidade,

sente e traz ao peito

batendo sincopadamente

de acordo com as sensações

que a vida lhe fornece

e pelos sentimentos que o assolam.

Por aí fora! Andando!


publicado por canetadapoesia às 22:21
link do post | comentar | favorito
Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Debaixo de um olhar (2018-12-02)

 

 

Levantam-se os olhos e vê-se o céu,

por baixo num lampejar de vista perspectivam-se outros olhares,

mais largos e abrangentes,

mais prolongados e lânguidos,

porque por baixo de um olhar,

tudo se pode encontrar,

tudo se pode imaginar.

Cruzamos até olhares distantes

desprovidos de características especiais ou talvez,

carregados de sentido com objectivos precisos,

destinos traçados sob uma capa inócua

e sempre debaixo de um olhar.

Nessa distância em que o olhar se prolonga

e se vai cruzando com outros distantes olhares

se perde a candura que inocentemente o atravessa

assim o transforma num intento absoluto,

desejável e intrinsecamente objectivo,

sempre debaixo de um olhar.


publicado por canetadapoesia às 23:12
link do post | comentar | favorito
Sábado, 1 de Dezembro de 2018

Somando (2018-12-01)

 

 

Mais um a somar e junta mais outro,

assim sucessivamente, ano após ano.

Gastando, consumindo, estragando

uma vida que se vai alongando

sucessivamente, ano após ano.

Ansiando, esperando, desejando

muito do que a vida não dá,

e assim, sucessivamente, ano após ano,

vamos vivendo e aceitando

o que a vida nos vai dando

sem que o desejemos ou peçamos,

negando-nos sempre o que desejamos.

Escorre-nos a vida entre os dedos

provando do pouco néctar que uma vida de provações,

e mais umas quantidades incomensuráveis de provocações,

nos proporciona nas poucas vezes

em que temos acesso à colmeia.


publicado por canetadapoesia às 23:48
link do post | comentar | favorito

Mais sobre mim


Ver perfil

Seguir perfil

. 26 seguidores

Pesquisar

 

Setembro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

17
18

19
21
25

26
27
28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts recentes

Suspensa no ar (2014-09-2...

Inexplicável (2014-09-25)

Queria e não queria (2014...

Náufraga (2014-08-16)

O desejo (2014-09-03)

Dias de doidice (2014-09-...

A alvura de uma folha de ...

E ferve silenciosamente (...

Corre-me nas veias (2014-...

Olhos cansados (2014-09-2...

Arquivos

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Links

SAPO Blogs

subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub