Sexta-feira, 31 de Maio de 2019

Entre lembranças (2012)

 

 

Descobrem-se afinidades,

entre as lembranças que se contam,

delas se matam as saudades, se relembram felicidades,

que passaram, e estão vivas,

porque se contam em roda de amigos.

Porque naqueles olhos que brilhavam,

perpassavam os tempos que não passam,

foram tempos de temperar e,

na voz que sentia o que a alma em silêncio,

baixinho, interiormente pensava.

Estavam ali, parados e escutando sentidos,

em fúria de comunicação e falavam, falavam,

falavam empolgados pela conversa e,

recuavam no tempo, viviam,

os dias do início de um futuro que, agora,

agora já é passado e será futuro.

Falavam, falavam e amavam cada frase,

e em cada olhar um brilhozinho de prazer.


publicado por canetadapoesia às 22:35
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Entre o fogo (2014)

 

De entre as chamas que o fogo,

espalha pelo ar frio da noite,

vislumbram-se fervilhantes,

as vidas perdidas pelas ruas da cidade,

e em cada beco, em cada esquina,

uma alma tardia no despontar da dignidade,

desfaz-se em estilhaços de sonho,

que a Nação desperdiça.

Estão perdidos na nuvem,

que um desgaste desumano levantou,

e o vento que continua a soprar em sentido contrário,

não permite que se sintam parte da sociedade,

que apesar de tudo não os protege.

Por entre as chamas deste fogo se aquecem,

procurando o calor que lhes é negado,

mas esta é a sua cidade, este é o seu País.


publicado por canetadapoesia às 12:51
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

Livre e selvagem (2015-04-24)

 

Ah! Se ele gostava de sentir o vento!
Sempre adorou a doce sensação de o sentir,
resvalar-lhe pela cara,
levantar-lhe os cabelos e, no fundo,
dar-lhe uma sensação de vida selvagem,
sempre ao seu sabor, sem eira nem beira, só o vento.
Agora que o tempo passou à velocidade do vento,
mal deu por ele e no entanto ali estava,
conseguira finalmente o seu carro descapotável,
um velhinho Porsche, ainda cheio de força,
rugidor quanto bastasse e sobretudo, sem tecto fixo,
estava na altura de fazer o teste,
soltar a macaca e deixar que a força do vento,
lhe levantasse os cabelos e por ele entrasse
a sensação da liberdade que tanto procurara.
Finalmente, os seus restantes quatro fios de cabelos brancos,
correriam soltos ao vento, esvoaçantes
no velho automóvel descapotável,
sentia-se livre, sentia-se mesmo selvagem,
e andava à solta pelos caminhos da cidade.


publicado por canetadapoesia às 20:33
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Autonomia (2012)

 

É livre de empecilhos,
liberta-se à medida que avança,
tem autonomia própria e,
só a segue quem quer.
Gradualmente vai aumentando,
e o seu nível de escuridão,
chega a ser assustador.
A noite que é livre e autónoma,
a noite que se esconde no dia,
a noite que nos esconde do dia,
é nossa, é minha e acompanho-a.
Sigo-a sem reservas, abraço-a com o prazer,
dos longos silêncios que me traz,
no abraço que lhe devoto, sinto-a,
embala-me com seu canto tranquilizador,
deixo-me adormecer no seu colo acolhedor.


publicado por canetadapoesia às 20:31
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Exuberante (2012)

 

Ela exuberante no discorrer da palavra.
Ele exuberante no silêncio em que as envolve.
Ambos sintonizados,
os dois comunicando,
com palavras, sem palavras.
Bastando uma simples troca de olhares.


publicado por canetadapoesia às 20:29
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

O vento (2012)

 

 

Soprava-te por estibordo e o calado,

vergava a bombordo num ângulo assustador,

ajustavas as velas, acertavas a grande,

e da proa saía a genoa que,

de tão tensa, obrigou a uma folga.

O dorso pesado equilibrou o ângulo de inclinação,

desatou numa bolina digna de admiração,

o leme deixou de ser forçado ganhando flexibilidade e leveza,

vogando agora, quase voando,

sobre as águas relativamente calmas

de onde sobressaiam os célebres carneirinhos de ondas,

pequeninas, sucessivas, intensas.

Nesse momento de acalmia da governação da embarcação,

sentiu-se o estrondoso ruído de um silêncio que nos pesava,

acalmou-nos o ímpeto, alargou-nos a alma,

sentimo-nos mais perto do céu e,

nada que acontecesse nos tiraria o momento de puro prazer,

do êxtase de sentir o vento no silêncio que nos envolvia.


publicado por canetadapoesia às 00:41
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

À volta do silêncio (2010)

 

Acabou a festa, mesmo para os mais renitentes,
ficaram os restos, as arrumações e limpezas,
exijo a sua saída sem ajudas de espécie alguma,
não os quero por aqui a ajudar,
vão descansar da canseira da festa,
que eu trato do resto, porque gosto assim.
E no silêncio que me resta, esta é a minha hora de felicidade,
por comungarmos bons momentos, por os juntar à minha volta,
por ver nos seus rostos um assomo de felicidade,
mas a hora do silêncio, agora, é minha,
porque é nele que me instalado, a repensar os momentos,
a lembrar-me das gentes que me honram com a sua amizade.
O meu silêncio é de ouro,
banhado pela lua cheia destas noites cálidas,
repleto da felicidade da amizade.
Silêncio que estou à escuta,
ainda ouço os risos, as conversas, tudo,
mas em silêncio, no meu silêncio.


publicado por canetadapoesia às 23:38
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Encontro de mundos (2011)

 

É uma praça bonita,
larga o suficiente para acomodar o mundo.
logo ao lado uma outra mais pequena,
nem por isso menos brilhante.
Por uma pequena rua,
se faz a ligação entre as duas.
Qual encontro de mares,
revoltos e ondulantes ao encontrarem-se,
aqui também há uma junção,
não de praças, não de mares,
mas de civilizações.
Aqui se misturam gentes,
de diferentes origens, de culturas diversas.
Todo um universo no encontro de mundos,
nesta bela cidade de Lisboa.


publicado por canetadapoesia às 23:37
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Diz-me tu (2010)

 

O que sentes? O que vês?
Diz-me o que pensas,
conta-me da tua vida,
esclarece-te contando-me,
tudo o que te vai na alma.
Eu escuto, sabes?
Sou bom nisso,
sei escutar,
em silêncio, sem intervir.
Oiço, oiço e nada digo,
não interrompo uma alma a confessar-se.


publicado por canetadapoesia às 23:36
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E no entanto... (2010)

 

Sem querer ou imaginar, vens-me à adormecida memória.
Em sonhos, soltos e espaçados,
adormecido na noite silenciosa,
em absoluto descanso mental,
desperto em outra dimensão,
apesar de tudo estou vivo.
Tento que o presente seja o toque de ordem,
prevaleça sobre o passado que,
de alguma forma já é distante, mas não o controlo.
E no entanto...
Ali estás na noite escura e silenciosa,
mordendo os lábios, olhando-me provocadora,
excitando-me a libido, destroçando o meu descanso.
Como uma realidade, assim vivo o sonho, me desfaço,
e me convences e torturas, com as tuas mãos quentes,
a língua irrequieta e o corpo insaciável.
Rendido a teus encantos me deixo soçobrar,
e o silêncio da noite se transforma em grito de amor e prazer.


publicado por canetadapoesia às 23:36
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