Quarta-feira, 31 de Julho de 2019

Gaivota (2010)

 

 

Empoleirou-se no topo de um mastro.

A sagacidade do olhar pesquisou à volta,

semicerrou as pálpebras e afinou o olhar,

o mar ali, à distância de um bater de asas.

Alisou as penas, esticou as asas,

um leve bater, um aquecimento prévio,

dois estridentes gritos e uma queda no vazio.

A força da elevação leva-a às alturas,

pica o oceano, volta a subir,

três voltas depois, retorna à posição inicial.

No seu mar, fonte de alimentação,

nada encontra para se sustentar,

vira-se para terra e lá ao longe vislumbra.

Descobre nova fonte de vida,

a lixeira humana vai passar a alimentá-la.


publicado por canetadapoesia às 23:30
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Terça-feira, 30 de Julho de 2019

Universo (2010)

 

 

Do universo só conheço os planetas e as estrelas.

Procurando dentre todas a que mais brilha,

amiúde me revejo, em noites muito escuras ou enluaradas,

calcorreando os caminhos da procura.

Sempre em vão esta busca.

Já que a mais brilhante,

a que me ofusca com o seu clarão,

de todas as estrelas a mais apetecida,

se encontra aqui bem perto do coração.

Um dia hei-de mostrar-lhe as estrelas do universo.


publicado por canetadapoesia às 22:50
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2019

Silencioso II (2014-08-31)

 

 

E se te custa muito,

não digas nada,

não faças nada,

deixa-me só,

silencioso como sempre.

Olhando o céu azul,

assistindo ao pôr do sol.

Só e silencioso,

como sempre.


publicado por canetadapoesia às 23:52
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Sábado, 20 de Julho de 2019

Procurei em vão (2015-05-25)

 

 

No mundo onde vivi, procurei um espaço,

onde o meu corpo encaixasse, onde me sentisse parte,

onde me envolvesse com alma e, pensando bem,

acho que nunca o consegui encontrar.

 

Este não é o meu mundo, tão perfeito como o imaginei,

dessa solidão tão minha, do silêncio que meus lábios

balbuciando diziam, vai, vai, segue o teu caminho,

mas não era este, demasiado ruidoso, demasiado maldoso,

o meu caminho não era este, era feito de silêncios,

estava cheio de observações, e o que via não me agradava.

 

Não era esse o meu caminho e por isso vagueei pelas ruas da vida,

tropecei e fui empurrado, espezinhado tantas vezes,

mas convicto continuo a pensar que esse não era o meu caminho,

e no silêncio de minha alma, caminho contra o vento.


publicado por canetadapoesia às 22:45
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Quando a noite se prolonga (2015-04-20)

 

 

Não sei qual é o feitiço,

se existe sequer algum,

mas a noite, a noite traz de tudo,

desde logo o manto de silêncio,

que nos cai em cima e,

dele surge o feitiço da lua, ou da noite sem ela.

Cresce em nós a solidão do dia adormecido,

na noite fria de um inverno que ainda só é Outono.

E sós, no silêncio,

ouvimos o que a vida nos tem para contar e,

nem sempre tivemos tempo para ouvir,

ouvimos a vida, que passou e nos espreita,

num futuro sempre adiado,

ouvimos as coisas que nunca ouvimos,

porque não estávamos atentos,

ouvimos a noite que nos cobre.


publicado por canetadapoesia às 00:04
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Quinta-feira, 18 de Julho de 2019

Um cachimbo ou um charuto (2015-05-05)

 

 

Já me acompanha faz tempo,

pela minha idade diria que pelo menos,

há uns bons quarenta e poucos anos,

companheirão das boas e más horas, o cachimbo,

de que possuo uma boa mostra de variados exemplares.

Ninguém me conhece sem ele e,

nos momentos de silêncio,

na paz dos pensamentos,

na solidão das multidões,

sempre ele para me acompanhar.

Mais tarde, velhice talvez,

o charuto se anuncia,

não um companheiro desta viagem que é a vida,

antes a companhia do prazer,

da gula ou outro qualquer,

mas sem dúvida do prazer puro e duro,

sem que nunca retire o lugar do cachimbo.

Prazeres da vida.


publicado por canetadapoesia às 23:37
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Silencioso I (2015-04-13)

 

 

Com a mole imensa desta gente à minha volta,

estou só,

e do ruído que se espalha

crio o silêncio que me envolve.

Desse momento de ausência,

somo letras, junto palavras,

procuro um sentido

onde muitas vezes me arreveso,

um significado final.

Silêncio e palavras,

um conjunto essencial ao sentido

de uma vida que os procura.


publicado por canetadapoesia às 01:18
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Terça-feira, 16 de Julho de 2019

Cantadores da noite (2014)   

 

 

Já caía o dia,

instalava-se uma indistinta e opaca luminosidade.

Imperava o silêncio que em breve seria quebrado

pelo constante entusiasmo das cigarras cantadoras

que da noite fazem palco

agradando à lua em quarto crescente

a caminho da bojuda e cheia lua de Agosto.


publicado por canetadapoesia às 21:53
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Porque sinto falta (2015)

 

 

Não sei, mas sinto falta,

sinto a tua falta,

e quando não estás,

cresce um vazio em mim,

quando estás enches o espaço

e eu queria silêncio,

mas fazes-me sentir vivo

e isso eu não posso pagar,

porque sinto a tua falta,

quando não estás por perto.


publicado por canetadapoesia às 23:43
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Domingo, 14 de Julho de 2019

Tic-Tac (2015-05-06)

 

 

No silêncio da noite,

fazia-se ouvir exasperadamente,

como badaladas de um sino de igreja.

Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac.

No correr das horas paradas,

na noite calada,

acordamos os sentidos,

despertamos a alma,

e para a negritude do futuro,

espreitamos o que não conseguimos ver.


publicado por canetadapoesia às 22:20
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