Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2019

Quando cai a tarde (2019-02-27)

 

 

Vai-se despegando do dia este sol majestoso,

cai a tarde de mais um glorioso dia na terra,

com ele se sente o fechar dos rostos alegres

que o sol, no seu deambular diário,

vai abrindo em sorrisos para a vida.

De senhos cerrados caminham agora,

passos apressados ecoam nas ruas e calçadas

de uma cidade prestes a enclausurar-se

fechando-se na noite em que a escuridão

tudo permite e oculta de olhares atrevidos.

Enchem-se os transportes públicos de gente

que corre e se empurra na ânsia desmesurada

de encontrar um espaço apertado e único

entre corpos suados e cansados de fim de dia,

alguns perfumados com o aroma dos simples

cujo excesso esconde o cheiro de uma vida triste

cujos horizontes se limitam ao que diariamente

alcançam como trajecto de vida cinzenta,

as estações de entrada e saída e, no regresso,

o vice-versa do mesmo caminhar.

Nos rostos não se vislumbra felicidade

porque a violência da cidade o impede

e a rudeza da vida não o permite.


publicado por canetadapoesia às 23:18
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

Simplicidade (2019-02-26)

 

 

Sem grandes parangonas nem ambições,

somente sentir o momento das coisas,

assim me ponho a compor frases

juntando letras e formando palavras

no anonimato do meu caderninho

onde as verto sem ambicionar o estrelato.

Escrevo porque gosto de o fazer, sem mais,

quantas vezes com coisas que nascem

de uma alma simples que deseja ver iluminado,

em páginas escritas o que por lá se vai construindo

em catadupas de emoções escondidas,

acumuladas nos dias que passam.

Não procuro ser um talentoso, mas sim,

manter-me o simplista que toda a vida me caracterizou.

Gosto especialmente quando as palavras

libertas na sua inocência e simplicidade,

se soltam em gritos silenciosos,

caindo umas atrás de outras nesta folha

cuja brancura vou tingindo de sensações,

tudo com o desprendimento de quem

gosta de apreciar os pequenos nadas

que a vida vai mostrando na sua,

quantas vezes, atroz complexidade.


publicado por canetadapoesia às 22:45
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2019

Ouvir a poesia

 

 

Sei que a poesia se escreve, que se sente,

tenho a certeza que se ouvem os seus acordes.

Do seu som, sibilino, galante ou desesperado,

saem as mais belas melodias,

em todas elas se releva a beleza das notas

que ao juntarem-se em pautas imaginadas,

nos enchem o coração e nos preenchem a alma.

Sons que se entranham das formas mais inesperadas,

e vêm do sentir, não da razão que a racionalidade impõe.

Se a escrevo porque a sinto nos momentos mais improváveis,

é porque a sinto também vinda desta alma que se atormenta,

quer nos momentos críticos, de ódio ou desencanto,

mas também naqueles em que o sentimento aplaude.

Escrevo o que me vai na alma, poetizando, por puro prazer,

sentindo no ouvido, o som que a poesia lá coloca e me encanta,

sabendo que à minha volta os anjos solfejam palavras,

e choro com lágrimas interiores, todos os poemas,

que embelezam o espaço que me envolve no seu som.


publicado por canetadapoesia às 23:10
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

O dia (2019-02-20)

 

 

Porque o dia

não se finda com a noite,

e esta,

só existe para que,

descanse repondo sensações,

que o acordar é já ali

e pronto tem de estar,

para de novo e resplandecente,

fazer o dia nascer!


publicado por canetadapoesia às 23:29
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2019

Abre-se o sol (2019-02-16)

 

 

Sente-se a alma acariciada pelo calor

que o sol no corpo derrama,

sente-se o corpo revigorado

por esses raios que se estendem até ele

e reavivam-se as esperanças

criando as certezas de que a cada dia,

que de novo o sol nasça e em nós se detenha,

mais renhida se torna a luta,

para que a vida valha a pena,

e nela caibam todos os sonhos e esperanças

dos que pela alma se deleitam

na adoração ao sol que os aquece.


publicado por canetadapoesia às 23:41
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

Sentir (2019-02-24)

 

 

No silêncio que impera na habitação

Sente-se o peso do que não se ouve.

No ranger de lamentos próprios

Dos anos de passagem como casa

Ouve-se a ausência dos risos e gargalhadas,

Com que as infâncias enchiam os momentos de vida

Que entre estas paredes existiu

Que aqui foi, talvez, feliz

Que fez a felicidade de alguém.

É uma casa que já foi um lar e agora

Nada mais se ouve ou sente a não ser

O sincopado bater do relógio de corda

E cuja caixa de madeira amplia a sonoridade.

É uma casa cuja alma ainda se sente

No que já é longínquo no ouvido

Uma habitação que foi de amor e carinho

Largada ao mundo do silêncio que não se escuta

Mas que se sente no intrincado das almas que a habitam.


publicado por canetadapoesia às 21:26
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Numa caixa de sapatos (2014)

 

 

Faz anos, muitos,

e tu pequenina a conhecer o mundo,

da pior maneira possível em tão tenra idade.

Era noite, quente como só nos trópicos,

meti-te no avião e esperei que partisse,

dormi melhor nessa noite,

sabia que para onde fosses,

para onde esse avião te levasse,

estarias em segurança apesar de tudo,

a segurança que a tua terra não te dava.

Amei-te desde o primeiro dia em que te não pude ver nascida.

E quase numa caixa de sapatos,

foste embalada pelas asas do vento que o avião sulcou,

deixou-te em Lisboa,

onde cresceste e te fizeste mulher,

terra que passaste a amar como ninguém,

mesmo não tendo sido justa contigo.

Faz anos, muitos anos e jamais me esquecerei.


publicado por canetadapoesia às 01:35
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019

Preguiça (2019-02-12)

 

 

É coisa de bicho e nome que se lhe aplica.

Nos humanos, que não deixam de ser bichos,

a coisa é séria e ao mesmo tempo

prazeirosa para os ditos bichos humanos.

É o esticar na cama do corpo que se recusa

a obedecer às ordens que do cérebro lhe vêm,

o esticar-se na cadeira longa ou no sofá

que está mesmo ali esperando o corpo,

o olhar o céu sentindo o calor do sol

e deitar na relva quente por ele acariciada.

É a preguiça!

Aquela vontade imensa de nada fazer, mas tudo sentir,

desde que seja o prazer que o corpo consente

e que a alma agradece e reconhece entusiasmada.

A preguiça é assim também,

uma grande concentração de prazer!


publicado por canetadapoesia às 23:15
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Com a tua mão na minha (2019-02-22)

 

 

Com a devida vénia me vergo

à evolução da vida que está diante de mim, a tua.

Sinto o dia-a-dia do teu crescimento,

o alongar do teu mundo pelo conhecimento

que pela experiência vais adquirindo

e pelo que anseias sempre ver mais.

Cansas e cansas-te pela tamanha energia que despendes,

quando finalmente deitas a cabeça neste velho peito

e te sinto no piscar de olhos sonolentos,

vejo a tua pequena mão volteando em busca do meu rosto

onde os pequeninos dedos se vão enrolando numa

barba quase feita para teu deleite, esticando até à dor do puxão.

Não sinto mais do que a sensação de enlevamento

e exacerbado amor que por ti sinto,

no meu colo adormeces e no peito descansas do cansaço

do teu crescimento e com a tua mão na minha

ficamos os dois abraçados num enlace para a vida.

Sempre, com a tua mão na minha mão.


publicado por canetadapoesia às 00:16
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2019

Indicador (2019-02-08)

 

 

Com esse dedo que não é anelar

mas que é utilizado para coisa tanta

e em cada mão entre dez das duas,

tens dois, um na direita e outro na esquerda.

Com ele se indicam direcções e se apontam objectos

e outras mais coisas que tantas serão.

Quando em riste… assustador!

Nos prazeres, companheiro e na leitura excepcional,

basta humidificá-los nas pontas que logo se poem ao trabalho,

fazem cócegas e viram páginas, umas atrás das outras,

abrem livros e participam em aventuras sem fim.

Tanto que se pode fazer quando se tem dedos tão versáteis

com uma utilidade amplamente reconhecida.

É um dedo indicador, são dois, um à esquerda outro à direita,

como tal, indicam, apontam e ainda,

exercem milhentas de outras funções!


publicado por canetadapoesia às 23:12
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