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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

09
Mai19

A palavra (2010)


canetadapoesia

 

 

Soltou-se no momento indesejado.

Violou todos os preceitos da razão.

Criou o silêncio entre as partes.

A palavra,

que leva ao entendimento,

tem momentos de eclosão e,

desses momentos,

dos estragos causados,

dificilmente à retorno.

Multiplica-se,

incendeia-se,

e reage à palavra com a violência,

que a palavra não merece.

08
Mai19

Chorou o céu (2015-01-16)


canetadapoesia

 

 

Um lençol de água,

estendeu-se do céu à terra,

e caia sem parar, copiosa.

O choro do céu sobre a terra.

E ela absorvia tanta água quanto podia,

mas a sua capacidade era limitada,

transbordou, inundou tudo ao redor,

arrastou o que encontrou pelo caminho.

Quando o céu se cansou, parou,

achando que era o suficiente,

para lavar a alma desta cidade.

E nesta noite abençoada,

O céu brilhou mais que nunca,

a cidade apareceu com um ar de limpeza,

as luzes eram mais nítidas,

até as folhas desapareceram das ruas.

O choro do céu sobre a terra,

a limpeza da alma de Lisboa.

07
Mai19

O silêncio da noite (2010)


canetadapoesia

 

 

Olho a noite com alguma apreensão.

Não consigo senti-la como a companheira do descanso,

porque a noite vem carregada de intenções.

Intriga-me o escurecer de um dia de sol,

e assusta-me assistir ao clarear do dia,

entre ambos, não prego olho.

Sei que a noite, afinal, é uma boa companhia,

traz-me o silêncio do ruído mundano,

ajuda-me a pensar na vida e no mundo,

impele-me a agrupar as palavras,

naquilo a que chamo escrever.

Acalma-me com o seu silêncio,

mas impede-me de dormir.

05
Mai19

Pois é… (2013)


canetadapoesia

 

 

Dormia a cidade no sono dos justos,

acordada aqui e ali,

pelo apelo ao divertimento e,

acessoriamente,

pelo desejo de extravasar a aversão,

ao adversário, fosse ele qual fosse.

Amodorrados pelos passeios nos centros comercias,

pelo incentivado som dos estádios de futebol,

pelas acaloradas discussões sobre qual o melhor,

do mundo e arredores,

o rei do pontapé na bola,

não se deu caso de que,

enquanto se mantinha anestesiado,

a cidade ia morrendo lentamente,

e com ela soçobrariam a prazo.

05
Mai19

Tu minha mãe


canetadapoesia

 

 

Que viveste a minha vida,

deixando de viver a tua.

Que sacrificaste tudo,

para que nada me faltasse.

Tu minha mãe,

que jamais esquecerei,

por todo o carinho e amor,

que em mim deixou marca.

Tu minha mãe,

que não podes,

mas eu gostaria que fosses eterna.

 

04
Mai19

Quatro paredes e uma nesga de céu (2010)


canetadapoesia

 

Da secretária onde me sento,
vou escrevendo o que pela cabeça me perpassa,
e de quando em vez,
levanto a cabeça, fixo os olhos na distância,
através da janela envidraçada,
que abre ao mundo estas quatro paredes,
e mais à frente sinto o azul de um céu que,
ora desaba em fortes bátegas de água,
ora transparece de uma luminosidade de espanto.
Este é o céu desta Lisboa que aprendi a amar,
de que passei a gostar como se dela nunca me tivesse separado,
e que será, sem dúvida, o tecto que me albergará,
para a eternidade que me espera.

04
Mai19

Em cheio (2015-01-24)


canetadapoesia

 

Não lhe escapo,
nem quero,
acerta-me em cheio,
envolve-me, inunda-me, aquece-me,
o corpo e o coração,
que a alma,
essa incógnita do ser,
mantém-se sempre quente.
Este sol, que é o meu,
único no mundo,
o sol da minha cidade,
de Lisboa baptizada,
com “p”, para lhe saberem a idade.

04
Mai19

Silêncio de ouro (2010)


canetadapoesia

 

Fiquei em silêncio,
olhando sem ver,
ouvindo sem ouvir,
falando sem falar,
só o silêncio respondia.
Pode não ser de ouro,
como dizem,
mas era o meu silêncio,
e para mim era mais que ouro,
nele tudo se expressava.
Era o meu silêncio.

 

04
Mai19

No silêncio da noite (2010)


canetadapoesia

 

 

Na noite saem-me palavras,

silenciosas e abruptas,

que me enchem a alma.

Catadupas de palavras

me recriam e extasiam.

Procuro envolver-me,

sentir-me nelas,

trazê-las ao papel,

juntando-as

procuro fazer poesia.

No silêncio da noite.

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