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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

05
Jul19

Por norma e em regra (2015-05-13)


canetadapoesia

 

 

Quase sempre é assim,

e sempre que se retraem,

quando se recusam a questionar,

a tirar qualquer dúvida,

a esclarecer um assunto necessário,

recolhem-se humildemente ao silêncio.

Quando, por fim, podem expor,

tudo o que lhes vai na alma,

no anonimato de uma folha apócrifa,

despejam o fel e o vinagre,

sobre quem os quis sempre apoiar.

A natureza humana no seu melhor,

no escuro profundo dos seus silêncios,

na coragem e bravura do anonimato.

03
Jul19

Gostei deles (2016)


canetadapoesia

 

 

Num primeiro relance do olhar pela sala,

gostei do que vi,

gostei deles e guardei a foto na memória,

marquei-a como das boas que tenho obtido na vida.

Mas nessa primeira vista também achei que,

estavam um pouco reprimidos,

precisavam de se soltar,

pensei que os ajudaria,

que daria o empurrão,

para que não fosse monótono,

acho que até não correu mal

esta primeira aproximação,

de quem, presumivelmente,

serei o formador,

de gente formada e bem pelo que constatei.

Sobretudo pensei que muito teria a aprender

com esta gente que,

mais que aprender me vai ensinar,

aqueles a quem a vida pregou a primeira partida,

que lhes atrasou o início de vida,

o projecto que sonharam e se vem arrastando no tempo.

São aqueles que não choram nem se lamentam,

mas sofrem no seu silêncio as agruras que lhes impõem,

mereciam outro princípio de vida,

um início diferente, promissor,

porque afinal,

são o futuro, o nosso futuro.

02
Jul19

Custa cada vez mais (2014)


canetadapoesia

 

 

É que custa muito, cada vez mais,

fico exausto, descontrolo-me,

já não suporte com facilidade,

a presença de outros humanos,

quero o silêncio que me ensurdece,

ouvir os pássaros sem interrupção pela voz humana,

sou um bicho do mato,

habituado ao rumor do vento nas árvores,

sentindo o rastejar das serpentes,

ou o borbulhar do jacaré quando vem buscar ar,

e estou a piorar com os anos.

Quero viver no campo, longe da civilização,

acordar com o ruído do sol a nascer,

adormecer com o ronronar da lua sobre mim,

escutar o som das plantas a crescer

e o chilrear da passarada ao fim do dia.

Quero muito o silêncio que minha alma anseia e que,

na cidade ruidosa não consigo encontrar.

02
Jul19

Com o aparelho na mão (2014)


canetadapoesia

 

 

Que faço eu com este aparelho que nas mãos carrego,

e por vezes até traço à volta do pescoço,

pendurado, quase inerte,

mas vivo e atento a tudo que o rodeia.

Se lhe passam pela frente, zás,

traça-lhes o perfil em zeros e uns,

que agora, que o tempo passou e outro se apresentou,

já não se gravam as almas em celulóide.

Gosto dele porque sim,

ocupa-me as mãos,

enfeita-me o pescoço e,

com o jeito que lhe conheço,

cria o silêncio que minha voz viola,

nele só ouço um “tlec”, disparou o aparelho,

mais uma foto tirada,

uma alma guardada no cartão,

da minha máquina fotográfica, o aparelho.

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